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terça-feira, 31 de julho de 2018

A FARSA HUNGARA


Às vezes me pego lembrando de você. Eu confesso, você foi o grande amor da minha vida. Eu me entreguei de corpo e alma. Deixei minha vida e fui viver a sua, me rendi as suas juras, me encaixei nos seus conceitos, nos seus desejos e abri mão de mim. Eu queria formar a nossa família e você pensado em viver a sua.
Muitas vezes eu me pego lembrando de como nossos olhos brilhavam cheios de paixão e desejo, de como nossas mãos se entrelaçavam quase que em um encaixe naturalmente perfeito e como nossos corpos se completavam sublimemente.
Eu lembro do calor do seu corpo aquecendo ao meu nas noites frias de inverno, seu sorriso quando o sol batia à janela nas manhãs de domingo.
Lembro do beijo "melhor do mundo", que me tirava o fôlego e fazia meu coração bater alucinado e de repente, perdeu-se pelo caminho...
Lembro das tantas vezes que fiquei doente porque meu corpo pedia socorro...
... e de tantas outras que chorei até adormecer;
... de como pedia a Deus sabedoria para iluminar meu caminho e minhas escolhas;
... de como deixei de ser eu, para ser você e como você me humilhou, em tantas coisas pequenas;
... de como você me fez sentir culpada, incapaz, amedrontada. Eu sentia arrepios de medo, medo de conversar com as pessoas, medo de chegar em casa tarde, medo do que você iria pensar, de como iria reagir. Medo, pavor, aflição e brigas, lembro de todas essas cenas que permearam os 15 meses.
Você nunca soube me dar a mão para construir nada, você queria que eu fosse você, sem respeitar quem eu sou.
Você construiu uma farsa. Você é uma farsa.
E todo o nosso tempo foi uma farsa.
O casal perfeito nunca existiu, o amor de novela nunca existiu, a família feliz nunca existiu. E tudo não passava de uma farsa, máscaras... tudo para ocultar um cenário de repressão.
Eu fui a zero, mas fui ciente de que eu me entreguei, de que eu amei, eu dei o melhor de mim e que me sentimento era real, embora hoje eu saiba que nunca foi recíproco. Eu amei sozinha, eu puxei o peso morto pelo caminho, eu arrastei a culpa.
Eu sobrevivi. Eu revivi. Eu aprendi. Eu evolui
Hoje eu enxergo que eu sou uma mulher linda, poderosa, decidida e dona do meu destino. Você me ajudou a acordar essa mulher maravilhosa que estava adormecida.
Eu aprendi a me amar, a me valorizar, a focar nos meus sonhos e nos meus desejos.
O novo destino é meu, quem o trilha sou eu...
E a farsa? Não passa de história.

=)

terça-feira, 17 de julho de 2018

DE OUTRAS VIDAS



Passava-se das 21h de uma despretensiosa noite de um verão qualquer, o telefone toca.
- Oi, tudo bem?
- Tudo e vc? Como foi o futebol?
- Oi tia, eu sou o Léo. Onde você mora?
Naquele instante, ao ouvir aquela voz as pernas bambearam, perdi o chão, tudo fico preto... com as mãos, senti a parede, encostei e fui deslizando até sentar-me no chão. A emoção tomou conta de mim e não consegui conter-me.
- Desculpas, ele pegou o celular. Ele quis falar, ele quer conhecer você. Você poderia vir vê-lo.
- Está tarde. Ele precisa descansar. Não vou sair de casa agora...
- Venha. Ele quer te ver e eu também. Venha. Fique um pouco. Logo ele dorme.
Troquei rapidamente de roupa e fui
 No caminho, enquanto dirigia, muitas coisas iam passando pela minha cabeça. Era uma situação nova, não sabia como lidar, estava ansiosa, temia pela reação dele, queria ser aceita. Muitas dúvidas e ao mesmo tempo, meu coração palpitava de amor por aquela voz doce e meiga que havia ouvido minutos atrás.
Quando o vi, foi paixão à primeira vista
Era um menino encantador, doce, carinhoso, tímido e desconfiado. Muitas vezes só me observava. Pouco a pouco fui ganhando espaço, conquistando a sua confiança, fui entrando no seu mundo... e ele fazendo parte do meu.
O tempo passou... Anos depois avisto-o apenas de longe. É como se o tempo não tivesse passado. O amor é o mesmo, o carinho maternal é o mesmo. O calafrio que senti a primeira vez que nos falamos é o mesmo...
São encontros da vida
São encontros de outra vida
É amor construído.
É missão cumprida.
É aprendizado concluído


=)



sexta-feira, 21 de março de 2014

William Shakespeare


Aprendi que amores eternos podem acabar em uma noite.
Que grandes amigos podem se tornar grandes inimigos.
Que o amor sozinho não tem a força que imaginei.
Que ouvir os outros é o melhor remédio e o pior veneno.
Que a gente nunca conhece uma pessoa de verdade, afinal, 
gastamos uma vida inteira para conhecer a nós mesmos.
Que os poucos amigos que te apoiam na queda, 
são muito mais fortes do que os muitos que te empurram.
Que o "nunca mais" nunca se cumpre, que o "para sempre" sempre acaba. 
Que minha família com suas mil diferenças, está sempre aqui quando eu preciso.
Que ainda não inventaram nada melhor do que colo de mãe desde que o mundo é mundo.
Que vou sempre me surpreender, seja com os outros ou comigo.
Que vou cair e levantar milhões de vezes, e ainda não vou ter aprendido TUDO."
Estamos aqui de passagem..

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Só de mim

Tu não sabes quem eu sou, mas eu sei quem tu és… e só preciso de um minuto da tua atenção.
Quero dizer-te que espero que saibas a sorte que tens. O quanto eu gostaria de estar na tua pele. Poder estar na mesma cama que ela todas as manhãs. Ajudá-la a acordar da má disposição matinal.
Espero que saibas que ela só vai falar contigo depois de lavar os dentes. Não é por mal… é por medo de perder o encanto aos teus olhos. Que a consideres um ser humano comum.
Espero que saibas que ela gosta de aproveitar cada raio de sol, e que o café a deixa mal disposta.
Que escolhe a roupa que vai vestir na noite anterior, só para poder ter mais cinco minutos de sono pela manhã. Que o despertador toca cinquenta vezes até que se levante, e que mesmo assim, consegue chegar a horas.
Quero também que saibas que adora histórias do fantástico. Mas não de terror! Que é capaz de saber o nome de todas as personagens de um livro antigo, mas que não se vai esforçar para decorar à primeira os nomes de todos os teus amigos…
Porque ela… ela é que sabe de si.
Tu nunca serás uma sorte para ela. Sorte é poderes tê-la na tua vida.
Sabes?
Ela não é romântica por natureza, mas uma demonstração espontânea da tua parte vai fazê-la fraquejar. Porque ela é segura e doce ao mesmo tempo.
Ela não sabe cozinhar, mas vai esforçar-se para fazer o teu prato preferido. E se estiver mau, vai rir-se do falhanço, em vez de corar.
E quando ela ri… eu tenho vontade de chorar. Não de tristeza, mas porque cada gargalhada é uma nota musical que toca ao coração e faz querer dançar.
Espero que pares de fazer o que gostas e que por vezes tenhas tempo para ouvir sobre o seu dia e sobre cada pequena conquista. Que atures os seus devaneios artísticos e o tempo que perde a colorir livros infantis quando quer ter tempo para si.
Quero que saibas que eu gostava de estar desse lado, a aturar o seu mau humor e a vê-lo mudar depois do primeiro copo de vinho.
Queria poder apreciar as suas unhas que estão mais tempo de verniz estalado que de verniz perfeito… mas que cada forma de vermelho tem uma história que ela construiu com as próprias mãos.
Gostava de me ter apaixonado por ela no primeiro dia que a vi, e não no segundo. Porque cada dia com ela é a certeza de que somos amados. Porque ela é sedução e alegria num só. Porque consegue o que quer com o poder do sorriso e a força do olhar. Seria um tolo se não soubesse que tem olhos castanhos e que adora a cor verde.
Quero que saibas que ela é tudo o que quero e nunca soube que tive.
Aprende que a arritmia que sentes com ela é normal! E que a falta dela é um vazio igual à morte.
Espero que sejas tudo o que eu nunca fui.
Espero que a trates bem.
Porque se lhe partires o coração vais perdê-la para sempre.
Pudesse eu ter lido o futuro...

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Amor a milésima vista

Antes, achava que o amor, necessariamente, precisava acontecer logo de cara e que, com o tempo, as chances de ele nascer só diminuiriam. Pensava: “caso eu não comece a amar à primeira ou, no máximo, à quinta vista, com certeza, não a amarei”. E, raciocinando dessa maneira e subestimando o potencial surpreendente dos sentimentos, por muitas vezes, não dei a devida chance para o surgimento daquilo que, hoje, se em algum momento do passado não tivesse sido barrado pelo meu excesso de expectativas, poderia ter adquirido cor e até, quem sabe, lugar VIP no camarote do meu coração.

“Ela não é a mulher ideal para mim”, pensava, antes mesmo de dar uma oportunidade para que a moça me provasse o quanto eu, baseado apenas em desconhecimentos, criava hipóteses totalmente sem fundamento. “Nunca daremos certo”, eu dizia, como se pudesse prever o futuro, para que ela, aquela com quem eu havia jantado apenas uma vez, não voltasse a me procurar.

Proclamava frases como essas, pois achava que, algum dia, em alguma esquina, bateria os olhos em alguma guria e, abruptamente, como num passe de mágica, identificaria a mulher da minha vida. Achava que aconteceria como nas comédias românticas e que bastaria um esbarrão para que eu percebesse que estava diante daquela com quem dividiria as dores da velhice e o medo de partir dessa para sei lá qual.

Muitas vezes, baseava-me em coisas pequeníssimas para justificar as minhas grandes e precoces decisões. “Não vai dar certo porque ela não viu nenhum filme do Woody Allen”, pensava, antes de descartá-la. “Não sei, cara, ela tem uma barriguinha”, justificava ao sábio amigo que, inteligentemente, sugeriu que eu mantivesse a porta aberta.

E assim, sem ao menos conhecê-las, neguei-as. À espera de uma mulher que, desde o primeiro encontro, parecesse perfeita, não dei chance para que o amor, aos poucos, regado pela crescente intimidade e pelo aprimoramento da convivência, fizesse-se vistoso e sólido.

Hoje, por experiência própria, eu digo: “quase nunca acontece como nos filmes!”. Percebi que para deixarmos o amor surgir, em muitos casos, precisamos dar tempo e chances para que o outro mostre o quanto está disposto a se adaptar e a relevar as nossas imperfeições. E, meus caros, posso afirmar que não existe nada mais bonito do que perceber que, para ficar perto de nós, o outro aprendeu a aceitar e até a admirar as nossas imperfeições. O amor, muitas vezes, surge de uma soma de situações cotidianas. Não entendeu? É simples: o amor é fruto das vezes que o pegou, com cara de bobo, velando seu sono, somadas as vezes que ele, claramente, sofreu quando viu o termômetro afirmando que você estava com febre, multiplicadas as vezes que ele, para não correr o risco de lhe perder, calou-se diante uma palavra que, facilmente, poderia ter iniciado uma guerra mundial. Entendeu agora?

“Quanto mais tempo eu passo com você, mais tempo quero passar ao seu lado”, foi o que escrevi no bilhete que colei na geladeira dela, antes de partir. Escrevi isso, pois percebi que o tempo, apesar de não curar, como dizem por aí, nos dá a chance de dar ao outro, através de atitudes, bons argumentos para que ele nos queira ali, fincado dentro do peito.

Assim como acontece com a massa de um bolo que parece incapaz de inchar, o amor também pode, quando menos esperamos, crescer e até, nos melhores casos, transbordar da nossa forma. Porém, para que exista a mínima possibilidade disso acontecer, precisamos tomar cuidado para não podá-lo antes mesmo que ele comece a dar as caras.


Mais uma coisa: saiba que obrigar alguém a nos amar é impossível, mas que dar bons motivos para que isso aconteça é algo perfeitamente cabível a nós e capaz de, com certezas, encher corações indecisos.


Via Casal Sem Vergonha.

segunda-feira, 29 de abril de 2013

Amor eterno amor


Um homem e uma mulher vivem uma intensa relação de amor, e depois de alguns anos se separam, cada um vai em busca do próprio caminho, saem do raio de visão um do outro. Que fim levou aquele sentimento? O amor realmente acaba? O que acaba são algumas de nossas expectativas e desejos, que são substituídos por outros no decorrer da vida.

As pessoas não mudam na sua essência, mas mudam muito de sonhos, mudam de pontos de vista e de necessidades, principalmente de necessidades. O amor costuma ser amoldado à nossa carência de envolvimento afetivo, porém essa carência não é estática, ela se modifica à medida que vamos tendo novas experiências, à medida que vamos aprendendo com as dores, com os remorsos e com nossos erros todos. O amor se mantém o mesmo apenas para aqueles que se mantém os mesmos. Se nada muda dentro de você, o amor que você sente, ou que você sofre, também não muda. 

Amores eternos só existem para dois grupos de pessoas. O primeiro é formado por aqueles que se recusam a experimentar a vida, para aqueles que não querem investigar mais nada sobre si mesmo, estão contentes com o que estabeleceram como verdade numa determinada época e seguem com esta verdade até os 120 anos. O outro grupo é o dos sortudos: aqueles que amam alguém, e mesmo tendo evoluído com o tempo, descobrem que o parceiro também evoluiu, e essa evolução se deu com a mesma intensidade e seguiu na mesma direção. Sendo assim, conseguem renovar o amor, pois a renovação particular de cada um foi tão parecida que não gerou conflito. O amor não acaba. O amor apenas sai do centro das nossas atenções.

Não é o sentimento que se esgota, somos nós que ficamos esgotados de sofrer, ou esgotados de esperar, ou esgotados da mesmice. Paixão termina, amor não. Amor é aquilo que a gente deixa ocupar todos os nossos espaços, enquanto for bem-vindo, e que transferimos para o quartinho dos fundos quando não funciona mais, mas que nunca expulsamos definitivamente de casa.

(autor desconhecido)

* post extraído de um mural do Sr. Alexandre Vaitkevicius


=)