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terça-feira, 17 de julho de 2018

DE OUTRAS VIDAS



Passava-se das 21h de uma despretensiosa noite de um verão qualquer, o telefone toca.
- Oi, tudo bem?
- Tudo e vc? Como foi o futebol?
- Oi tia, eu sou o Léo. Onde você mora?
Naquele instante, ao ouvir aquela voz as pernas bambearam, perdi o chão, tudo fico preto... com as mãos, senti a parede, encostei e fui deslizando até sentar-me no chão. A emoção tomou conta de mim e não consegui conter-me.
- Desculpas, ele pegou o celular. Ele quis falar, ele quer conhecer você. Você poderia vir vê-lo.
- Está tarde. Ele precisa descansar. Não vou sair de casa agora...
- Venha. Ele quer te ver e eu também. Venha. Fique um pouco. Logo ele dorme.
Troquei rapidamente de roupa e fui
 No caminho, enquanto dirigia, muitas coisas iam passando pela minha cabeça. Era uma situação nova, não sabia como lidar, estava ansiosa, temia pela reação dele, queria ser aceita. Muitas dúvidas e ao mesmo tempo, meu coração palpitava de amor por aquela voz doce e meiga que havia ouvido minutos atrás.
Quando o vi, foi paixão à primeira vista
Era um menino encantador, doce, carinhoso, tímido e desconfiado. Muitas vezes só me observava. Pouco a pouco fui ganhando espaço, conquistando a sua confiança, fui entrando no seu mundo... e ele fazendo parte do meu.
O tempo passou... Anos depois avisto-o apenas de longe. É como se o tempo não tivesse passado. O amor é o mesmo, o carinho maternal é o mesmo. O calafrio que senti a primeira vez que nos falamos é o mesmo...
São encontros da vida
São encontros de outra vida
É amor construído.
É missão cumprida.
É aprendizado concluído


=)



segunda-feira, 4 de abril de 2016

A MEIA LUZ



Era uma terça-feira qualquer, estava bastante ocupado na empresa naquela tarde. Havia visitado alguns clientes e estava fazendo o checklist e finalizando os pedidos no sistema antes de encerrar o dia, quando chega um SMS: “Podemos nos ver hoje? Queria entregar-lhe um presente. Podemos pedir uma pizza? Que tal as 20h?”
O que será que ela queria? Nunca me mandara SMS parecido. Confesso que fiquei curioso para saber o que eu receberia e, alem do mais, a companhia dela seria muito agradável depois de um dia tão exaustivo. Então respondi: “Às 20h na minha casa. Estarei esperando-a. Já comprei seu vinho favorito”
Cheguei em casa muito cansado, e ao mesmo tempo bastante ansioso, queria vê-la. E queria saber o que era o presente. Tomei um banho quente para relaxar, vesti uma pólo, um jeans, calcei um sapatenis e esperei pela chegada dela.
Passado alguns minutos das 20h, o interfone toca.
Quando abri a porta, fiquei boquiaberto, ela estava linda... Um vestido preto com alguns botões, levemente maquiada e um perfume encantador.... Mas o olhar... ah, o olhar.... aquele olhar....
Convidei-a para entrar, abrimos o vinho enquanto aguardávamos a pizza chegar, Uma taça ali, outra acolá. A conversa fluía agradavelmente. Ríamos. Estávamos nos divertindo. Foi um jantar muito agradável. E ela estava linda, eu estava ainda mais encantado. Queria beijá-la, queria abraçá-la, queria tê-la.
Ela se levantou, começou a retirar os pratos e as taças da mesa. Eu estava ali, fumando, relaxando, só observando-a, quando dei por mim que ela poderia ir embora a qualquer momento. De repente senti uma angustia, meu coração disparou...
Levantei-me rapidamente, fui até a cozinha, peguei-a em meus braços e a beijei. Beijei-a com tamanha paixão, com desejo... Ah, e ela correspondeu!
A alegria tomou conta de mim, era uma sensação muito prazerosa, uma felicidade sem limites.

Abracei-a e fui conduzindo-a até meu quarto. Apenas as luminárias estavam acesas. Ela desabotoou o vestido, abriu-o, exibindo todas as suas belas curvas. Ela estava ali, nua, branca e linda só pra mim.


=)

quarta-feira, 21 de maio de 2008

FIM DO EXPEDIENTE



Era fim do expediente na ADV & ADV Associados, um grupo de advogados bastante conceituado naquela metrópole. Instalado em um edifício bem localizado, ocupando a cobertura, cuja parede era de imensas janelas. A luz natural se fazia presente durante grande parte do dia, que além de acolher muito bem os clientes, oferecia uma bela vista panorâmica.

Terça-feira, tarde de outono, o sol poente avermelhado refletia na janela do edifício vizinho e no céu, um misto de tons: azuis, alaranjados e violeta. Depois de quase 10 horas de exaustivo trabalho, debruçado sobre processos e petições, lendo pilhas e mais pilhas de documentos, parei alguns minutos para contemplar aquela vista antes de me retirar e por um instante aquilo tudo me fascinou: meus olhos não piscavam, admirava a paisagem e refletia.... Nunca tinha visto cena de tamanha beleza, ou se tinha, não admirei-a com devida atenção. Estava compenetrado no jogo de cores, na luz, na sombra, no deitar do dia e no nascer da noite.

Ao fundo ouvi um leve caminhar sobre o piso de madeira. Aquele “toc-toc” parecia-me salto alto. Era sutil, delicado e compassado.

Os passos foram ficando mais próximos, a porta se abriu. Senti que alguém se aproximou e de repente apoiou-se sobre a guarda da cadeira.

As mãos brancas, finas, cumpridas e macias desciam acariciando meu peito. Os longos cabelos louros encaracolados debruçavam sobre meu ombro e o perfume doce tocava minhas narinas e tomavam todo o ambiente.

Estava encantado, não tive reação, parecia estar hipnotizado... Era o feitiço da sedução.

Ela, branca, esguia, longilínea, trajava um tailleur grafite, camisa branca, usava uma fina argola de ouro branco cravejada de diamantes, e a echarpe rose de seda italiana ao pescoço completava a composição elegante. A pele alva havia sido queimada pelo frio, pelo vento e nas bochechas, um suave rubor.

Delicadamente, então, girou a cadeira a seu encontro. Sentou-se no meu colo e soltou um belo e malicioso sorriso. Afrouxou minha grava, desabotoou os primeiros botões da camisa. Eu via ali o perfeito contraste entre o desejo e a privação, o instinto e o racional, o poder e o querer, a elegância e a vulgaridade, o divino e o profano. Os lábios molhados e carnudos me desejavam e eu os fitava.

Linda, ela estava linda. Pra mim. Não me contive, sentado, ali mesmo, beijei-a. Tomei-a em meus braços, o instinto tomou conta de mim...

Na mesa... Coloquei-a na mesa...

Meus olhos fixos aos dela. Descalcei seus sapatos. Num leve movimento, entrelaçou seus pés às minhas costas, tomou-me pela gravata e trouxe para si. Beijou-me ardentemente.

Meu coração palpitava, meu corpo ardia desejando-a. Seu olhar meigo, firme e penetrante me instigava mais e mais. Ela brincava com os meus desejos. Enfeitiçou-me completamente. Ela me queria e me teve ali mesmo. Na penumbra da noite que caia, apenas a luz da lua adentrava pela janela. Sentia, junto ao meu corpo nu, sua pele macia e aveludada, os lábios sedentos e o suspiro final ao pé do ouvido. Ela era minha e eu só dela.



=)