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terça-feira, 17 de julho de 2018
DE OUTRAS VIDAS
Passava-se das 21h de uma despretensiosa noite de um verão qualquer, o telefone toca.
- Oi, tudo bem?
- Tudo e vc? Como foi o futebol?
- Oi tia, eu sou o Léo. Onde você mora?
Naquele instante, ao ouvir aquela voz as pernas bambearam, perdi o chão, tudo fico preto... com as mãos, senti a parede, encostei e fui deslizando até sentar-me no chão. A emoção tomou conta de mim e não consegui conter-me.
- Desculpas, ele pegou o celular. Ele quis falar, ele quer conhecer você. Você poderia vir vê-lo.
- Está tarde. Ele precisa descansar. Não vou sair de casa agora...
- Venha. Ele quer te ver e eu também. Venha. Fique um pouco. Logo ele dorme.
Troquei rapidamente de roupa e fui
No caminho, enquanto dirigia, muitas coisas iam passando pela minha cabeça. Era uma situação nova, não sabia como lidar, estava ansiosa, temia pela reação dele, queria ser aceita. Muitas dúvidas e ao mesmo tempo, meu coração palpitava de amor por aquela voz doce e meiga que havia ouvido minutos atrás.
Quando o vi, foi paixão à primeira vista
Era um menino encantador, doce, carinhoso, tímido e desconfiado. Muitas vezes só me observava. Pouco a pouco fui ganhando espaço, conquistando a sua confiança, fui entrando no seu mundo... e ele fazendo parte do meu.
O tempo passou... Anos depois avisto-o apenas de longe. É como se o tempo não tivesse passado. O amor é o mesmo, o carinho maternal é o mesmo. O calafrio que senti a primeira vez que nos falamos é o mesmo...
São encontros da vida
São encontros de outra vida
É amor construído.
É missão cumprida.
É aprendizado concluído
=)
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segunda-feira, 23 de novembro de 2015
Vida de princesa
Mãe, a vida tem compromissos urgentes e sérios. Obrigada por ter me avisado e me mostrado cada um deles. Obrigada por não ter omitido de mim as durezas do mundo. Obrigada por não ter me protegido. Você preferiu as hipérboles do que os eufemismos. Sempre te achei exagerada. Dramática.
Eu sei que não foi fácil para você assistir cada queda, cada erro meu. Sei que eu quis te culpar por não ser como as outras mães que afagavam as filhas. Você foi forte. Você me deixava chorar sozinha e depois passava Merthiolate. Merthiolate ardia “pra caramba”, mãe. Você dizia que se eu esperneasse era pior. Ainda posso ouvir você me dizer isso. Até hoje, se eu espernear é pior. A vida é um grande levanta-e-cai. Mãe, obrigada por não ter montado um quarto cor de rosa para mim.
Obrigada por não construir um castelo ilusório ao meu redor. Obrigada por ter comprado mais pares de livros do que pares de brinquedos. Obrigada por me mostrar que o pão custava muito, que precisava diminuir o tempo no banho para economizar energia. A vida tem um custo alto, mãe. Ainda bem que você não criou uma princesa. Eu não saberia fritar um ovo, miojo seria meu prato principal. Ainda bem que você não sustentou nenhuma vaidade, porque me fez ver que eu era maior que isso.
Você me criou para o mundo, e este, o mundo real, não poupa as princesas. Obrigada por não ter me criado para esperar o príncipe do cavalo branco que resolveria todas as minhas aflições. A vida quer da gente é peito aberto, coragem e a cara para bater. Mãe, minha cara está dormente, mas não desisto não. Eu tropeço tantas vezes e tantas me reequilibro de novo. Mãe, eu mato a barata com medo mesmo. Eu desafio a esfinge com medo mesmo. Eu encaro o dragão com medo mesmo. Do jeito que sei e posso. O que não posso, mãe, é negar você três vezes. Negar o que você me ensinou. Obrigada por não ter criado uma princesa.
Fonte: The Secret TV
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