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segunda-feira, 6 de outubro de 2008

UM COGNAC




Era julho, noite fria de inverno, precitava uma garoa fina e incessante.

Tomei meu banho quente, vesti meu hobby e desci à ante-sala para relaxar enquanto aguardava pelo jantar.

Preparei meu cognac, acendi meu charuto e à meia luz, sentei-me frente à lareira e me pus a pensar... boas lembranças me vinham à mente.

Lembrei-me do meu tempo de criança, das brincadeiras e travessuras na fazenda da vovó, dos puxões de orelha que levava na escola, do sapato bem lustrado, da roupa bem passada, da gravata alinhada, dos livros encapados...

Pensei no meu primeiro grande amor, um sorriso brotou-me à face, instantaneamente, sem que eu pudesse perceber. Brotou da alma e me veio à memória. Na lembrança a imagem de quão singela era aquela garotinha...

Uma menina tímida, doce, delicada, longos cabelos negros, face rubra e sorriso misterioso...

Os anos foram passando, meus pais me obrigaram a estudar na Europa.

Quando regressei ao Brasil, nada era como antes... Estava formado, era advogado e deveria cuidar dos negócios da família.

Conheci uma rapariga de boa conduta, professora, filha de um dos compadres de meu pai e casei-me. Tive três filhos e sete netos.

O casarão é enorme e está vazio e agora apenas o piano me consola.


=)