sexta-feira, 30 de maio de 2008

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Foto: Alcides


Sexta-feira chuvosa e fria. O trânsito era quilométrico. A happy hour com os amigos não era uma boa opção. Queriam ficar a sós.
Ele, depois que ela aceitou seu convite, seguiu rotas
alternativas e rumou para sua casa.
Uma casa grande, porém solitária, ela pensou.
Ele preparou uma sopa, dessas que se encontra em qualquer gôndola de supermercado e adiciona-se apenas água. Escolheu um bom vinho.
Era um tipo respeitador, o que causava nela grande admiração. Quase nunca brincava com segundas intenções. Mas naquele dia foi diferente.
Após a refeição ele colocou no aparelho a música O Viajante, de Teresa Tinoco, na voz de Ney Matogrosso. Ela, como já tinha certa intimidade, sentiu-se a vontade para comentar sobre o cantor e brincar com seu amigo.
Ele elogiou o intérprete, voltou a música ao começo e pediu que ela ouvisse com atenção. Como já tinham se insinuado no escritório, ele disse que aquilo era o que queria dizer naquele momento:

Eu me sinto tolo como um viajante
Pela tua casa, pássaro sem asa, rei da covardia
E se guardo tanto essas emoções nessa caldeira fria
É que arde o medo onde o amor ardia
A mansidão no peito trazendo o respeito
Que eu queria tanto derrubar de vez
Pra ser seu talvez, pra ser seu talvez
Mas o viajante é talvez covarde
Ou talvez seja tarde pra gritar que arde no maior ardor
A paixão contida, retraída e nua
Correndo na sala ao te ver deitada
Ao te ver calada, ao te ver cansada, ao te ver no ar
Talvez esperando desse viajante
Algo que ele espera também receber
E quebrar as cercas com que insistimos em nos defender
Eu me sinto tolo como um viajante
Pela tua casa, pássaro sem asa, rei da covardia
E se guardo tanto essas emoções nessa caldeira fria
É que arde o medo onde o amor ardia
A mansidão no peito trazendo o respeito
Que eu queria tanto derrubar de vez
Pra ser seu talvez, pra ser seu...


Após a música ele tirou-lhe da mão a taça de vinho. E foram olhares... beijos... carícias e só o crepitar das chamas na lareira competindo com uma ardente noite de amor.

Só em São Paulo

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Foto: Alcides










Vejo os primeiros pingos pelo vidro do carro
Pessoas apressadas fogem do temporal
E as nuvens anunciam que quem ficou pra trás
Vai sofrer na marginal.
Chego em casa e, na secretária,
Nenhum telefonema.
Ligo a tv
As notícias são sempre as mesmas:
Falam sobre o dólar e o tempo,
Eu queria saber algo mais.
Acabou a energia e não há nada a fazer
Senão fingir que estou bem
Depois ir pra cama dormir sem você.
Enquanto durmo a chuva bate na janela
Sonho que você voltou, é primavera
E acordo no meio da noite, você não está.
Enquanto durmo a chuva bate na janela
Acordo chorando e vejo a porta entreaberta
Por onde sempre espero você voltar.

Estudantes brasileiros lêem 7,2 livros ao ano

quarta-feira, 28 de maio de 2008

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Pesquisa Retratos da Leitura, feita pelo Instituto Pró-Livro, que será divulgada nesta quarta-feira (28) em Brasília, aponta que os estudantes brasileiros lêem 7,2 livros por ano, mas 5,5 deles são didáticos ou indicados pela escola. Apenas 1,7 livro é lido por vontade e escolha própria.

Foi a primeira vez que os hábitos de leitura dos alunos de todas as idades foram analisados no Brasil.

A quantidade de livros aumenta conforme a classe social, a escolaridade e a região onde vivem. Entre os que ganham mais de 10 salários mínimos, por exemplo, são 5,3 livros por ano, sem contar os didáticos. O índice é próximo dos registrados em outros países, como Espanha (5 livros por ano) ou Argentina (5,8). Na França, são mais de 7. Já na Região Norte do Brasil, praticamente só se lê o que a escola pede.

http://www.ccsp.com.br/ultimas/noticia.php?id=32044

Cúmplices e solidários

segunda-feira, 26 de maio de 2008

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Cúmplices e solidários
Dois corações solitários
Que um dia deixaram de se ver.
Não eram amantes,
Mas a amizade que tinham
Parecia-se com o amor
Porque não havia cobranças,
Nem ciúmes, nem paixão.
Um dia, depois de tanta saudade,
Se reencontraram na mesma cidade
A moça do coração moreno
E o poeta dos fios de cabelos brancos.
Aprenderam a ser mais felizes
Enquanto estiveram distantes
E voltaram a ser como antes,
Não amantes
E agora não mais solitários.
Simplesmente dois velhos amigos
Cúmplices e solidários.

FIM DO EXPEDIENTE

quarta-feira, 21 de maio de 2008

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Era fim do expediente na ADV & ADV Associados, um grupo de advogados bastante conceituado naquela metrópole. Instalado em um edifício bem localizado, ocupando a cobertura, cuja parede era de imensas janelas. A luz natural se fazia presente durante grande parte do dia, que além de acolher muito bem os clientes, oferecia uma bela vista panorâmica.

Terça-feira, tarde de outono, o sol poente avermelhado refletia na janela do edifício vizinho e no céu, um misto de tons: azuis, alaranjados e violeta. Depois de quase 10 horas de exaustivo trabalho, debruçado sobre processos e petições, lendo pilhas e mais pilhas de documentos, parei alguns minutos para contemplar aquela vista antes de me retirar e por um instante aquilo tudo me fascinou: meus olhos não piscavam, admirava a paisagem e refletia.... Nunca tinha visto cena de tamanha beleza, ou se tinha, não admirei-a com devida atenção. Estava compenetrado no jogo de cores, na luz, na sombra, no deitar do dia e no nascer da noite.

Ao fundo ouvi um leve caminhar sobre o piso de madeira. Aquele “toc-toc” parecia-me salto alto. Era sutil, delicado e compassado.

Os passos foram ficando mais próximos, a porta se abriu. Senti que alguém se aproximou e de repente apoiou-se sobre a guarda da cadeira.

As mãos brancas, finas, cumpridas e macias desciam acariciando meu peito. Os longos cabelos louros encaracolados debruçavam sobre meu ombro e o perfume doce tocava minhas narinas e tomavam todo o ambiente.

Estava encantado, não tive reação, parecia estar hipnotizado... Era o feitiço da sedução.

Ela, branca, esguia, longilínea, trajava um tailleur grafite, camisa branca, usava uma fina argola de ouro branco cravejada de diamantes, e a echarpe rose de seda italiana ao pescoço completava a composição elegante. A pele alva havia sido queimada pelo frio, pelo vento e nas bochechas, um suave rubor.

Delicadamente, então, girou a cadeira a seu encontro. Sentou-se no meu colo e soltou um belo e malicioso sorriso. Afrouxou minha grava, desabotoou os primeiros botões da camisa. Eu via ali o perfeito contraste entre o desejo e a privação, o instinto e o racional, o poder e o querer, a elegância e a vulgaridade, o divino e o profano. Os lábios molhados e carnudos me desejavam e eu os fitava.

Linda, ela estava linda. Pra mim. Não me contive, sentado, ali mesmo, beijei-a. Tomei-a em meus braços, o instinto tomou conta de mim...

Na mesa... Coloquei-a na mesa...

Meus olhos fixos aos dela. Descalcei seus sapatos. Num leve movimento, entrelaçou seus pés às minhas costas, tomou-me pela gravata e trouxe para si. Beijou-me ardentemente.

Meu coração palpitava, meu corpo ardia desejando-a. Seu olhar meigo, firme e penetrante me instigava mais e mais. Ela brincava com os meus desejos. Enfeitiçou-me completamente. Ela me queria e me teve ali mesmo. Na penumbra da noite que caia, apenas a luz da lua adentrava pela janela. Sentia, junto ao meu corpo nu, sua pele macia e aveludada, os lábios sedentos e o suspiro final ao pé do ouvido. Ela era minha e eu só dela.



=)

Sem querer

terça-feira, 20 de maio de 2008

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Sem querer fitar seus olhos
Que eu os admirei.
Sem querer dizer nada
Que por seu nome gritei.
Sem querer olhar estrelas
Que numa delas te avistei.
Foi sem querer te ferir
Quando alguma coisa falei.
Sem querer adormeci
E com seu rosto sonhei.
Foi tudo sem querer,
Sem querer me apaixonei.
Agora quando te vejo
Com o coração te chamo.
Não sei se você percebeu,
Mas sem querer descobri que te amo.

CADA UM A SUA MANEIRA

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"Numa composição binária: atividade e passividade, sadismo e masoquismo, paixão e recato, procura e espera, amar e ser amado, cada um à sua maneira e todos numa mesma composição desenvolvem o drama de suas paixões num palco cercado por quatro paredes."

=)

Reencontro

sexta-feira, 16 de maio de 2008

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Foi desconcertante vê-la tão perto, depois de tanto tempo. O coração palpitava.
As palavras giravam em minha cabeça como bolas num globo de bingo. Mas não vinha nenhuma que fizesse sentido para começar um assunto.
Então ficamos apenas nos olhando.
Havia marcas em seu rosto.
Notei que seus olhos subiram a linha dos meus e ficaram surpresos ao ver alguns cabelos brancos.
Quando enfim ela perguntou - Como vai?- notei que sua voz já não era aguda. Também seu corpo não era tão perfeito.
Ela já não tinha os oito anos de quando a conheci, nem os quinze de quando nos separamos.
Agora, depois dos anos passados, sei que era platônico, mas sei que era amor.
Despedimo-nos e o antigo desejo de beijo e abraço ficou suspenso num breve aperto de mãos...

Pax Agrada

segunda-feira, 12 de maio de 2008

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Viver na montanha, na praia ou no campo, com alguém que se quer bem.
"Quero a rosa mais linda que houver
e a primeira estrela que vier"
"Eu quero uma casa no campo,
a esperança de óculos
e um filho de cuca legal"
Quero "viver e não ter a vergonha de ser feliz"
Quero alguém que esteja sempre comigo
"Na rua, na chuva, na fazenda
ou numa casinha de sapé"
"Eu quero a sorte de um amor tranqüilo
com sabor de fruta mordida"
"Todo tempo quanto houver, pra mim é pouco,
pra dançar com meu benzinho numa sala de reboco"
"Nós na batida no embalo da rede
matando a sede na saliva
E algum trocado pra dar garantia"
Quando a banda passar vou jogar o meu corpo na rua
E se o povo cantar vou colar minha boca na sua"
"No silêncio uma Catedral"
Quero "cantar a beleza de ser um eterno aprendiz"
"E se eu chorar e o sal molhar o meu sorriso,
não se espante, cante que o teu canto é minha força pra cantar"
FELICIDADE É VIVER EM PAZ.

Sem Palavras

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Ontem eu o vi.
Vi de longe. Estava sentado de costas para mim, tocando piano.
Fechei os olhos e pude sentir seu cheiro de almíscar. E por esse propósito sedutor fui me deixando envolver...
Não sei precisar em que momento do meu devaneio sua mão forte e pequena tocou-me o braço direito. Meu ventre gelou. Abri os olhos no ímpeto. Mil pensamentos passaram pela minha cabeça. Meu mundo girou: vi gafanhotos, vacas e a grande metrópole. Vi nós dois no altar e pensei em qual poderia ser a minha resposta naquele momento. Tudo isso enquanto eu virava o pescoço para responder-lhe ao toque.
Aquele sorriso!....Aqueles dentes retinhos no molde pontiagudo do queixo, as covinhas eram como um lugar para mim em seu rosto. Seus olhos bem castanhos, firmes e resolvidos, olhavam dentro dos meus com certo anseio. A pinta do lado direito do seu rosto paquerava seu par, do lado direito do meu.
Fiz-lhe cara de indiferente como quem quer perguntar “o que foi?”. Ao que ele, resolutamente, me contestou com um silêncio. Ficou ali parado, olhando.
Mas que raios é o silêncio - essa mudez que perturba tanto?
Interrompeu meus sonhos, invadiu meu momento particular, atropelou meus anseios, derrubou meus dominós, implodiu meu castelo. Ele foi resolvido para me dizer nada. E disse tudo.
Passado meu segundo de inquietação, ele levemente tirou sua mão do meu braço e, ainda com aquele sorriso na cara, foi embora.


“(...) a maior parte dos acontecimentos é inexprimível e ocorre num espaço em que nenhuma palavra nunca pisou.” (Rainer Maria Rilke)

Comunicado interno

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Aos diletíssimos colaboradores desse blog:

Queridos, sintam-se à vontade também para postar blogs ou sites recomendáveis por vocês, ok?!
é só ir em configuração e adicionar os novos endereços. Vamos compartilhar!
Estava querendo colocar tb um link de filmes,músicas, livros, lugares para se visitar, um link tipo: Não perder! - espetáculos/shows/exposições e afins.

Enfim, o site é nosso e está em construção!

Beijos!

A ciranda da bailarina

domingo, 11 de maio de 2008

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Foto: Alcides
Bandolins
(Oswaldo Montenegro)

Como fosse um par que
Nessa valsa triste
Se desenvolvesse
Ao som dos Bandolins...

E como não?
E por que não dizer
Que o mundo respirava mais
Se ela apertava assim...

Seu colo como
Se não fosse um tempo
Em que já fosse impróprio
Se dançar assim
Ela teimou e enfrentou
O mundo
Se rodopiando ao som
Dos Bandolins...

Como fosse um lar
Seu corpo a valsa triste
Iluminava e a noite
Caminhava assim

E como um par
O vento e a madrugada
Iluminavam a fada
Do meu botequim...

Valsando como valsa
Uma criança
Que entra na roda
A noite tá no fim
Ela valsando
Só na madrugada
Se julgando amada
Ao som dos Bandolins...


Making of: Numa noite de águas de março resolvi tirar foto da chuva. Fiquei surpreso ao ver que a imagem dos pingos parecia o universo. No mês seguinte tirei a foto da bailarina dançando (I can't get no) Satisfaction. Quando vi sua pose, pensei logo em montá-la com a foto da chuva. No dia seguinte fui presenteado com um belo luar. A imagem, portanto, é obra da Natureza, cabendo a mim a incumbência de juntá-las e fazer alguns ajustes técnicos.

A propósito, a bailarina da foto chama-se Flora Castro. Uma jovem professora de balé, estudou no Teatro Municipal de São Paulo e é atuante na cultura e cidadania em Guarulhos.
Agradeço a Flora pela gentileza de ceder sua imagem para este blog.

Sem Reservas

sexta-feira, 9 de maio de 2008

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Muito bem.
Hoje tá estranho.
Ontem eu dormi cedo por falta de ter o que fazer. Acordei cedo e, ainda, sem ter o que fazer...
Sozinha em casa, fiquei assistindo a um filme (pela 99ª vez): Sem Reservas.
To sem assunto também. Então, vou falar um pouco sobre o filme: Kate (Kathy Z-Jhones) é uma chef de cozinha exemplar. Uma das melhores da cidade. Leva uma vida cheia de regras e muito bem planejada. Seu assunto favorito é trabalho. Faz terapia por imposição de sua chefe. Mas não consegue perceber a si mesma. Tudo o que Kate enxerga é trabalho.
Até que por fatalidade, sua irmã morre e Kate se vê com a tutela da sobrinha, Zoe. Esta, aos poucos, vai desafiando Kate a lidar com a parte emocional, além de tirar-lhe toda a rotina e trazer-lhe novas preocupações. Kate começa a enxergar vida fora de sua caixa.
Em seguida, vem a fantástica figura: Nick- chef substituto de Kate no restaurante. Esse é o personagem de quem mais gosto. Ele, aos poucos, com a ajuda de Zoe, vai questionando uma a uma as verdades de Kate. Ela vai se tornando mais maleável, mais humana.

Enfim, é basicamente isso. Muito intrigante me parece o título: Sem Reservas. No caso do filme, como o ambiente é um restaurante, pergunta-se em alguns momentos: "O senhor tem reserva?". Mas, no contexto, conforme Kate vai se envolvendo com Zoe e Nick, ela passa a revelar-se a eles. Os três viram cúmplices. Sem reservas um para com o outro. Nota: Ela vai se revelando, se deixando amar à medida em que os dois vão se mostrando a ela, sem máscaras, com transparência. Uma vez li: " à medida que sou, permito que o outro seja". Nem lembro de quem é a frase. Talvez seja até minha - oriunda de alguma reflexão, claro.

Legal essa coisa de ser e deixar ser. Mostrar-se, auto-exposição.

Jesus se mostrou aos seus discípulos tal como era - sem reservas. Parece bom ser assim.
Contudo, parafraseando Nietzsche: " a auto-exposição é o prelúdio da traição". Sim, Jesus foi traído.

Ok, amigos. Isso aqui já me parece um confessionário. Alguém poderia dissertar mais a respeito de reservas e auto-exposição?

Fica o convite a vocês.

Beijos a todos!

quinta-feira, 8 de maio de 2008

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Isso é SIM uma cópia. Vou publicar SIM um texto que não é de minha autoria.
E sabe por quê?
Simplesmente porque o conceito de consumo e a relação cultural de posse que o autor deste fala é magnifica.
Pare 2 minutos e pense nas relações que você tem com seus objetos, o sentimento de posse que exerce sobre eles e o que isso pode gerar num instante futuro.
Lembre-se que é um futuro próximo.... muuuuuuito próximo.

O fotógrafo Peter Mengel correu o mundo com o intuito de estudar a relação entre as pessoas e os objetos. Registrou famílias de classe média de várias cidades cercadas de todos os pertences, de automóveis a escovas de dente. E essas imagens traduzem de maneira contundente as diferenças do conceito de “posse” em distintas realidades culturais.

Uma família americana de classe média possui até 8 mil itens diversos, renovados diariamente, e que geram, em média, até 2 Kg de lixo por pessoa. Enquanto isso, uma família no Butão, pequeno país africano, possui algo em torno de 80 objetos, que vão de utensílios de cozinha a peças sagradas. A quantidade não é o que importa e sim a forma como cada uma dessas famílias encara, valoriza e entende o ato de “possuir objetos”.

Em resposta às acusações feitas em 1987 por um jornalista britânico do Financial Times sobre o lento desenvolvimento do Butão, o rei do país afirmou: "O índice médio de felicidade de um país é mais importante do que o índice de desenvolvimento". A afirmação do rei encontra respaldo nos números. Em uma pesquisa realizada em 2005, 45% dos butaneses declararam ser “muitos felizes”, enquanto que, no mesmo ano, apenas 30% de americanos declaram o mesmo. Isso serve para revermos nossos critérios de associação direta sobre posse e felicidade.

Prova disso é o estudo Happy Planet Index, feito por Nick Marks et al. em 2006. O índice de felicidade dos países compara a relação entre ecologia e número de anos felizes. O resultado: também nessa categoria, o Butão, com seus 80 objetos por família, ficou entre as 10 nações mundiais com maior nível de felicidade – índice muito acima do alcançado pelos Estados Unidos.

Eu, designer que há vinte anos desenho e coloco mais objetos no planeta, não sou hipócrita a ponto de condenar o ato da compra. Quero apenas propor uma reflexão sobre as conseqüências desse estilo de vida. Considerando apenas 50% de um total de aproximadamente 1 bilhão de chineses e indianos que acreditam finalmente ter chegado a hora de encher suas casas de equipamentos e suas garagens de automóveis, é possível ter idéia da explosão de consumo que se aproxima – nível bem próximo ao registrado pelos espanhóis, que ainda é, espantosamente, 13 vezes menor que o consumo dos americanos.

Para saciar essa sede de consumo, precisaríamos extrair matéria-prima de pelo menos 3,5 planetas Terra! Como é pouco provável a multiplicação de nossa pequena nave, é necessário repensar, com urgência, a relação que temos com o consumo. Qual foi a última vez que você usou sua máquina de furar? Este utensílio foi projetado para furar por 7 anos seguidos, mas a média de uso por família é de 30 minutos por ano! De fato, não precisamos de uma máquina de furar, mas dos 15 furos que ela faz por ano. A solução? Que tal se em cada condomínio houvesse apenas dois ou três exemplares desse equipamento para o uso comum?

O que dificulta a adoção do modelo de compartilhamento de objetos é a relação afetiva que desenvolvemos com as coisas e o próprio significado da palavra “posse” para a nossa sociedade. Imagine você, que cultiva com seu automóvel uma relação de amor e cumplicidade, ser obrigado a dividi-lo com seus vizinhos? Vai ser duro, mas provavelmente em um futuro próximo será a única saída possível.

E é também viável. Uma empresa pode muito bem mapear em um edifício o perfil e a demanda dos moradores em relação ao transporte e, de forma customizada, alugar para o condomínio a quantidade e a variedade de modelos de automóveis que atendam às necessidades de todos os moradores. E esse tipo de perspectiva não compromete a rentabilidade das montadoras. Trata-se apenas de rever a lógica da produção em massa: as montadoras se transformariam em provedoras de serviços de transporte, criando vínculos ainda mais duradouros e profundos com seus clientes. O que vai mudar é a natureza e o estado físico do que consumimos.

Resta, no entanto, uma dúvida crucial: o que fazer com os vínculos afetivos que cultivamos com os objetos? A resposta é mais simples do que se imagina. Basta voltar a direcionar toda essa afetividade e zelo para o ser humano. O meio ambiente agradece.

* Fred Gelli é sócio e diretor de criação da Tátil Design, professor de desenho industrial da Puc-Rio e jurado na categoria Design no Cannes Lions 2008. (http://www.ccsp.com.br/ultimas/noticia.php?id=31543)


=)

O meu lugar nessa história

quarta-feira, 7 de maio de 2008

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Ponha-se no seu lugar - disse ela irritada com a situação. Na verdade ela nunca esperou que ele lhe invadisse o espaço e roubasse um beijo.
Enquanto ele se recuperava da mordida que tomara na língua ela perguntou:
- Por que você fez isso?
- Por que você deixou?
- Não deixei!
- Então por que demorou para me morder?
- Porque eu não quis te machucar.
Aí ele investiu.
- Também não quero te machucar. Acho que a coisa está ficando séria.
- Que coisa?
- Sei lá, acho que estou gostando de você!
Ela espantada - Não sei o que dizer.
- Não diga nada, deixa eu te fazer feliz.
- Mas quem disse que eu estou triste?
- Está bom, acho que me expressei mal:
- Me faz feliz.
- E por acaso você é triste?
- Sem você, sim.
- Vai dar uma de romântico agora?
- Não é romance, é sentimento!
- É, posso pensar no seu caso...
- E aí, já pensou?
- Em dois segundos?
- Em um, uma bomba explode.
- Ok, vou te dar uma chance.
E os beijos foram longos, as conversas ao pé do ouvido.
Tudo isso aconteceu na mesa ao lado e eu ali, me sentindo quase derrotado, sentindo uma ponta de inveja, tendo como companhia o cigarro, a bebida e o celular.

Sorria

segunda-feira, 5 de maio de 2008

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Foto: Alcides


Não tão longe de nossas cidades cinzentas
Existem céus tão claros e azuis
Existem praias, existem vales
Onde o sol brilha docemente em você.

Então, conte seus dias pelas horas douradas
Não se lembre de nuvens de maneira alguma
Conte seu jardim pelas flores
Nunca pelas folhas que caem.

Conte suas noites pelas estrelas, não pelas sombras
Conte sua vida com sorrisos, não com lágrimas.
E com alegria, por toda a sua existência
Conte sua idade pelos amigos, não pelos anos.


A autoria deste poema está atribuída a Charlie Chaplin e é minha homenagem à menina mais "CREEZY", que já conheci: a dona deste blog.

Instantes Mágicos

sábado, 3 de maio de 2008

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Em um instante se pode mudar de vida
Pode-se começar algo novo, começar tudo de novo.

Lembra daquela vez em que ela disse que o problema não era você, mas ela mesma? Que instante foi aquele? Tá lembrado de como sua cabeça girava e você não sabia o que ainda estava fazendo ali, na frente da porta dela? Pois é. Também, em um instante, depois de longos e curtidos nove meses, tava ali com cara de bobo, com seu filho nos braços. Babando...
Em um instante você se despistou olhando para o outdoor de lingerie e bateu o carro. E você saberia dizer quanto tempo durou a troca de olhares entre você e a garçonete do Fridays? Acredito que alguns segundos.
Em um momento seu pai estava aí, conversando contigo sobre a inflação, sobre o Palmeiras, sobre o arroz empapado da sua mãe, reclamando da conta do telefone e dos cachorros rasgando as meias novas. Foi o tempo de você ir ao mercadinho e voltar, o velho estava na UTI...pois é.
Outro dia eu estava conversando na cozinha com a minha mãe sobre o tempo que está passando rápido demais. Minha mãe e minha vó acham que é um sinal do Apocalipse. Daí vou lá me sentir inútil por não ter feito nada de tão útil assim do meu tempo. Eu sempre me culpo por ter passado o domingo sem fazer nada, por exemplo. Odeio ir a baladinhas e tomar quase todas, porque o dia seguinte eu sei que será desperdiçado entre cama e sofá. Essa coisa de tempo me deixa meio neurótica. Concerber que o tempo está passando mais rápido do que sempre foi, então, me deixou com os nervos tambolirantes.
Mas aí, parando para pensar: se eu tiver menos tempo, vou procurar fazer coisas de qualidade. Isso sim vale mais. A gente passa a repensar a vida. Deixa de ser quantitativo para ser qualitativo. Pode parecer loucura, devaneio, o que for, mas mudei (e continuo mudando) meus hábitos. O medo de não ter tempo suficiente para fazer as coisas que gosto e que tem que ser feitas (mas a gente vive postergando) me fez reorganizar minha vida. Para começar, resolvi assumir a vida simples. Sabe qualidade de vida a baixo custo? Botei meu apê super caro à venda - era possível que eu morresse antes de terminar de pagar as prestações. Estou procurando outro por menos de um terço do valor do meu. Quero estudar, viajar, conhecer pessoas, sair, ser feliz. Outra iniciativa nesse sentido: programinhas grátis. Meu, SESC é tudo de bom. SESC é o que há! Programação de qualidade a preços simbólicos.
Bem, dentre outras coisas como comida light, sem sal, suco sem açucar, não aos refris, enfim.
Qualidade de vida. Não para ter mais vida, mas para ter vida melhor. Passear no parque é bom. À noite então...é muito bom!
Sabe os instantes mágicos? Descobri que a gente pode fazer com que eles aconteçam a todo o tempo. Na verdade, eles sempre acontecem - nosso olhar é que está voltado a outras coisas. A garçonete do Fridays, por exemplo, pode vir a ser a avó dos nossos netos (!!).

O céu hoje está lindo. Ontem choveu e fez frio. Então, hoje está perfeito: céu azul, sol e frio. Contemplar esse dia é mágico! Viver do simples é viver feliz!