Classe Média

quinta-feira, 31 de julho de 2008

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(Composição: Max Gonzaga)

Sou classe média
Papagaio de todo telejornal
Eu acredito
Na imparcialidade da revista semanal
Sou classe média
Compro roupa e gasolina no cartão
Odeio “coletivos”
E vou de carro que comprei a prestação
Só pago impostos
Estou sempre no limite do meu cheque especial
Eu viajo pouco, no máximo um pacote cvc tri-anual
Mais eu “to nem ai”
Se o traficante é quem manda na favela
Eu não “to nem aqui”
Se morre gente ou tem enchente em Itaquera
Eu quero é que se exploda a periferia toda
Mas fico indignado com o Estado quando sou incomodado
Pelo pedinte esfomeado que me estende a mão
O pára-brisa ensaboado
É camelo, biju com bala
E as peripécias do artista malabarista do farol
Mas se o assalto é em Moema
O assassinato é no “Jardins”
E a filha do executivo é estuprada até o fim
Ai a mídia manifesta a sua opinião regressa
De implantar pena de morte, ou reduzir a idade penal
E eu que sou bem informado concordo e faço passeata
Enquanto aumenta a audiência e a tiragem do jornal
Porque eu não “to nem ai”
Se o traficante é quem manda na favela
Eu não “to nem aqui”
Se morre gente ou tem enchente em Itaquera
Eu quero é que se exploda a periferia toda
Toda tragédia só me importa quando bate em minha porta
Porque é mais fácil condenar quem já cumpre pena de vida

Este texto é uma música do Max Gonzaga e é a continuação do meu comentário, feito no blog "De Lua". Conforme o prometido para a Flávia, aí está a classe média "cansada" de ver certas coisas.

Paciência

quarta-feira, 30 de julho de 2008

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Paciência, meu bem.
Calma. Paciência.
Mansidão, temperança, lucidez.

Você me pede calma, meu bem.
Eu espero.

Eu espero ficarmos no mesmo tempo. Desaceleramento.
Descanso, paz.

Paz. Paciência
Para ver, para entender. Para assentar.
Para o líquido parar de girar no copo, para a flor brotar, para o filho crescer.

Para a nuvem se formar e a chuva cair,
Para a massa fermentar, para a época da fruta da estação,
Para chegar a estação.

Para aprender a andar, falar, escrever
Paciência.

Para obter a cura,
Para sarar da gripe, da enxaqueca, da maldade.
Para a sanidade.

Para ganhar o abraço, sentir o respiro
Para saber-se gente e saber o outro
Paciência.

Paz, paciência, lucidez, calmaria. Temperança e bem.

Enquanto o tempo não pára

sexta-feira, 25 de julho de 2008

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Um dia o tempo pára
Só para eu te ver passar.
Eu não tenho pressa,
Pois enquanto o tempo passa,
Parado eu fico a sonhar.
De roupa nova
Do outro lado da rua
Enquanto o tempo pára
Você passa olhando o infinito:
Buraco negro que não comporta,
Que não suporta o tempo.
Nem eu...

Autobiografia do que eu não fui

domingo, 20 de julho de 2008

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Seria bom se meu pai fosse bom
E não viviesse a se embebedar.
Bom se eu tivesse mãe,
Não uma madrasta para me surrar.
Seria bom se eu fosse uma criança feliz
E vivesse brincando em vez de trabalhar
Bom se eu pudesse estudar
E não ter de roubar para me sustentar.
E quando eu cresci um pouco mais
Queria encontrar a garota perfeita
Que prometesse sempre me amar.
Queria passar momentos felizes,
Queria encontrar o amor,
Mas minhas noites foram com meretrizes.
Nenhum prazer, apenas dor.
Gostaria de ser direito
Trabalhar, ter um cargo de respeito.
Gostaria de ter me casado.
Ter casa, mulher e filhos,
Não viver abandonado
Vendo a vida me jogar de lado.
Caído nesta sarjeta
Vejo a rua cheia de gente
E meus sonhos vão além...
Gostaria de falar com alguém,
Mas ninguém poderia me entender.
Então só me resta uma saída:
Beber mais um pouco pra esquecer.

Ato Fingido

quarta-feira, 16 de julho de 2008

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O ato fingido
Deixou escondido
O sentimento que você
Não soube expressar.
Virou o seu rosto
Dixou em meu rosto
A impressão de que eu não
Nasci pra você.
Não deu uma chance
Pro nosso romance
Olhou, fingiu que não me viu,
E me fez chorar.
Foi tanto engano,
Pois eu não sabia
Que aquele sonho de amor
Não me pertencia.
E, agora, chorando
Não tenho argumentos
Pra poder te convencer
Que já te esqueci.
Forjou os seus atos
Melhor que um ator
E eu fiquei ali pensando
Que eram atos de amor.

A sentinela do meu sonho dormiu
E, len ta men te, o amor fugiu...

O medo de amar é o medo de ser livre

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Composição: Beto guedes/Fernando Brant
O medo de amar é o medo de ser
Livre para o que der e vier
Livre para sempre estar onde o justo estiver
O medo de amar é o medo de ter
De a todo momento escolher
Com acerto e precisão a melhor direção
O sol levantou mais cedo e quis
Em nossa casa fechada entrar
Pra ficar
O medo de amar é não arriscar
Esperando que façam por nós
O que é nosso dever: recusar o poder
O sol levantou mais cedo e cegou
O medo nos olhos de quem foi ver
Tanta luz

Eu, etiqueta

terça-feira, 15 de julho de 2008

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Em minha calça está grudado um nome
Que não é meu de batismo ou de cartório
Um nome... estranho.
Meu blusão traz lembrete de bebida
Que jamais pus na boca, nessa vida,
Em minha camiseta, a marca de cigarro
Que não fumo, até hoje não fumei.
Minhas meias falam de produtos
Que nunca experimentei
Mas são comunicados a meus pés.
Meu tênis é proclama colorido
De alguma coisa não provada
Por este provador de longa idade.
Meu lenço, meu relógio, meu chaveiro,
Minha gravata e cinto e escova e pente,
Meu copo, minha xícara,
Minha toalha de banho e sabonete,
Meu isso, meu aquilo.
Desde a cabeça ao bico dos sapatos,
São mensagens,
Letras falantes,
Gritos visuais,
Ordens de uso, abuso, reincidências.
Costume, hábito, permência,
Indispensabilidade,
E fazem de mim homem-anúncio itinerante,
Escravo da matéria anunciada.
Estou, estou na moda.
É duro andar na moda, ainda que a moda
Seja negar minha identidade,
Trocá-la por mil, açambarcando
Todas as marcas registradas,
Todos os logotipos do mercado.
Com que inocência demito-me de ser
Eu que antes era e me sabia
Tão diverso de outros, tão mim mesmo,
Ser pensante sentinte e solitário
Com outros seres diversos e conscientes
De sua humana, invencível condição.
Agora sou anúncio
Ora vulgar ora bizarro.
Em língua nacional ou em qualquer língua
(Qualquer principalmente.)
E nisto me comparo, tiro glória
De minha anulação.
Não sou - vê lá - anúncio contratado.
Eu é que mimosamente pago
Para anunciar, para vender
Em bares festas praias pérgulas piscinas,
E bem à vista exibo esta etiqueta
Global no corpo que desiste
De ser veste e sandália de uma essência
Tão viva, independente,
Que moda ou suborno algum a compromete.
Onde terei jogado fora
Meu gosto e capacidade de escolher,
Minhas idiossincrasias tão pessoais,
Tão minhas que no rosto se espelhavam
E cada gesto, cada olhar
Cada vinco da roupa
Sou gravado de forma universal,
Saio da estamparia, não de casa,
Da vitrine me tiram, recolocam,
Objeto pulsante mas objeto
Que se oferece como signo dos outros
Objetos estáticos, tarifados.
Por me ostentar assim, tão orgulhoso
De ser não eu, mas artigo industrial,
Peço que meu nome retifiquem.
Já não me convém o título de homem.
Meu nome novo é Coisa.
Eu sou a Coisa, coisamente.

Carlos Drummond de Andrade

Carta Intimista (ou Momento Surreal)

segunda-feira, 14 de julho de 2008

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Amor demais contido.
Cismas e um monte de por quês.
Tudo mal resolvido.
Silencio inútil.
Desperdício.
Privação.
Excesso de caviar na lata do lixo.
No quarto escuro, um choro, um grito.
Parafernálias trancadas. Coisas inúteis nas estantes, fazendo enfeite.
Uma coisa torta e surreal,
Um grito estancado,
Um paralítico querendo correr,
Um homem hábil que fica parado, vendo a vida acontecer.
Uma falta,
Um “q”,
Um “não sei”.
Tenho dificuldades de enxergar estando perto,
Dificuldades para sentir, tendo tocado;
Dificuldades para saborear, tendo comido.
Não compreendo nada.
As cores estão todas ofuscadas e as formas, disformes.
Luto em dia de festa,
Ou festa no dia do enterro?
Algo assim, além de mim, que não sei o que.
Dá para enteder? É só assim que sei falar.
Meus poemas se foram. Mudez. Mudez.
Eu pintaria alguma coisa.
Pântano. Solidão. Nem uma bússola no chão, nem uma estrela no céu.
Amigos. Ainda não preenchem...quero mais, sempre mais.
Quero tudo.
Quero quem me leia as entrelinhas e me adivinhe os pensamentos.
Quero alguém que me veja nua – não despida.
A nudez, essa coisa crua e sincera. Quero nu. Quero tudo.
Que momento mais intimista!
Estava ressequida.
Esse momento é água.
Obrigada por me oferecer do seu jarro.

Final Feliz

domingo, 13 de julho de 2008

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Sob o quente sol de verão
A sua pele ardia
E as batidas fortes do coração
Há muito tempo não sentia.

Tinha tanta coisa para oferecer:
A cabeça cheia de fantasias,
Mas suas mãos
Estavam vazias.

Um dia ela se aproximou
E disse a ele o que sentia
Cortou as raízes do medo
E contou todo o segredo.

Ele, com voz insegura,
Disse que sentia o mesmo
E que vivendo a esmo
Estava à beira da loucura.

Saíram então abraçados
Com os corações sem cicatrizes
Eram tão apaixonados
Que para sempre foram felizes.

TV Cultura mostra o valor da Química

sexta-feira, 11 de julho de 2008

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Aos meus amigos mestres literatos... cá está uma iniciativa da TV Cultura em parceria com capital privado para o aprendizado de Química no quotidiano.
Será bem lúdico... quem assiste à programação da TV conhece suas vinhetas. Ao estilo "De onde vêm", Quim descobrirá a QUIMICA no seu dia-a-dia.




Uma campanha que mostra a importância da Química no cotidiano das pessoas começa a ser veiculada pela TV Cultura na próxima segunda-feira, 14 de julho.

Com duração prevista para seis meses e foco no público infanto-juvenil, pais e educadores, a campanha intitulada “Todo dia com a Química” é uma parceria entre a TV Cultura e a Abiquim – Associação Brasileira da Indústria Química, com patrocínio cultural das empresas Basf, Carbocloro, Clariant, Quattor, Solvay e Dacarto Benvic.

O valor da campanha, que conta com os incentivos da Lei Rouanet, soma cerca de R$ 1,3 milhão.

Quim, um garoto esperto e brincalhão, é o personagem central da campanha, que será veiculada durante a programação da TV Cultura.

Junto com a sua turma, ele vai descobrir como a Química está presente em tudo, no lazer, nos estudos e no trabalho. No total, serão levados ao ar 24 desenhos animados, de 30 segundos cada. Os roteiros têm como base textos publicados pela Abiquim, de autoria do jornalista Luiz Carlos de Medeiros, gerente de Comunicação da entidade.

Ainda no dia 14 será lançado o site www.tododiacomaquimica.com.br, em que estarão disponíveis as peças da campanha, jogos e informações sobre Química.





Fonte: http://www.ccsp.com.br/ultimas/noticia.php?id=33072

O AVIADOR

segunda-feira, 7 de julho de 2008

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Esse FDS assisti ao "O AVIADOR":




Elenco:
Leonardo DiCaprio (Howard Hughes)
Cate Blanchett (Katharine Hepburn)
Kate Beckinsale (Ava Gardner)
John C. Reilly (Noah Dietrich)
Alec Baldwin (Juan Trippe)
Alan Alda (Senador Ralph Owen Brewster)
Ian Holm (Prof. Fitz)
Danny Huston (Jack Frye)
Gwen Stefani (Jean Harlow)
Jude Law (Errol Flynn)
Adam Scott (Johnny Meyer)
Matt Ross (Glenn Odekirk)
Kelli Garner (Faith Domergue)
Frances Conroy (Sra. Hepburn)
Brent Spiner (Robert Gross)
Stanley DeSantis (Louis B. Mayer)
Edward Herrmann (Joseph Breen)
Willem Dafoe (Roland Sweet)
Kenneth Walsh (Dr. Hepburn)
J.C. MacKenzie (Ludlow)
Nellie Sciutto (Nadine Henley)
Vincent Laresca (Jorge)
Emma Campbell (Helen Frye)
Martin Scorsese (Projecionista de "Hell's Angels" - voz)

O longa ganhou levou diversos prêmios:

- Ganhou 5 Oscars, nas seguintes categorias: Melhor Atriz Coadjuvante (Cate Blanchett), Melhor Edição, Melhor Fotografia, Melhor Direção de Arte e Melhor Figurino. Foi ainda indicado em outras 6 categorias: Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Ator (Leonardo DiCaprio), Melhor Ator Coadjuvante (Alan Alda), Melhor Som e Melhor Roteiro Original.

- Ganhou 3 Globos de Ouro, nas seguintes categorias: Melhor Filme - Drama, Melhor Ator - Drama (Leonardo DiCaprio) e Melhor Trilha Sonora. Recebeu ainda outras 3 indicações, nas seguintes categorias: Melhor Diretor, Melhor Atriz Coadjuvante (Cate Blanchett) e Melhor Trilha Sonora.

- Ganhou 4 prêmios no BAFTA, nas seguintes categorias: Melhor Filme, Melhor Atriz Coadjuvante (Cate Blanchett), Melhor Desenho de Produção e Melhor Maquiagem. Recebeu ainda outras 10 indicaçoes, nas seguintes categorias: Melhor Diretor, Melhor Ator (Leonardo DiCaprio), Melhor Ator Coadjuvante (Alan Alda), Melhor Trilha Sonora, Melhor Fotografia, Melhores Efeitos Especiais, Melhor Figurino, Melhor Edição, Melhor Som e Melhor Roteiro Original.

- Ganhou o MTV Movie Awards de Melhor Ator (Leonardo DiCaprio), além de ter sido indicado na categoria de Melhor Cena de Ação.

http://www.adorocinema.com/filmes/aviador/aviador.asp


A principio a trama me pareceu lenta. O sotaque texano e a voz nazalada me irritaram. Depois penetrei no enredo e esses detalhes foram esquecidos. Para quem conhece, a história é baseada em fatos histórios e relata a audácia e a façanha de um visionário nos anos 20. Inteligente, perfecionista e louco. Para quem não viu, veja. Para quem já viu... COMENTE

Quer saber mais, a sinopse pode ser lida em http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u49590.shtml

=)

Infância

sexta-feira, 4 de julho de 2008

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6:00. Cheiro de café. Mesa, bule, xícara. Cortina de renda. Bolinho de chuva, bolo de fubá, pão com mateiga e açúcar. Galo, galinhas, pintinhos. Sol nascendo, bem-te-vi. Leiteiro, jornaleiro - Correio Braziliense. Pé de romã, pé de jabuticaba, pé de limão.
Combi escolar. "Bença" da vó. Tia Lu. Lancheira. Pega-pega, esconde-esconde, cabra-cega, passa-anel, vaca amarela, amarelinha, caracol, gato mia, casinha. Combi escolar.
Lição de casa, Ursinhos carinhosos, Chaves. Quintal de casa. Mezinha,Fabiana, Junior, Soraya. Rede, corre-corre, casinha, pega-pega, escolinha. Mingau de aveia.
Banho. Histórias do vovô. Rede. Sopa de feijão. "bença" da vó e do vô. Pijama de flanela, ursinho de pelúcia. 20:00.