ONDE ESTÁ TODO MUNDO?

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

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Olho a cidade e não vejo nada, sinto apenas o vento, um calafrio.
As janelas batem e rebatem, há folhas secas pelo chão,
Nas árvores, apenas os galhos e o tronco retorcido.
Está tudo cinza. É gélido, é quente, é seco.
Não há mais cor, mais vida
Busco, busco e não vejo nada
Está tudo abandonado, não há mais ninguém aqui.
Está tudo de pernas para o ar... cadê o chão?
Cadê? Cadê? Cadê?

=)

Escolhas

terça-feira, 14 de outubro de 2008

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Queria tanto aquela bolsa que , quando a obteve, esqueceu-se de todas as outras - sem sequer fazer caso de combiná-la com seu guarda-roupas, sem sequer fazer caso da moda.

Queria tanto aquele rapaz que sequer fazia caso de conhecer os outros. Até mesmo recusava convites e mesuras. Não importava nem as pompas do filho do prefeito.


(Escolher uma coisa significa renunciar a todas as outras. Mas se é o próprio coração quem escolhe, quem poderá por barreiras?)

Carta a uma pessoa insegura

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Você esfriou.
Era quente e ficou morno;
Era valente, agora teme;
Era seguro, agora duvida.
Morno.
Morno eu não quero.
Não vou mais admitir nada morno na minha vida. Nem você.
Eu admito as falhas, os defeitos e as coisas irritantes. Mas que todas sejam quentes.
Quero o sim ou o não. Mas que seja o todo.
Chega de mediocridades.

UM COGNAC

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

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Era julho, noite fria de inverno, precitava uma garoa fina e incessante.

Tomei meu banho quente, vesti meu hobby e desci à ante-sala para relaxar enquanto aguardava pelo jantar.

Preparei meu cognac, acendi meu charuto e à meia luz, sentei-me frente à lareira e me pus a pensar... boas lembranças me vinham à mente.

Lembrei-me do meu tempo de criança, das brincadeiras e travessuras na fazenda da vovó, dos puxões de orelha que levava na escola, do sapato bem lustrado, da roupa bem passada, da gravata alinhada, dos livros encapados...

Pensei no meu primeiro grande amor, um sorriso brotou-me à face, instantaneamente, sem que eu pudesse perceber. Brotou da alma e me veio à memória. Na lembrança a imagem de quão singela era aquela garotinha...

Uma menina tímida, doce, delicada, longos cabelos negros, face rubra e sorriso misterioso...

Os anos foram passando, meus pais me obrigaram a estudar na Europa.

Quando regressei ao Brasil, nada era como antes... Estava formado, era advogado e deveria cuidar dos negócios da família.

Conheci uma rapariga de boa conduta, professora, filha de um dos compadres de meu pai e casei-me. Tive três filhos e sete netos.

O casarão é enorme e está vazio e agora apenas o piano me consola.


=)

O SOM DO CORAÇÃO

domingo, 28 de setembro de 2008

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Vou deixar uma diquinha de filme: O SOM DO CORAÇÃO
Assistam!
Resenha? Crítica? Fica a cargo de cada um... só falo que vale muuuuuuuito a pena ver e refletir.



Bjo
=)

"Cuide bem do seu amor"

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

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Eram jovens, de espinhas na testa.
Sair sábado para a festa
Era sinal de liberdade.
Viviam para o presente.
Eram sonhadores e inocentes
Até provarem a realidade.
Domingo era sagrado:
Volei na rua, sorvete, calçada.
Na segunda a aula começava
Só depois da conversa em dia.
Eram jovens e aprendizes,
Despreocupados e felizes.
Cresceram, apaixonaram-se, casaram.
Deixaram de viver sonhando.
Amadurecerem e ensinam seus filhos
Que só se aprende a amar
Amando.

Este poema estava sem título e enquanto eu escrevia e pensava, tocava na rádio USP fm, a música "Cuide bem do seu amor", dos Paralamas.

Deusa

terça-feira, 23 de setembro de 2008

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Quando Ele pediu que houvesse luz
Estava pensando em você.
E é tanto encanto, fico tonto quando te encontro
Que até chego a estremecer.
Eu que só creio no que vejo
Sou prova de sua beleza
E desejo como criança
Saber de que imagem e semelhança
Essa pérola se fez.
A resposta parece estar perto
Porque posso te perguntar.
Mas toda vez que me aproximo
Paro e me calo
Diante do seu olhar...

Bruxa

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

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A lua dos lobos e dos amantes
Hoje também é sua.
Manto, mantra e perfume
Viajam por tempos distantes
E suas irmãs vêm de longe
Pra cantar com você neste instante.

Enquanto as cruzadas se perdem
Nas encruzilhadas da história
Quatro elementos se fundem,
Outros três ficam de fora
Vendo os seus movimentos
Que parecem não ter juízo.

Seu cabelo dança ao vento,
Que dança no seu vestido,
Que dança pelo seu corpo,
Que dança em volta do fogo,
Que dança pra te ver dançar.

Na imensa clareira vazia
A iniciação perpetua seu tempo
Seja noite, seja dia
Seja bela...
Seja Bruxa!

Ontem fui te visitar

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

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Ontem fui à tua casa,
Vi teu carro na garagem,
Parei diante do portão,
Mas preferi não te chamar.
Dizem que é timidez,
Prefiro não acreditar.
Só o fato de ter ido lá
Já mostra que quero mudar.
Fiquei parado, pensando:
Será que eu poderia entrar?
Ver tua sala, visitar a cozinha
E com um pouco de sorte
Ir ao teu quarto e me deitar?
Olhei para a campainha:
Achei melhor não apertar
Virei as costas e segui a sonhar.
Já que fui à tua casa
Por favor, retribua a visita
Prometo que dessa vez
Espanto de vez a timidez.
Então, esta noite te espero
“Na Rua dos Bobos, número zero”.

Vá, idade

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

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Entrou com passos apressados. Se fosse noite, talvez eu pudesse ouvir o eco de seu salto alto. Mas era manhã, quase primavera.
Ameaçou sentar-se num banco, mudou de idéia, deu mais dois passos e sentou-se logo a frente do meu.
Não notei seu rosto, pois sua blusa preta, saia grafite e sapatos chamavam mais atenção.
Tinha na mão esquerda uma grossa pulseira e no dedo mínimo uma aliança de prata. Na mão direita outra pulseira e um relógio pequeno, talvez para reforçar a teoria paulistana de que o tempo é curto.
De repente começa um ritual:
Espelho... batom... rímel... pó.
Um acerto no decote da blusa.
O cabelo, antes solto, agora estava em forma de rabo-de-cavalo. O que parecia não combinar era o elástico vermelho que formava o tal penteado. Mas quem veria um elástico vermelho, além de mim, sentado num banco imediatamente atrás dela?
Vi seus olhos de relance, num movimento para guardar o espelho na bolsa e pegar os óculos escuros. A mão esquerda deslizava os cabelos atrás da orelha nua.
Olhou no relógio.
Corria para o futuro.
Ficou mais bela sem se importar com o tempo e, enquanto se ajeitava, nem se lembrou que aquele dia era seu aniversário.

PS. O aniversário é invenção do autor.

Pretérito mais-que-perfeito

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

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Rubras luzes de freio
Indo em outra direção.
Turva espuma na sombra
Do vale do teu silêncio.
Paralelas que se deparam
Com um ponto de interrogação:
Turvas luzes,
Rubras sombras,
Silêncio?

Sorriso cortando um gemido.
Opostos que não se atraíram
Pelo insano fato de já terem sido
Opostos.

MANHÃ DE DOMINGO

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

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Acorde! É domingo e lá fora uma linha manhã de primavera.
Sinta o frescor e a pureza da brisa, sinta a energia do sol, o perfume das flores e o canto dos pássaros.
Medite. Respire fundo. Alooooooongue-se. Envolva-se.
Caminhe no parque, corra, pedale, exercite-se.
Sorria! A adrenalina percorre seu corpo, o sangue ferve em suas veias.
Que euforia! Extravase, mude seu ritmo, supere seus limites.
Sue, sue, sue... transpire, inspire, expire.
Relaxe!


=)

Uma visão

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

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Uma visão
Seu rosto em detalhe
Deserto que cobre toda a areia
Belo canto de sereia
Doce ilusão
De ter você
Perto de mim.

Quando te vi
Olhando o horizonte
Quis mergulhar no teu mar de água pura
Te tocar com toda brandura
Doce ilusão
De ter você perto de mim.

Doce ilusão
Seus olhos se fecham
Pra mim.

Uma visão!

ILUSÕES DO AMANHÃ

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

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Por que eu vivo procurando um motivo de viver,
Se a vida às vezes parece de mim esquecer?
Procuro em todas, mas todas não são você.
Eu quero apenas viver, se não for para mim, que seja pra você.

Mas às vezes você parece me ignorar,
Sem nem ao menos me olhar,
Me machucando pra valer.

Atrás dos meus sonhos eu vou correr.
Eu vou me achar, pra mais tarde em você me perder.
Se a vida dá presente pra cada um, o meu, cadê?

Será que esse mundo tem jeito?
Esse mundo cheio de preconceito.

Quando estou só, preso na minha solidão,
Juntando pedaços de mim que caíam ao chão,
Juro que às vezes nem ao menos sei, quem sou.

Talvez eu seja um tolo, que acredita num sonho.
Na procura de te esquecer, eu fiz brotar a flor.
Para carregar junto ao peito,
E crer que esse mundo ainda tem jeito.

E como príncipe sonhador...
Sou um tolo que acredita, ainda, no amor.'


Acabei de receber um e-mail com esse texto.
No corpo do e-mail, além do poema, a seguinte descrição:


PRÍNCIPE POETA (Alexandre Lemos - APAE)
Este poema foi escrito por um aluno da APAE, chamado, pela sociedade, de excepcional. Excepcional é a sua sensibilidade! Ele tem 28 anos, com idade mental de 15 e se uma pessoa assim acredita tanto no amor, por quê as que se dizem normais não acreditam?

Não tinha como não postar aqui... por váaaaarios motivos
1. pq o texto é bom
2. pq o cara é sensivel mesmo e merece ter o material divulgado
3. pq todo mundo deveria acreditar mais nos sentimentos, ser mais humano e menos capitalista... mas enfim... vamo que vamo...

Virgem (Culto ao Amor)

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

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Se acaso tiveres medo
E achares que ainda é cedo
Espererei um tempo infinito
Pra desvendar o teu segredo.
Quando eu transpuser a fronteira
Quero que sejas a primeira
A misturar em riso e grito
Coisas que só nós saberemos.
E quando tudo for depois
Descansaremos ouvindo anjos
A abençoar nós dois.

A palavra certa

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

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Rimar a palavra amor com dor,
Flor ou qualquer cor
Todo poeta sabe fazer.
Aproximar o tempo do vento
É parte do nosso ofício.
Difícil é rimar pessoas com sentimentos
Como este que agora trago
E que nem sei como explicar.
Um olhar,
Uma palavra
Que pra não perder o encanto
Eu não quero pronunciar.
E agora cá estou
Buscando desesperadamente
Uma palavra diferente
Para rimar com o que estou sentindo.
Estou certo desse momento
Não quero que isso anoiteça
E por incrível que pareça
Sem conseguir palavra que rima
O que sinto por você
É forte... é intenso... é puro... é amor!

Medo de amar

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

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Sei que você tentou se esconder
Quando eu precisei de você
Levei tanto tempo pra te encontrar
Como é que eu posso te perder assim?

Não vou deixar que os meus sentimentos
Se percam no silêncio.

Desde o começo eu já sabia
Que isso não poderia durar
Lutar por você eu não queria
Fiquei esperando o tempo passar...

Pouca coisa aconteceu,
Agora você me diz adeus
E eu o que faço
Com o coração aos pedaços?

Preciso encontrar uma forma segura
De perder esse medo de amar
Eu não quero cometer a loucura
De te perder sem te ganhar.

Será que você está sentindo
Sentindo um vazio ao me deixar
Eu vou fingir que estou sorrindo
Ficar esperando o tempo passar.

Pouca coisa aconteceu,
Agora você me diz adeus
E eu o que faço
Com o coração aos pedaços?

Música composta em 1988 para denunciar uma dor, que hoje é só cicatriz. "Dei mais sorte com a Beatriz"

O OURO E A PRATA

terça-feira, 12 de agosto de 2008

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Mais um texto para um anúncio.
O cliente? Z&Z Folheados.

O Ouro e a Prata
Ele, dourado como os raios de sol
Ela, branca como a luz da lua
Ele, forte, imortal e requintado
Ela, pura, misteriosa e reluzente
Ambos, maleáveis como coração de mãe
E valiosos como a sua infância.

Coleção Fragmentos da Vida
Z&Z Folheados

O MELHOR disso tudo?
Receber a aprovação do cliente sustentada por um elogiozinho báaaaasico, neh

"Parabéns, já pode escrever um livro de poesias.
Aprovado.
Odair

PAI

domingo, 10 de agosto de 2008

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[...] "Você faz parte deste caminho
Que hoje eu sigo em paz"
(Fábio Júnior)

MODA E MATERIAIS

terça-feira, 5 de agosto de 2008

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Aqui um anúncio para um cliente.



Cliente: ZeZ Folheados
Peça: Anúncio revista, 210x280mm
Dir. Arte: Ademilson Bispo
Redação: Talitha Benevenuto
Mídia: Talitha Benevenuto
Veiculo: Guia ALJ
Aprovação: Odair Zambom

Mel Agonia - Estações

sábado, 2 de agosto de 2008

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Ainda há folhas no chão.
Faz frio
E aqui no apartamento,
Vazio.
O que era suspiro e sussurro
Agora é soluço e lamento.
Hoje não veio o sol
Nenhum pássaro imitando o rouxinol
A chuva forte lá fora
Me faz sentir confortável
Meu coração, no entanto chora.
Ouço no rádio uma velha canção:
“Eu já sei que qualquer dia tudo vai dançar,
Mas a fonte da saudade nem o tempo vai secar.”
Mas eu nem sei se isso é saudade!
Acho que é só melancolia,
Talvez doença de estação.
Sei que além do oceano é verão.
Vou querer amar de novo
Isso aprendi e não vou esquecer
Eu só preciso estar lá
Com ou sem você...

Classe Média

quinta-feira, 31 de julho de 2008

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(Composição: Max Gonzaga)

Sou classe média
Papagaio de todo telejornal
Eu acredito
Na imparcialidade da revista semanal
Sou classe média
Compro roupa e gasolina no cartão
Odeio “coletivos”
E vou de carro que comprei a prestação
Só pago impostos
Estou sempre no limite do meu cheque especial
Eu viajo pouco, no máximo um pacote cvc tri-anual
Mais eu “to nem ai”
Se o traficante é quem manda na favela
Eu não “to nem aqui”
Se morre gente ou tem enchente em Itaquera
Eu quero é que se exploda a periferia toda
Mas fico indignado com o Estado quando sou incomodado
Pelo pedinte esfomeado que me estende a mão
O pára-brisa ensaboado
É camelo, biju com bala
E as peripécias do artista malabarista do farol
Mas se o assalto é em Moema
O assassinato é no “Jardins”
E a filha do executivo é estuprada até o fim
Ai a mídia manifesta a sua opinião regressa
De implantar pena de morte, ou reduzir a idade penal
E eu que sou bem informado concordo e faço passeata
Enquanto aumenta a audiência e a tiragem do jornal
Porque eu não “to nem ai”
Se o traficante é quem manda na favela
Eu não “to nem aqui”
Se morre gente ou tem enchente em Itaquera
Eu quero é que se exploda a periferia toda
Toda tragédia só me importa quando bate em minha porta
Porque é mais fácil condenar quem já cumpre pena de vida

Este texto é uma música do Max Gonzaga e é a continuação do meu comentário, feito no blog "De Lua". Conforme o prometido para a Flávia, aí está a classe média "cansada" de ver certas coisas.

Paciência

quarta-feira, 30 de julho de 2008

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Paciência, meu bem.
Calma. Paciência.
Mansidão, temperança, lucidez.

Você me pede calma, meu bem.
Eu espero.

Eu espero ficarmos no mesmo tempo. Desaceleramento.
Descanso, paz.

Paz. Paciência
Para ver, para entender. Para assentar.
Para o líquido parar de girar no copo, para a flor brotar, para o filho crescer.

Para a nuvem se formar e a chuva cair,
Para a massa fermentar, para a época da fruta da estação,
Para chegar a estação.

Para aprender a andar, falar, escrever
Paciência.

Para obter a cura,
Para sarar da gripe, da enxaqueca, da maldade.
Para a sanidade.

Para ganhar o abraço, sentir o respiro
Para saber-se gente e saber o outro
Paciência.

Paz, paciência, lucidez, calmaria. Temperança e bem.

Enquanto o tempo não pára

sexta-feira, 25 de julho de 2008

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Um dia o tempo pára
Só para eu te ver passar.
Eu não tenho pressa,
Pois enquanto o tempo passa,
Parado eu fico a sonhar.
De roupa nova
Do outro lado da rua
Enquanto o tempo pára
Você passa olhando o infinito:
Buraco negro que não comporta,
Que não suporta o tempo.
Nem eu...

Autobiografia do que eu não fui

domingo, 20 de julho de 2008

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Seria bom se meu pai fosse bom
E não viviesse a se embebedar.
Bom se eu tivesse mãe,
Não uma madrasta para me surrar.
Seria bom se eu fosse uma criança feliz
E vivesse brincando em vez de trabalhar
Bom se eu pudesse estudar
E não ter de roubar para me sustentar.
E quando eu cresci um pouco mais
Queria encontrar a garota perfeita
Que prometesse sempre me amar.
Queria passar momentos felizes,
Queria encontrar o amor,
Mas minhas noites foram com meretrizes.
Nenhum prazer, apenas dor.
Gostaria de ser direito
Trabalhar, ter um cargo de respeito.
Gostaria de ter me casado.
Ter casa, mulher e filhos,
Não viver abandonado
Vendo a vida me jogar de lado.
Caído nesta sarjeta
Vejo a rua cheia de gente
E meus sonhos vão além...
Gostaria de falar com alguém,
Mas ninguém poderia me entender.
Então só me resta uma saída:
Beber mais um pouco pra esquecer.

Ato Fingido

quarta-feira, 16 de julho de 2008

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O ato fingido
Deixou escondido
O sentimento que você
Não soube expressar.
Virou o seu rosto
Dixou em meu rosto
A impressão de que eu não
Nasci pra você.
Não deu uma chance
Pro nosso romance
Olhou, fingiu que não me viu,
E me fez chorar.
Foi tanto engano,
Pois eu não sabia
Que aquele sonho de amor
Não me pertencia.
E, agora, chorando
Não tenho argumentos
Pra poder te convencer
Que já te esqueci.
Forjou os seus atos
Melhor que um ator
E eu fiquei ali pensando
Que eram atos de amor.

A sentinela do meu sonho dormiu
E, len ta men te, o amor fugiu...

O medo de amar é o medo de ser livre

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Composição: Beto guedes/Fernando Brant
O medo de amar é o medo de ser
Livre para o que der e vier
Livre para sempre estar onde o justo estiver
O medo de amar é o medo de ter
De a todo momento escolher
Com acerto e precisão a melhor direção
O sol levantou mais cedo e quis
Em nossa casa fechada entrar
Pra ficar
O medo de amar é não arriscar
Esperando que façam por nós
O que é nosso dever: recusar o poder
O sol levantou mais cedo e cegou
O medo nos olhos de quem foi ver
Tanta luz

Eu, etiqueta

terça-feira, 15 de julho de 2008

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Em minha calça está grudado um nome
Que não é meu de batismo ou de cartório
Um nome... estranho.
Meu blusão traz lembrete de bebida
Que jamais pus na boca, nessa vida,
Em minha camiseta, a marca de cigarro
Que não fumo, até hoje não fumei.
Minhas meias falam de produtos
Que nunca experimentei
Mas são comunicados a meus pés.
Meu tênis é proclama colorido
De alguma coisa não provada
Por este provador de longa idade.
Meu lenço, meu relógio, meu chaveiro,
Minha gravata e cinto e escova e pente,
Meu copo, minha xícara,
Minha toalha de banho e sabonete,
Meu isso, meu aquilo.
Desde a cabeça ao bico dos sapatos,
São mensagens,
Letras falantes,
Gritos visuais,
Ordens de uso, abuso, reincidências.
Costume, hábito, permência,
Indispensabilidade,
E fazem de mim homem-anúncio itinerante,
Escravo da matéria anunciada.
Estou, estou na moda.
É duro andar na moda, ainda que a moda
Seja negar minha identidade,
Trocá-la por mil, açambarcando
Todas as marcas registradas,
Todos os logotipos do mercado.
Com que inocência demito-me de ser
Eu que antes era e me sabia
Tão diverso de outros, tão mim mesmo,
Ser pensante sentinte e solitário
Com outros seres diversos e conscientes
De sua humana, invencível condição.
Agora sou anúncio
Ora vulgar ora bizarro.
Em língua nacional ou em qualquer língua
(Qualquer principalmente.)
E nisto me comparo, tiro glória
De minha anulação.
Não sou - vê lá - anúncio contratado.
Eu é que mimosamente pago
Para anunciar, para vender
Em bares festas praias pérgulas piscinas,
E bem à vista exibo esta etiqueta
Global no corpo que desiste
De ser veste e sandália de uma essência
Tão viva, independente,
Que moda ou suborno algum a compromete.
Onde terei jogado fora
Meu gosto e capacidade de escolher,
Minhas idiossincrasias tão pessoais,
Tão minhas que no rosto se espelhavam
E cada gesto, cada olhar
Cada vinco da roupa
Sou gravado de forma universal,
Saio da estamparia, não de casa,
Da vitrine me tiram, recolocam,
Objeto pulsante mas objeto
Que se oferece como signo dos outros
Objetos estáticos, tarifados.
Por me ostentar assim, tão orgulhoso
De ser não eu, mas artigo industrial,
Peço que meu nome retifiquem.
Já não me convém o título de homem.
Meu nome novo é Coisa.
Eu sou a Coisa, coisamente.

Carlos Drummond de Andrade

Carta Intimista (ou Momento Surreal)

segunda-feira, 14 de julho de 2008

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Amor demais contido.
Cismas e um monte de por quês.
Tudo mal resolvido.
Silencio inútil.
Desperdício.
Privação.
Excesso de caviar na lata do lixo.
No quarto escuro, um choro, um grito.
Parafernálias trancadas. Coisas inúteis nas estantes, fazendo enfeite.
Uma coisa torta e surreal,
Um grito estancado,
Um paralítico querendo correr,
Um homem hábil que fica parado, vendo a vida acontecer.
Uma falta,
Um “q”,
Um “não sei”.
Tenho dificuldades de enxergar estando perto,
Dificuldades para sentir, tendo tocado;
Dificuldades para saborear, tendo comido.
Não compreendo nada.
As cores estão todas ofuscadas e as formas, disformes.
Luto em dia de festa,
Ou festa no dia do enterro?
Algo assim, além de mim, que não sei o que.
Dá para enteder? É só assim que sei falar.
Meus poemas se foram. Mudez. Mudez.
Eu pintaria alguma coisa.
Pântano. Solidão. Nem uma bússola no chão, nem uma estrela no céu.
Amigos. Ainda não preenchem...quero mais, sempre mais.
Quero tudo.
Quero quem me leia as entrelinhas e me adivinhe os pensamentos.
Quero alguém que me veja nua – não despida.
A nudez, essa coisa crua e sincera. Quero nu. Quero tudo.
Que momento mais intimista!
Estava ressequida.
Esse momento é água.
Obrigada por me oferecer do seu jarro.

Final Feliz

domingo, 13 de julho de 2008

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Sob o quente sol de verão
A sua pele ardia
E as batidas fortes do coração
Há muito tempo não sentia.

Tinha tanta coisa para oferecer:
A cabeça cheia de fantasias,
Mas suas mãos
Estavam vazias.

Um dia ela se aproximou
E disse a ele o que sentia
Cortou as raízes do medo
E contou todo o segredo.

Ele, com voz insegura,
Disse que sentia o mesmo
E que vivendo a esmo
Estava à beira da loucura.

Saíram então abraçados
Com os corações sem cicatrizes
Eram tão apaixonados
Que para sempre foram felizes.

TV Cultura mostra o valor da Química

sexta-feira, 11 de julho de 2008

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Aos meus amigos mestres literatos... cá está uma iniciativa da TV Cultura em parceria com capital privado para o aprendizado de Química no quotidiano.
Será bem lúdico... quem assiste à programação da TV conhece suas vinhetas. Ao estilo "De onde vêm", Quim descobrirá a QUIMICA no seu dia-a-dia.




Uma campanha que mostra a importância da Química no cotidiano das pessoas começa a ser veiculada pela TV Cultura na próxima segunda-feira, 14 de julho.

Com duração prevista para seis meses e foco no público infanto-juvenil, pais e educadores, a campanha intitulada “Todo dia com a Química” é uma parceria entre a TV Cultura e a Abiquim – Associação Brasileira da Indústria Química, com patrocínio cultural das empresas Basf, Carbocloro, Clariant, Quattor, Solvay e Dacarto Benvic.

O valor da campanha, que conta com os incentivos da Lei Rouanet, soma cerca de R$ 1,3 milhão.

Quim, um garoto esperto e brincalhão, é o personagem central da campanha, que será veiculada durante a programação da TV Cultura.

Junto com a sua turma, ele vai descobrir como a Química está presente em tudo, no lazer, nos estudos e no trabalho. No total, serão levados ao ar 24 desenhos animados, de 30 segundos cada. Os roteiros têm como base textos publicados pela Abiquim, de autoria do jornalista Luiz Carlos de Medeiros, gerente de Comunicação da entidade.

Ainda no dia 14 será lançado o site www.tododiacomaquimica.com.br, em que estarão disponíveis as peças da campanha, jogos e informações sobre Química.





Fonte: http://www.ccsp.com.br/ultimas/noticia.php?id=33072

O AVIADOR

segunda-feira, 7 de julho de 2008

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Esse FDS assisti ao "O AVIADOR":




Elenco:
Leonardo DiCaprio (Howard Hughes)
Cate Blanchett (Katharine Hepburn)
Kate Beckinsale (Ava Gardner)
John C. Reilly (Noah Dietrich)
Alec Baldwin (Juan Trippe)
Alan Alda (Senador Ralph Owen Brewster)
Ian Holm (Prof. Fitz)
Danny Huston (Jack Frye)
Gwen Stefani (Jean Harlow)
Jude Law (Errol Flynn)
Adam Scott (Johnny Meyer)
Matt Ross (Glenn Odekirk)
Kelli Garner (Faith Domergue)
Frances Conroy (Sra. Hepburn)
Brent Spiner (Robert Gross)
Stanley DeSantis (Louis B. Mayer)
Edward Herrmann (Joseph Breen)
Willem Dafoe (Roland Sweet)
Kenneth Walsh (Dr. Hepburn)
J.C. MacKenzie (Ludlow)
Nellie Sciutto (Nadine Henley)
Vincent Laresca (Jorge)
Emma Campbell (Helen Frye)
Martin Scorsese (Projecionista de "Hell's Angels" - voz)

O longa ganhou levou diversos prêmios:

- Ganhou 5 Oscars, nas seguintes categorias: Melhor Atriz Coadjuvante (Cate Blanchett), Melhor Edição, Melhor Fotografia, Melhor Direção de Arte e Melhor Figurino. Foi ainda indicado em outras 6 categorias: Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Ator (Leonardo DiCaprio), Melhor Ator Coadjuvante (Alan Alda), Melhor Som e Melhor Roteiro Original.

- Ganhou 3 Globos de Ouro, nas seguintes categorias: Melhor Filme - Drama, Melhor Ator - Drama (Leonardo DiCaprio) e Melhor Trilha Sonora. Recebeu ainda outras 3 indicações, nas seguintes categorias: Melhor Diretor, Melhor Atriz Coadjuvante (Cate Blanchett) e Melhor Trilha Sonora.

- Ganhou 4 prêmios no BAFTA, nas seguintes categorias: Melhor Filme, Melhor Atriz Coadjuvante (Cate Blanchett), Melhor Desenho de Produção e Melhor Maquiagem. Recebeu ainda outras 10 indicaçoes, nas seguintes categorias: Melhor Diretor, Melhor Ator (Leonardo DiCaprio), Melhor Ator Coadjuvante (Alan Alda), Melhor Trilha Sonora, Melhor Fotografia, Melhores Efeitos Especiais, Melhor Figurino, Melhor Edição, Melhor Som e Melhor Roteiro Original.

- Ganhou o MTV Movie Awards de Melhor Ator (Leonardo DiCaprio), além de ter sido indicado na categoria de Melhor Cena de Ação.

http://www.adorocinema.com/filmes/aviador/aviador.asp


A principio a trama me pareceu lenta. O sotaque texano e a voz nazalada me irritaram. Depois penetrei no enredo e esses detalhes foram esquecidos. Para quem conhece, a história é baseada em fatos histórios e relata a audácia e a façanha de um visionário nos anos 20. Inteligente, perfecionista e louco. Para quem não viu, veja. Para quem já viu... COMENTE

Quer saber mais, a sinopse pode ser lida em http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u49590.shtml

=)

Infância

sexta-feira, 4 de julho de 2008

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6:00. Cheiro de café. Mesa, bule, xícara. Cortina de renda. Bolinho de chuva, bolo de fubá, pão com mateiga e açúcar. Galo, galinhas, pintinhos. Sol nascendo, bem-te-vi. Leiteiro, jornaleiro - Correio Braziliense. Pé de romã, pé de jabuticaba, pé de limão.
Combi escolar. "Bença" da vó. Tia Lu. Lancheira. Pega-pega, esconde-esconde, cabra-cega, passa-anel, vaca amarela, amarelinha, caracol, gato mia, casinha. Combi escolar.
Lição de casa, Ursinhos carinhosos, Chaves. Quintal de casa. Mezinha,Fabiana, Junior, Soraya. Rede, corre-corre, casinha, pega-pega, escolinha. Mingau de aveia.
Banho. Histórias do vovô. Rede. Sopa de feijão. "bença" da vó e do vô. Pijama de flanela, ursinho de pelúcia. 20:00.

Coisas que você já sabe (Dez vezes triste)

terça-feira, 24 de junho de 2008

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Vai ser triste acordar de manhã
E não ver você do meu lado
Andar pela casa pelado
Sem você pra debochar da minha nudez.
Vai ser triste não ter você
Pra dividir o sabonete e o creme dental
Brigar pelo café que você não fez
Ou comentar assuntos do jornal.
Vai ser triste sair de casa
E ter que levar as duas chaves
A caminho do trabalho pensar em você
E só lembrar das palavras fatais:
- Não te quero mais!
Vai ser triste ao meio dia
Lembrar dos seus telefonemas:
- Te amo, um beijão!
Triste querer gritar
E ter de engolir em seco
O arroz e o feijão.
Vai ser triste chegar em casa
E não ter você para abraçar.
Triste depois do jantar
Só ter um prato para lavar.
Vai ser triste acordar de madrugada
Com a tv ainda ligada
Triste ir para a cama
Sem ter você para beijar.
Sei que não vou morrer por isso,
Mas vai ser triste passar mais um dia sem você.

Crise de loucura

sexta-feira, 20 de junho de 2008

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Já passa da meia-noite e só o tique-taque do relógio quebra o silêncio do meu quarto.
Em meio a risos e vozes posso me lembrar daquela festa, a noite passada.
Às vezes é fácil olhar no espelho e fingir que está tudo bem, mas o difícil é saber que ninguém virá para me dar abrigo. Olho para o teto e as coisas parecem girar. Não dá para resistir, preciso gritar:
-Será que ninguém pode me ajudar?
Um carro passa na rua e parece que vem em minha direção. Abro a janela e vejo uma tempestade se aproximando. Ouço o barulho do vento.
Vejo monstros e ninguém está aqui para me dar abrigo. Preciso lutar sozinho.
Que venham todos então! "Eu não posso vencer, mas posso ser forte!"
O quarto parece um campo de batalha. Fujo de um canto a outro buscando uma posição de ataque.
Ponho fogo nas cortinas para impedir que o inimigo se aproxime.
Ouço vozes lá fora, pessoas tentando arrombar a porta.
O teto parece estar desabando. Eu não quero morrer entre os escombros.
Chega o Corpo de Bombeiros e me afastam do local do incêndio.
Começo a gritar - Não! Eu não quero abandonar a batalha...
Já não posso fazer mais nada.
Estou preso numa camisa de força, vivendo mais uma crise de loucura.

Quem não tem namorado (a)

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Quem não tem namorado(a) é alguém que tirou férias remuneradas de si mesmo.
Namorado(a) é a mais difícil das conquistas. Difícil porque namoro de verdade é muito raro. Necessita de adivinhação, de pele, de saliva, lágrima, nuvem, quindim, brisa ou filosofia. Paquera, gabiru, flerte, caso, transa, envolvimento, até paixão é fácil. Mas, namorado(a), mesmo, é muito difícil.
Namorado(a) não precisa ser o mais bonito(a), mas aquele(a) a quem se quer proteger e quando se chega ao lado dele(a) a gente treme, sua frio e quase desmaia pedindo proteção. A proteção dele(a) não precisa ser parruda, decidida ou bandoleira: basta um olhar de compreensão ou mesmo de aflição. Quem não tem namorado(a), não é que não tem um amor: é quem não sabe o gosto de namorar. Se você tem pretendentes, dois paqueras, um envolvimento e dois amantes, mesmo assim pode não ter um(a) namorado(a).
Não tem namorado(a) quem não sabe o gosto da chuva, cinema, sessão das duas, medo do pai, sanduíche de padaria ou drible no trabalho. Não tem namorado(a) quem transa sem carinho, quem se acaricia sem vontade de virar sorvete ou lagartixa é quem ama sem alegria. Não tem namorado(a) quem faz pacto de amor apenas com a infelicidade. Namorar é fazer pactos com a felicidade ainda que rápida, escondida, fugida ou impossível de durar.
Não tem namorado(a) quem não sabe o valor de mãos dadas: de carinho escondido na hora em que passa o filme: de flor catada no muro e entregue de repente, de poesia de Fernando Pessoa, Vinícius de Moraes ou Chico Buarque lida bem devagar, de gargalhada quando fala junto ou descobre a meia rasgada; de ânsia enorme de viajar junto para a Escócia ou mesmo de metrô, bonde, nuvem, cavalo alado, tapete mágico ou foguete interplanetário.
Não tem namorado(a) quem não gosta de dormir agarrado, fazer cesta abraçado, fazer compra junto. Não tem namorado quem não gosta de falar do próprio amor, nem de ficar horas e horas olhando o mistério do outro dentro dos olhos dele, abobalhados de alegria pela lucidez do amor. Não tem namorado(a) quem não redescobre a criança própria e a do amado e sai com ela para parques,fliperamas, beira d'agua, show do Milton Nascimento, bosques enluarados, ruas de sonhos e musical da Metro.
Não tem namorado(a) quem não tem música secreta com ele(a), quem não dedica livros, quem não recorta artigos, quem não chateia com o fato de o seu bem ser paquerado(a). Não tem namorado(a) quem ama sem gostar; quem gosta sem curtir; quem curte sem aprofundar.
Não tem namorado(a) quem nunca sentiu o gosto de ser lembrado de repente no fim de semana, na madrugada ou meio-dia de sol em plena praia cheia de rivais. Não tem namorado(a) quem ama sem se dedicar; quem namora sem brincar; quem vive cheio de obrigações; quem faz sexo sem esperar o outro ir junto com ele. Não tem namorado(a) quem confunde solidão com ficar sozinho e em paz. Não tem namorado(a) quem não fala sozinho, não ri de si mesmo e quem tem medo de ser afetivo.
Se você não tem namorado(a) porque não descobriu que o amor é alegre e você vive pesando duzentos quilos de grilos e de medo, ponha a saia mais leve, aquela de chita, e passeie de mãos dadas com o ar. Enfeite-se com margaridas e ternuras, e escove a alma com leves fricções de esperança. De alma escovada, e coração estouvado, saia do quintal de si mesmo e descubra o próprio jardim. Acorde com gosto de caqui e sorria lírios para quem passe debaixo da janela. Ponha intenções de quermesse em seus olhos e beba licor de contos de fada. Ande como se o chão estivesse repleto de sons de flauta e do céu descesse uma névoa de borboletas, cada qual trazendo uma pérola falante a dizer frases sutis e palavras de galanteira: Se você não tem namorado(a) é porque ainda não enlouqueceu aquele pouquinho necessário a fazer a vida parar e de repente parecer que faz sentido. Enlou-cresça.



Eh isso ae textinho genérico na área.
UahsuHAushAUshuHAsuHAUsha
Navegando no ORKUT, axei isso num profile...
E advinha??? +
OOOOOOOOOOOOOOOOOOBVIO
=)

Auto-estima do Superego "(Moimeichego)"

quinta-feira, 12 de junho de 2008

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Foto: Alcides

Quando Carlos nasceu,
Um anjo torto disse-lhe para ser gauche.
Quando Chico nasceu,
Um anjo safado disse que ele seria todo ruim.
Quando eu nasci não tinha anjo nenhum.
Um velho sério, barbudo, corcunda e rouco
Disse para eu brilhar como um diamante louco.
Que eu não seria estrela com nome de mulher:
Não seria Dalva, nem uma das três Marias.
Também não seria (de) cadente.
Então cá estou
Não sou nenhuma estrela noturna,
EU SOU O SOL!
Brilhando num vazio sem constelação
Tendo a lua a me seguir, num amor quase platônico.
Mas um dia nos encontraremos,
Conheceremos o bem e o mal
E ela virá sobre mim
Num eclipse total.
Enquanto isso não acontece
Fico a pensar no velho que me deu tudo o que sou:
E depois de fazer a mim, a lua e a mulher,
No terceiro dia Ele descansou...

ENQUANTO ISSO NO NAVIO...

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De repente um cutucão na minha coxa acompanhado de uma interjeição de espanto:

- Meu Deus, você viu aquilo?

Estava de biquíni deitada sob o sol, estendida em uma bela e confortável cadeira no melhor ponto do convés e ao horizonte apenas o encontro do céu anil com o límpido e cristalino mar caribenho. Eu folheava pacientemente a última edição da Vogue, analisava as novas tendências, os novos produtos... E tão bela escultura humana não poderia passar-me despercebida...

Em meus ouvidos ecoava “viu aquilo... aquilo... aquilo...” e toda minha atenção se voltara para o marinheiro que caminhava pelo convés com ar de quem supervisionava cada detalhe, cada centímetro. Era praticamente impossível não admirar aquele corpo escultural dentro da farda branca impecável, perfeitamente alinhada, sua postura o destacava.

Alto, moreno, bronzeado do sol, porte atlético, traços latinos, dono um ar inegável de conquistador barato. Costas largas, coxa grossa, bumbum arredondo e pernas bem torneadas; tudo era sutilmente insinuado através da farda. Subi os óculos de sol à aba do chapéu, fique atônita por alguns instantes, apenas o admirava.

Sentindo que alguém o observara, sutilmente se virou para trás e sorriu.

Continuei o meu banho de sol, mas aquela visão não me saia da mente. À tarde o navio oferecia infinitas atividades. No dia seguinte mais atividades já programadas e não nos encontramos mais.

Era a última noite no navio e aconteceria, então, uma festa para confraternização dos turistas: um baile de gala. Boa comida, boa bebida, boa música e muita diversão.
Para a ocasião, já havia separado um belo vestido longo evasê frente única bordô. Próximo das 20h comecei a me arrumar. Vesti meu longo, calcei os sapatos, prendi meus cabelos em um coque simples, mas ricamente ornamento com svarovisky. Os brincos em ouro branco e a maquiagem dariam o toque final: a sombra para realçar o olhar firme e marcante e nos lábios, como não poderiam deixar de ser, batom vermelho, aclamando o desejo, a paixão e a sensualidade.

Adentrei ao salão principal, logo na porta belos marinheiros me recepcionaram. A boa música ecoava por todo salão, as pessoas bailavam ao som do piano, as mesas estavam completas e a pista exalava alegria... Alcei um flûte e juntei-me aos meus.

Em meus pensamentos, a imagem daquele marinheiro. Queria vê-lo novamente.

Caminhando pelo salão, cumprimentei alguns conhecidos, quando fui tomada pela mão. E a voz máscula, firme sussurrou:

- Dança comigo?

Era ele, em farda de gala. Magnífico, simplesmente magnífico.

A música terminou, sorriu e me deixou. Apenas instigou meus anseios...

A festa adentrava pela madrugada. Queria vê-lo mais uma vez antes de atracar.

Determinada, comecei a procurá-lo pelo salão, no convés, em todo canto... até que, sem querer, encontrei os aposentos da tripulação. Olhava discretamente através dos vidros e até que em umas das cabines: já estava descalço, sem cap, sem luvas. Despiu o blazer, desabotoou toda a camisa... Aquele corpo escultural aguçava ainda mais meus desejos, queria aquele homem...

Invadi a cabine:

- Oh, desculpe-me senhor. Creio que entrei na cabine errada.

Com sagacidade, sorri.

- Não tem que se preocupar senhorita. Equívocos acontecem... o navio é grande, são tantas cabines. Creio que esteja perdida e irá precisar de ajuda para localizar seus aposentos, não?

- Agora que me sentei, vejo que estou um pouco tonta, acredito ter tomado alguns chapagnes a mais... Oh! Que vergonha!

Sentia minha meu rosto esquentar, com certeza estava rubra.

- Não se preocupe senhorita, sinta-se a vontade.

- Posso me descalçar por um instante? Saltos cansam meus pés.

Rapidamente ele se abaixou, retirou meus sapatos e massageou meus pés.

- Que pés delicados, ele admirava.

Enquanto acariciava-os suavemente, me seduzia pelo olhar, sorria com ar maroto. Eu não fui capaz de sair dessa situação, compreendia todos os sinais...

Aos poucos, suas mãos foram subindo, massageando minhas pernas. Foi projetando seu corpo sobre o meu, foi se aproximando, olhava fixamente em meus olhos. Entrelaçou seus braços pelo meu pescoço e me beijou ardentemente, exprimiu ali seus desejos.

Suas mãos queriam dizer algo, corriam explorando toda a extensão das minhas costas, deslizando dos ombros ao quadril.

Eu estava rendida ao calor dos beijos, ao toque, ao cheiro. Suavemente desatarraxou o fecho da gola e vestido que deslizou sobre meu corpo como areia que escorre entre os dedos. Olhei-o fixamente, as palavras não se faziam mais necessárias e o corpo falava por si só. Puxei-o em direção a mim, tencionei minhas mãos em suas costas e desci cravando meus dedos em sua pele; desabotoei a calça... enquanto sentia sua respiração cada vez mais ofegante ao pé dos meus ouvidos.

Momentos depois estávamos jogados sob os lençóis e o sol da manhã nos tocava docemente.


=)

Além da Lucidez

terça-feira, 10 de junho de 2008

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À medida que envelheço
Enlouqueço.
Tudo está pelo avesso:
Possuo as estrelas do mar
E fico no céu a ver navios.
Se a vida está por um fio
Luto para não me matar.
Escrevo certo em linhas tortas
E nas linhas que se cruzam
Sou torturado.
Já bati em tantas portas
Com o coração degredado.
Em muitas encontrei abrigo,
Mas o que eu queria era um amigo.
Tentei comprar com ouro,
Mas a amizade não tem preço:
Ela já é um tesouro!
E à medida que procuro
Simplesmente envelheço...
Simplesmente enlouqueço...

Estela

sábado, 7 de junho de 2008

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Não que quisesse, mas estava só.
Sentada à janela de seu conjugado, a lua cintilava um cinza angustiante sobre seu peito e prateava seu wisky, sutilmente. Seu olhar vago era suplicante. Ora bebericava de seu copo, ora tragava de seu bali. E aquele piano vizinho entoava notas de solidão e esquecimento. Toda ela era cinza. Aquela solidão era cinza. As paredes do seu cômodo eram cinza. O parapeito onde se apoiava, mais parecia uma lápide de madeira lascada. Uma lápide olvidada.
Seu momento era; Não estava, nem parecia. Aquele silêncio seria eterno, não fossem as notas que lhe soavam, dando-lhe certa dimensão do tempo. Seca. Não fosse pelo seu wisky, completamente seca. Tristeza desacompanhada de lágrimas; pensamentos envoltos pelo nevoeiro da noite sem estrelas, que se fazia uno com a fumaça do seu bali. O que será daquela lua mórbida e pálida? Parada e quem sabe, também, iludida como ela, Estela - sem se não, sem por quê, sem nada. Toda ela era uma seca chaga.

Porto Alegre

sexta-feira, 6 de junho de 2008

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Ir pra lá buscar meu norte
Num golpe de sorte chegar ao extremo
A nado ou de remo
Depois descansar tranqüilo
Num porto seguro.
Ir para não sei onde
Num golpe de sorte
Derrubar o forte em que te escondes
Chegar perto do farol
E perder o medo do escuro.
Trazendo um pouco de alegria
Perto do porto o navio passa e apita
Querendo deixar tudo para trás
E ancorar no cais.
Cansado de tanto mar
Chego para conjugar
Em primeira pessoa
O verbo amar.

A LISTA

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Faça uma lista de grandes amigos
Quem você mais via há dez anos atrás
Quantos você ainda vê todo dia
Quantos você já não encontra mais...
Faça uma lista dos sonhos que tinha
Quantos você desistiu de sonhar!
Quantos amores jurados pra sempre
Quantos você conseguiu preservar...
Onde você ainda se reconhece
Na foto passada ou no espelho de agora?
Hoje é do jeito que achou que seria
Quantos amigos você jogou fora?
Quantos mistérios que você sondava
Quantos você conseguiu entender?
Quantos segredos que você guardava
Hoje são bobos ninguém quer saber?
Quantas mentiras você condenava?
Quantas você teve que cometer?
Quantos defeitos sanados com o tempo
Eram o melhor que havia em você?
Quantas canções que você não cantava
Hoje assobia pra sobreviver?
Quantas pessoas que você amava
Hoje acredita que amam você?


Canção de Oswaldo Montenegro, postada com carinho especial para meu mais novo amigo, mesmo que virtual, Alcides.
Querido, eu conhecia essa música sim, mas não me atentei ao nome (aqui em off, sou péssima para nomes de músicas, autores, obras, etc, etc, etc.. rs)
Ela já foi conteúdo para as apresentações que circulam pela web.
Mas pensemos... é um retrato do nosso crescimento, de como deixamos nossa vida pessoal de lado para assumirmos uma postura profissional, para formarmos nossa família, sustentarmos a casa e assim vai...
É uma reflexão, eu diria que mais serena sobre a crise dos "vinte e poucos anos" é um complemento. Valeu pela dica...
=)

VINTE E POUCOS ANOS

terça-feira, 3 de junho de 2008

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É entrar na "crise de um quarto de vida".

É quando você pára de sair com a galera e começa a perceber muitas coisas sobre você, que você mesmo não conhece e pode não gostar disso. Você começa a se sentir inseguro e pensar sobre onde você vai estar daqui a um ano ou dois, mas de repente se sente inseguro porque você mal sabe onde está agora. Começa a perceber que talvez, aqueles amigos que você pensou que eram tão próximos, não são exatamente as melhores pessoas do mundo, e pessoas que você perdeu o contato eram algumas das mais importantes.

Você olha para seu emprego... e não é nem perto do que você imaginava que seria.
Suas opiniões se tornaram mais fortes.

Você vê o que os outros estão fazendo e se encontra julgando mais do que o nunca, porque você percebe que desenvolveu certos limites na sua vida e está constantemente adicionando coisas na sua lista do que é aceitável e o que não é.

Em um minuto, você está inseguro e, no próximo, seguro.

Você ri e chora com a mais facilidade. Você se sente sozinho, assustado e confuso. De repente, a mudança é sua maior inimiga e você tenta se agarrar ao passado, mas logo percebe que o passado está cada vez mais longe, e não há nada a se fazer a não ser ficar onde está, ou caminhar para a frente.

Você tem seu coração quebrado e pensa como alguém que você amava tanto pôde causar tanto estrago em você. Ou você fica deitado na cama e pensa por que você não encontra alguém decente o suficiente para passar o resto da vida. Ou às vezes você ama alguém que ama um outro alguém. Ou simplesmente aquela relação que tinha a aprovação de todos não dá certo, simplesmente pq a opinião dos outros não impota,ja que vc não aprova a relação.

Ficar com alguém por uma noite ou galinhar começam a parecer ridículos. Agir como um idiota se torna patético.
Você sente as mesmas coisas e enfrenta as mesmas questões de novo e de novo, e conversa com seus colegas sobre as mesmas coisas porque você não consegue tomar decisões.

Você se preocupa sobre empréstimos, dinheiro, o futuro e construir sua própria vida... e enquanto ganhar a corrida seria maravilhoso, neste momento você gostaria apenas de participar... O que você pode não perceber é que todos que lêem isto encontram algo em comum. Estamos em uma das melhores e piores épocas da vida, tentando o máximo que podemos para acabar com isso. Muita gente vai ler e perceber q não está sozinho no meio dessa confusão!

Esse texto eu li pela primeira vez em 2004, recebi de alguem via e-mail. Gosto muito dele pq reflete exatamente todos os dilemas e conflitos de um jovem adulto. Assumir a postura adulta, o que a sociedade enfim espera de você, etc, etc, etc...
Leia e tire suas conclusões...
O autor??? Sei lá...
=)

QUANDO O CARNAVAL CHEGAR

segunda-feira, 2 de junho de 2008

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(Composição: Chico Buarque)

Quem me vê sempre parado, distante garante que eu não sei sambar
Tô me guardando pra quando o carnaval chegar
Eu tô só vendo, sabendo, sentindo, escutando e não posso falar
Tô me guardando pra quando o carnaval chegar
Eu vejo as pernas de louça da moça que passa e não posso pegar
Tô me guardando pra quando o carnaval chegar
Há quanto tempo desejo seu beijo molhado de maracujá
Tô me guardando pra quando o carnaval chegar
E quem me ofende, humilhando, pisando, pensando que eu vou aturar
Tô me guardando pra quando o carnaval chegar
E quem me vê apanhando da vida duvida que eu vá revidar
Tô me guardando pra quando o carnaval chegar
Eu vejo a barra do dia surgindo, pedindo pra gente cantar
Tô me guardando pra quando o carnaval chegar
Eu tenho tanta alegria, adiada, abafada, quem dera gritar
Tô me guardando pra quando o carnaval chegar

sexta-feira, 30 de maio de 2008

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Foto: Alcides


Sexta-feira chuvosa e fria. O trânsito era quilométrico. A happy hour com os amigos não era uma boa opção. Queriam ficar a sós.
Ele, depois que ela aceitou seu convite, seguiu rotas
alternativas e rumou para sua casa.
Uma casa grande, porém solitária, ela pensou.
Ele preparou uma sopa, dessas que se encontra em qualquer gôndola de supermercado e adiciona-se apenas água. Escolheu um bom vinho.
Era um tipo respeitador, o que causava nela grande admiração. Quase nunca brincava com segundas intenções. Mas naquele dia foi diferente.
Após a refeição ele colocou no aparelho a música O Viajante, de Teresa Tinoco, na voz de Ney Matogrosso. Ela, como já tinha certa intimidade, sentiu-se a vontade para comentar sobre o cantor e brincar com seu amigo.
Ele elogiou o intérprete, voltou a música ao começo e pediu que ela ouvisse com atenção. Como já tinham se insinuado no escritório, ele disse que aquilo era o que queria dizer naquele momento:

Eu me sinto tolo como um viajante
Pela tua casa, pássaro sem asa, rei da covardia
E se guardo tanto essas emoções nessa caldeira fria
É que arde o medo onde o amor ardia
A mansidão no peito trazendo o respeito
Que eu queria tanto derrubar de vez
Pra ser seu talvez, pra ser seu talvez
Mas o viajante é talvez covarde
Ou talvez seja tarde pra gritar que arde no maior ardor
A paixão contida, retraída e nua
Correndo na sala ao te ver deitada
Ao te ver calada, ao te ver cansada, ao te ver no ar
Talvez esperando desse viajante
Algo que ele espera também receber
E quebrar as cercas com que insistimos em nos defender
Eu me sinto tolo como um viajante
Pela tua casa, pássaro sem asa, rei da covardia
E se guardo tanto essas emoções nessa caldeira fria
É que arde o medo onde o amor ardia
A mansidão no peito trazendo o respeito
Que eu queria tanto derrubar de vez
Pra ser seu talvez, pra ser seu...


Após a música ele tirou-lhe da mão a taça de vinho. E foram olhares... beijos... carícias e só o crepitar das chamas na lareira competindo com uma ardente noite de amor.

Só em São Paulo

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Foto: Alcides










Vejo os primeiros pingos pelo vidro do carro
Pessoas apressadas fogem do temporal
E as nuvens anunciam que quem ficou pra trás
Vai sofrer na marginal.
Chego em casa e, na secretária,
Nenhum telefonema.
Ligo a tv
As notícias são sempre as mesmas:
Falam sobre o dólar e o tempo,
Eu queria saber algo mais.
Acabou a energia e não há nada a fazer
Senão fingir que estou bem
Depois ir pra cama dormir sem você.
Enquanto durmo a chuva bate na janela
Sonho que você voltou, é primavera
E acordo no meio da noite, você não está.
Enquanto durmo a chuva bate na janela
Acordo chorando e vejo a porta entreaberta
Por onde sempre espero você voltar.

Estudantes brasileiros lêem 7,2 livros ao ano

quarta-feira, 28 de maio de 2008

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Pesquisa Retratos da Leitura, feita pelo Instituto Pró-Livro, que será divulgada nesta quarta-feira (28) em Brasília, aponta que os estudantes brasileiros lêem 7,2 livros por ano, mas 5,5 deles são didáticos ou indicados pela escola. Apenas 1,7 livro é lido por vontade e escolha própria.

Foi a primeira vez que os hábitos de leitura dos alunos de todas as idades foram analisados no Brasil.

A quantidade de livros aumenta conforme a classe social, a escolaridade e a região onde vivem. Entre os que ganham mais de 10 salários mínimos, por exemplo, são 5,3 livros por ano, sem contar os didáticos. O índice é próximo dos registrados em outros países, como Espanha (5 livros por ano) ou Argentina (5,8). Na França, são mais de 7. Já na Região Norte do Brasil, praticamente só se lê o que a escola pede.

http://www.ccsp.com.br/ultimas/noticia.php?id=32044

Cúmplices e solidários

segunda-feira, 26 de maio de 2008

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Cúmplices e solidários
Dois corações solitários
Que um dia deixaram de se ver.
Não eram amantes,
Mas a amizade que tinham
Parecia-se com o amor
Porque não havia cobranças,
Nem ciúmes, nem paixão.
Um dia, depois de tanta saudade,
Se reencontraram na mesma cidade
A moça do coração moreno
E o poeta dos fios de cabelos brancos.
Aprenderam a ser mais felizes
Enquanto estiveram distantes
E voltaram a ser como antes,
Não amantes
E agora não mais solitários.
Simplesmente dois velhos amigos
Cúmplices e solidários.

FIM DO EXPEDIENTE

quarta-feira, 21 de maio de 2008

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Era fim do expediente na ADV & ADV Associados, um grupo de advogados bastante conceituado naquela metrópole. Instalado em um edifício bem localizado, ocupando a cobertura, cuja parede era de imensas janelas. A luz natural se fazia presente durante grande parte do dia, que além de acolher muito bem os clientes, oferecia uma bela vista panorâmica.

Terça-feira, tarde de outono, o sol poente avermelhado refletia na janela do edifício vizinho e no céu, um misto de tons: azuis, alaranjados e violeta. Depois de quase 10 horas de exaustivo trabalho, debruçado sobre processos e petições, lendo pilhas e mais pilhas de documentos, parei alguns minutos para contemplar aquela vista antes de me retirar e por um instante aquilo tudo me fascinou: meus olhos não piscavam, admirava a paisagem e refletia.... Nunca tinha visto cena de tamanha beleza, ou se tinha, não admirei-a com devida atenção. Estava compenetrado no jogo de cores, na luz, na sombra, no deitar do dia e no nascer da noite.

Ao fundo ouvi um leve caminhar sobre o piso de madeira. Aquele “toc-toc” parecia-me salto alto. Era sutil, delicado e compassado.

Os passos foram ficando mais próximos, a porta se abriu. Senti que alguém se aproximou e de repente apoiou-se sobre a guarda da cadeira.

As mãos brancas, finas, cumpridas e macias desciam acariciando meu peito. Os longos cabelos louros encaracolados debruçavam sobre meu ombro e o perfume doce tocava minhas narinas e tomavam todo o ambiente.

Estava encantado, não tive reação, parecia estar hipnotizado... Era o feitiço da sedução.

Ela, branca, esguia, longilínea, trajava um tailleur grafite, camisa branca, usava uma fina argola de ouro branco cravejada de diamantes, e a echarpe rose de seda italiana ao pescoço completava a composição elegante. A pele alva havia sido queimada pelo frio, pelo vento e nas bochechas, um suave rubor.

Delicadamente, então, girou a cadeira a seu encontro. Sentou-se no meu colo e soltou um belo e malicioso sorriso. Afrouxou minha grava, desabotoou os primeiros botões da camisa. Eu via ali o perfeito contraste entre o desejo e a privação, o instinto e o racional, o poder e o querer, a elegância e a vulgaridade, o divino e o profano. Os lábios molhados e carnudos me desejavam e eu os fitava.

Linda, ela estava linda. Pra mim. Não me contive, sentado, ali mesmo, beijei-a. Tomei-a em meus braços, o instinto tomou conta de mim...

Na mesa... Coloquei-a na mesa...

Meus olhos fixos aos dela. Descalcei seus sapatos. Num leve movimento, entrelaçou seus pés às minhas costas, tomou-me pela gravata e trouxe para si. Beijou-me ardentemente.

Meu coração palpitava, meu corpo ardia desejando-a. Seu olhar meigo, firme e penetrante me instigava mais e mais. Ela brincava com os meus desejos. Enfeitiçou-me completamente. Ela me queria e me teve ali mesmo. Na penumbra da noite que caia, apenas a luz da lua adentrava pela janela. Sentia, junto ao meu corpo nu, sua pele macia e aveludada, os lábios sedentos e o suspiro final ao pé do ouvido. Ela era minha e eu só dela.



=)

Sem querer

terça-feira, 20 de maio de 2008

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Sem querer fitar seus olhos
Que eu os admirei.
Sem querer dizer nada
Que por seu nome gritei.
Sem querer olhar estrelas
Que numa delas te avistei.
Foi sem querer te ferir
Quando alguma coisa falei.
Sem querer adormeci
E com seu rosto sonhei.
Foi tudo sem querer,
Sem querer me apaixonei.
Agora quando te vejo
Com o coração te chamo.
Não sei se você percebeu,
Mas sem querer descobri que te amo.

CADA UM A SUA MANEIRA

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"Numa composição binária: atividade e passividade, sadismo e masoquismo, paixão e recato, procura e espera, amar e ser amado, cada um à sua maneira e todos numa mesma composição desenvolvem o drama de suas paixões num palco cercado por quatro paredes."

=)

Reencontro

sexta-feira, 16 de maio de 2008

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Foi desconcertante vê-la tão perto, depois de tanto tempo. O coração palpitava.
As palavras giravam em minha cabeça como bolas num globo de bingo. Mas não vinha nenhuma que fizesse sentido para começar um assunto.
Então ficamos apenas nos olhando.
Havia marcas em seu rosto.
Notei que seus olhos subiram a linha dos meus e ficaram surpresos ao ver alguns cabelos brancos.
Quando enfim ela perguntou - Como vai?- notei que sua voz já não era aguda. Também seu corpo não era tão perfeito.
Ela já não tinha os oito anos de quando a conheci, nem os quinze de quando nos separamos.
Agora, depois dos anos passados, sei que era platônico, mas sei que era amor.
Despedimo-nos e o antigo desejo de beijo e abraço ficou suspenso num breve aperto de mãos...

Pax Agrada

segunda-feira, 12 de maio de 2008

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Viver na montanha, na praia ou no campo, com alguém que se quer bem.
"Quero a rosa mais linda que houver
e a primeira estrela que vier"
"Eu quero uma casa no campo,
a esperança de óculos
e um filho de cuca legal"
Quero "viver e não ter a vergonha de ser feliz"
Quero alguém que esteja sempre comigo
"Na rua, na chuva, na fazenda
ou numa casinha de sapé"
"Eu quero a sorte de um amor tranqüilo
com sabor de fruta mordida"
"Todo tempo quanto houver, pra mim é pouco,
pra dançar com meu benzinho numa sala de reboco"
"Nós na batida no embalo da rede
matando a sede na saliva
E algum trocado pra dar garantia"
Quando a banda passar vou jogar o meu corpo na rua
E se o povo cantar vou colar minha boca na sua"
"No silêncio uma Catedral"
Quero "cantar a beleza de ser um eterno aprendiz"
"E se eu chorar e o sal molhar o meu sorriso,
não se espante, cante que o teu canto é minha força pra cantar"
FELICIDADE É VIVER EM PAZ.

Sem Palavras

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Ontem eu o vi.
Vi de longe. Estava sentado de costas para mim, tocando piano.
Fechei os olhos e pude sentir seu cheiro de almíscar. E por esse propósito sedutor fui me deixando envolver...
Não sei precisar em que momento do meu devaneio sua mão forte e pequena tocou-me o braço direito. Meu ventre gelou. Abri os olhos no ímpeto. Mil pensamentos passaram pela minha cabeça. Meu mundo girou: vi gafanhotos, vacas e a grande metrópole. Vi nós dois no altar e pensei em qual poderia ser a minha resposta naquele momento. Tudo isso enquanto eu virava o pescoço para responder-lhe ao toque.
Aquele sorriso!....Aqueles dentes retinhos no molde pontiagudo do queixo, as covinhas eram como um lugar para mim em seu rosto. Seus olhos bem castanhos, firmes e resolvidos, olhavam dentro dos meus com certo anseio. A pinta do lado direito do seu rosto paquerava seu par, do lado direito do meu.
Fiz-lhe cara de indiferente como quem quer perguntar “o que foi?”. Ao que ele, resolutamente, me contestou com um silêncio. Ficou ali parado, olhando.
Mas que raios é o silêncio - essa mudez que perturba tanto?
Interrompeu meus sonhos, invadiu meu momento particular, atropelou meus anseios, derrubou meus dominós, implodiu meu castelo. Ele foi resolvido para me dizer nada. E disse tudo.
Passado meu segundo de inquietação, ele levemente tirou sua mão do meu braço e, ainda com aquele sorriso na cara, foi embora.


“(...) a maior parte dos acontecimentos é inexprimível e ocorre num espaço em que nenhuma palavra nunca pisou.” (Rainer Maria Rilke)

Comunicado interno

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Aos diletíssimos colaboradores desse blog:

Queridos, sintam-se à vontade também para postar blogs ou sites recomendáveis por vocês, ok?!
é só ir em configuração e adicionar os novos endereços. Vamos compartilhar!
Estava querendo colocar tb um link de filmes,músicas, livros, lugares para se visitar, um link tipo: Não perder! - espetáculos/shows/exposições e afins.

Enfim, o site é nosso e está em construção!

Beijos!

A ciranda da bailarina

domingo, 11 de maio de 2008

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Foto: Alcides
Bandolins
(Oswaldo Montenegro)

Como fosse um par que
Nessa valsa triste
Se desenvolvesse
Ao som dos Bandolins...

E como não?
E por que não dizer
Que o mundo respirava mais
Se ela apertava assim...

Seu colo como
Se não fosse um tempo
Em que já fosse impróprio
Se dançar assim
Ela teimou e enfrentou
O mundo
Se rodopiando ao som
Dos Bandolins...

Como fosse um lar
Seu corpo a valsa triste
Iluminava e a noite
Caminhava assim

E como um par
O vento e a madrugada
Iluminavam a fada
Do meu botequim...

Valsando como valsa
Uma criança
Que entra na roda
A noite tá no fim
Ela valsando
Só na madrugada
Se julgando amada
Ao som dos Bandolins...


Making of: Numa noite de águas de março resolvi tirar foto da chuva. Fiquei surpreso ao ver que a imagem dos pingos parecia o universo. No mês seguinte tirei a foto da bailarina dançando (I can't get no) Satisfaction. Quando vi sua pose, pensei logo em montá-la com a foto da chuva. No dia seguinte fui presenteado com um belo luar. A imagem, portanto, é obra da Natureza, cabendo a mim a incumbência de juntá-las e fazer alguns ajustes técnicos.

A propósito, a bailarina da foto chama-se Flora Castro. Uma jovem professora de balé, estudou no Teatro Municipal de São Paulo e é atuante na cultura e cidadania em Guarulhos.
Agradeço a Flora pela gentileza de ceder sua imagem para este blog.

Sem Reservas

sexta-feira, 9 de maio de 2008

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Muito bem.
Hoje tá estranho.
Ontem eu dormi cedo por falta de ter o que fazer. Acordei cedo e, ainda, sem ter o que fazer...
Sozinha em casa, fiquei assistindo a um filme (pela 99ª vez): Sem Reservas.
To sem assunto também. Então, vou falar um pouco sobre o filme: Kate (Kathy Z-Jhones) é uma chef de cozinha exemplar. Uma das melhores da cidade. Leva uma vida cheia de regras e muito bem planejada. Seu assunto favorito é trabalho. Faz terapia por imposição de sua chefe. Mas não consegue perceber a si mesma. Tudo o que Kate enxerga é trabalho.
Até que por fatalidade, sua irmã morre e Kate se vê com a tutela da sobrinha, Zoe. Esta, aos poucos, vai desafiando Kate a lidar com a parte emocional, além de tirar-lhe toda a rotina e trazer-lhe novas preocupações. Kate começa a enxergar vida fora de sua caixa.
Em seguida, vem a fantástica figura: Nick- chef substituto de Kate no restaurante. Esse é o personagem de quem mais gosto. Ele, aos poucos, com a ajuda de Zoe, vai questionando uma a uma as verdades de Kate. Ela vai se tornando mais maleável, mais humana.

Enfim, é basicamente isso. Muito intrigante me parece o título: Sem Reservas. No caso do filme, como o ambiente é um restaurante, pergunta-se em alguns momentos: "O senhor tem reserva?". Mas, no contexto, conforme Kate vai se envolvendo com Zoe e Nick, ela passa a revelar-se a eles. Os três viram cúmplices. Sem reservas um para com o outro. Nota: Ela vai se revelando, se deixando amar à medida em que os dois vão se mostrando a ela, sem máscaras, com transparência. Uma vez li: " à medida que sou, permito que o outro seja". Nem lembro de quem é a frase. Talvez seja até minha - oriunda de alguma reflexão, claro.

Legal essa coisa de ser e deixar ser. Mostrar-se, auto-exposição.

Jesus se mostrou aos seus discípulos tal como era - sem reservas. Parece bom ser assim.
Contudo, parafraseando Nietzsche: " a auto-exposição é o prelúdio da traição". Sim, Jesus foi traído.

Ok, amigos. Isso aqui já me parece um confessionário. Alguém poderia dissertar mais a respeito de reservas e auto-exposição?

Fica o convite a vocês.

Beijos a todos!

quinta-feira, 8 de maio de 2008

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Isso é SIM uma cópia. Vou publicar SIM um texto que não é de minha autoria.
E sabe por quê?
Simplesmente porque o conceito de consumo e a relação cultural de posse que o autor deste fala é magnifica.
Pare 2 minutos e pense nas relações que você tem com seus objetos, o sentimento de posse que exerce sobre eles e o que isso pode gerar num instante futuro.
Lembre-se que é um futuro próximo.... muuuuuuito próximo.

O fotógrafo Peter Mengel correu o mundo com o intuito de estudar a relação entre as pessoas e os objetos. Registrou famílias de classe média de várias cidades cercadas de todos os pertences, de automóveis a escovas de dente. E essas imagens traduzem de maneira contundente as diferenças do conceito de “posse” em distintas realidades culturais.

Uma família americana de classe média possui até 8 mil itens diversos, renovados diariamente, e que geram, em média, até 2 Kg de lixo por pessoa. Enquanto isso, uma família no Butão, pequeno país africano, possui algo em torno de 80 objetos, que vão de utensílios de cozinha a peças sagradas. A quantidade não é o que importa e sim a forma como cada uma dessas famílias encara, valoriza e entende o ato de “possuir objetos”.

Em resposta às acusações feitas em 1987 por um jornalista britânico do Financial Times sobre o lento desenvolvimento do Butão, o rei do país afirmou: "O índice médio de felicidade de um país é mais importante do que o índice de desenvolvimento". A afirmação do rei encontra respaldo nos números. Em uma pesquisa realizada em 2005, 45% dos butaneses declararam ser “muitos felizes”, enquanto que, no mesmo ano, apenas 30% de americanos declaram o mesmo. Isso serve para revermos nossos critérios de associação direta sobre posse e felicidade.

Prova disso é o estudo Happy Planet Index, feito por Nick Marks et al. em 2006. O índice de felicidade dos países compara a relação entre ecologia e número de anos felizes. O resultado: também nessa categoria, o Butão, com seus 80 objetos por família, ficou entre as 10 nações mundiais com maior nível de felicidade – índice muito acima do alcançado pelos Estados Unidos.

Eu, designer que há vinte anos desenho e coloco mais objetos no planeta, não sou hipócrita a ponto de condenar o ato da compra. Quero apenas propor uma reflexão sobre as conseqüências desse estilo de vida. Considerando apenas 50% de um total de aproximadamente 1 bilhão de chineses e indianos que acreditam finalmente ter chegado a hora de encher suas casas de equipamentos e suas garagens de automóveis, é possível ter idéia da explosão de consumo que se aproxima – nível bem próximo ao registrado pelos espanhóis, que ainda é, espantosamente, 13 vezes menor que o consumo dos americanos.

Para saciar essa sede de consumo, precisaríamos extrair matéria-prima de pelo menos 3,5 planetas Terra! Como é pouco provável a multiplicação de nossa pequena nave, é necessário repensar, com urgência, a relação que temos com o consumo. Qual foi a última vez que você usou sua máquina de furar? Este utensílio foi projetado para furar por 7 anos seguidos, mas a média de uso por família é de 30 minutos por ano! De fato, não precisamos de uma máquina de furar, mas dos 15 furos que ela faz por ano. A solução? Que tal se em cada condomínio houvesse apenas dois ou três exemplares desse equipamento para o uso comum?

O que dificulta a adoção do modelo de compartilhamento de objetos é a relação afetiva que desenvolvemos com as coisas e o próprio significado da palavra “posse” para a nossa sociedade. Imagine você, que cultiva com seu automóvel uma relação de amor e cumplicidade, ser obrigado a dividi-lo com seus vizinhos? Vai ser duro, mas provavelmente em um futuro próximo será a única saída possível.

E é também viável. Uma empresa pode muito bem mapear em um edifício o perfil e a demanda dos moradores em relação ao transporte e, de forma customizada, alugar para o condomínio a quantidade e a variedade de modelos de automóveis que atendam às necessidades de todos os moradores. E esse tipo de perspectiva não compromete a rentabilidade das montadoras. Trata-se apenas de rever a lógica da produção em massa: as montadoras se transformariam em provedoras de serviços de transporte, criando vínculos ainda mais duradouros e profundos com seus clientes. O que vai mudar é a natureza e o estado físico do que consumimos.

Resta, no entanto, uma dúvida crucial: o que fazer com os vínculos afetivos que cultivamos com os objetos? A resposta é mais simples do que se imagina. Basta voltar a direcionar toda essa afetividade e zelo para o ser humano. O meio ambiente agradece.

* Fred Gelli é sócio e diretor de criação da Tátil Design, professor de desenho industrial da Puc-Rio e jurado na categoria Design no Cannes Lions 2008. (http://www.ccsp.com.br/ultimas/noticia.php?id=31543)


=)

O meu lugar nessa história

quarta-feira, 7 de maio de 2008

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Ponha-se no seu lugar - disse ela irritada com a situação. Na verdade ela nunca esperou que ele lhe invadisse o espaço e roubasse um beijo.
Enquanto ele se recuperava da mordida que tomara na língua ela perguntou:
- Por que você fez isso?
- Por que você deixou?
- Não deixei!
- Então por que demorou para me morder?
- Porque eu não quis te machucar.
Aí ele investiu.
- Também não quero te machucar. Acho que a coisa está ficando séria.
- Que coisa?
- Sei lá, acho que estou gostando de você!
Ela espantada - Não sei o que dizer.
- Não diga nada, deixa eu te fazer feliz.
- Mas quem disse que eu estou triste?
- Está bom, acho que me expressei mal:
- Me faz feliz.
- E por acaso você é triste?
- Sem você, sim.
- Vai dar uma de romântico agora?
- Não é romance, é sentimento!
- É, posso pensar no seu caso...
- E aí, já pensou?
- Em dois segundos?
- Em um, uma bomba explode.
- Ok, vou te dar uma chance.
E os beijos foram longos, as conversas ao pé do ouvido.
Tudo isso aconteceu na mesa ao lado e eu ali, me sentindo quase derrotado, sentindo uma ponta de inveja, tendo como companhia o cigarro, a bebida e o celular.

Sorria

segunda-feira, 5 de maio de 2008

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Foto: Alcides


Não tão longe de nossas cidades cinzentas
Existem céus tão claros e azuis
Existem praias, existem vales
Onde o sol brilha docemente em você.

Então, conte seus dias pelas horas douradas
Não se lembre de nuvens de maneira alguma
Conte seu jardim pelas flores
Nunca pelas folhas que caem.

Conte suas noites pelas estrelas, não pelas sombras
Conte sua vida com sorrisos, não com lágrimas.
E com alegria, por toda a sua existência
Conte sua idade pelos amigos, não pelos anos.


A autoria deste poema está atribuída a Charlie Chaplin e é minha homenagem à menina mais "CREEZY", que já conheci: a dona deste blog.

Instantes Mágicos

sábado, 3 de maio de 2008

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Em um instante se pode mudar de vida
Pode-se começar algo novo, começar tudo de novo.

Lembra daquela vez em que ela disse que o problema não era você, mas ela mesma? Que instante foi aquele? Tá lembrado de como sua cabeça girava e você não sabia o que ainda estava fazendo ali, na frente da porta dela? Pois é. Também, em um instante, depois de longos e curtidos nove meses, tava ali com cara de bobo, com seu filho nos braços. Babando...
Em um instante você se despistou olhando para o outdoor de lingerie e bateu o carro. E você saberia dizer quanto tempo durou a troca de olhares entre você e a garçonete do Fridays? Acredito que alguns segundos.
Em um momento seu pai estava aí, conversando contigo sobre a inflação, sobre o Palmeiras, sobre o arroz empapado da sua mãe, reclamando da conta do telefone e dos cachorros rasgando as meias novas. Foi o tempo de você ir ao mercadinho e voltar, o velho estava na UTI...pois é.
Outro dia eu estava conversando na cozinha com a minha mãe sobre o tempo que está passando rápido demais. Minha mãe e minha vó acham que é um sinal do Apocalipse. Daí vou lá me sentir inútil por não ter feito nada de tão útil assim do meu tempo. Eu sempre me culpo por ter passado o domingo sem fazer nada, por exemplo. Odeio ir a baladinhas e tomar quase todas, porque o dia seguinte eu sei que será desperdiçado entre cama e sofá. Essa coisa de tempo me deixa meio neurótica. Concerber que o tempo está passando mais rápido do que sempre foi, então, me deixou com os nervos tambolirantes.
Mas aí, parando para pensar: se eu tiver menos tempo, vou procurar fazer coisas de qualidade. Isso sim vale mais. A gente passa a repensar a vida. Deixa de ser quantitativo para ser qualitativo. Pode parecer loucura, devaneio, o que for, mas mudei (e continuo mudando) meus hábitos. O medo de não ter tempo suficiente para fazer as coisas que gosto e que tem que ser feitas (mas a gente vive postergando) me fez reorganizar minha vida. Para começar, resolvi assumir a vida simples. Sabe qualidade de vida a baixo custo? Botei meu apê super caro à venda - era possível que eu morresse antes de terminar de pagar as prestações. Estou procurando outro por menos de um terço do valor do meu. Quero estudar, viajar, conhecer pessoas, sair, ser feliz. Outra iniciativa nesse sentido: programinhas grátis. Meu, SESC é tudo de bom. SESC é o que há! Programação de qualidade a preços simbólicos.
Bem, dentre outras coisas como comida light, sem sal, suco sem açucar, não aos refris, enfim.
Qualidade de vida. Não para ter mais vida, mas para ter vida melhor. Passear no parque é bom. À noite então...é muito bom!
Sabe os instantes mágicos? Descobri que a gente pode fazer com que eles aconteçam a todo o tempo. Na verdade, eles sempre acontecem - nosso olhar é que está voltado a outras coisas. A garçonete do Fridays, por exemplo, pode vir a ser a avó dos nossos netos (!!).

O céu hoje está lindo. Ontem choveu e fez frio. Então, hoje está perfeito: céu azul, sol e frio. Contemplar esse dia é mágico! Viver do simples é viver feliz!

Proibido

quarta-feira, 30 de abril de 2008

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Não havia guia
Na rua em que eu seguia.
Não havia placa de mão
Ou contramão.
Não havia carro parado
Nem o povo apressado.
Só havia noite.
Cão faminto, correndo por um labirinto,
Vendo luzes de neon.
Brilho dos teus olhos
Que sempre gritavam:
NÃO!

O Quintal de sua Casa

segunda-feira, 28 de abril de 2008

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- Ainda não acredito que ele possa ter me tocado com sensualidade!!...

Já tinha se passado uma semana desde então, desde que tudo acabara. Desde que saíra daquele carro, essa era a frase que não lhe saía da cabeça.
Como aquela boca pôde ter feito aquilo? Como ela pôde ter sido tão atrevida ao correr até pescoço e nuca? Quando foi que aquelas mãos foram tão ousadas a ponto de tocar-lhe os seios, a ignorar a presença apertada do sinto? Em que momento elas se enfiaram por dentro da calça a apertar-lhe a bunda?
O menino cresceu. E crescendo, viu o que era bom. Perdeu com ela o pudor. Mas será que ele já teve alguma reserva para com ela? Ela era o quintal de sua casa. Uma extensão óbvia de si. Ele sabia-lhe a respiração e os minutos. Sabia-lhe os sentidos, os sentimentos.
A ela, as mãos dele sempre foram íntimas – mesmo antes de se tocarem. Sim, ela era o quintal dele. Assim concebeu-se naquele momento, e sem espanto. Conceber-se quintal. Descobriu-se assim pelas mãos do outro – e de um outro tão inocente! Pois é: inocente. Ela, aos 31 anos, já tinha vivido algumas aventuras. Viajada, estudada; sabida das coisas e das pessoas. Ele, aos 21, era apenas uma criança. Uma criança que brincava com seus peitos, que apertava sua bunda e que gritava-lhe besteiras, de tanta euforia e amor incontido.
Ainda era amador ao fazer a barba, para encanto dela - que se deleitava ao zombar dos poucos fios fora do lugar naquela cara lisinha.
Com a mesma inocência e naturalidade de um filho que toca sua mãe, assim ele a tocava. E, da mesma forma ingênua, ela recebia seus carinhos. Ver sua expressão pueril deitada em seu colo, roçando as mãos em seus seios por dentro da blusa enquanto contava seu dia, suas aulas. Era uma sensação maternal. Como esse amor se permite ser assim? A pureza que vai ao encontro da experiência. Esta, por sua vez, vê-se impelida a ceder, a ser a primeira experiência. As intenções eram unas, assim como o coração, como os sentidos, como os olhares. Como as almas.
Os extremamente opostos se completando ali. Um no outro. Ele dominava a cena – seguro e certo. Ela apenas concentia – com natural timidez.
Não houve nada além de carinhos. A pureza não de todo se perdeu. As intenções sim, ficaram no ar.
Ele a deixou em casa e foi embora. Não ligou no dia seguinte, nem no outro, nem no outro. Ela sim, pela imaturidade cabida, quis saber se ele estava bem. Se o fizera sentir-se usado. Sim, ele estava bem. Melhor que ela talvez. E talvez, ela tenha se sentido usada – um experimento aos mecanismos de resistência de um adolescente com os hormônios à flor da pele.

Vem!

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De manhã cedo reguei as plantas
Tomei cuidado com a água parada.
Troquei continas, abri janelas
Deixei o sol aquecer toda a casa.
Comprei roupa nova e outro perfume.
Liguei o som alto.
Ouvindo sua música
Abracei o meu corpo e dancei.

Cai a tarde, as horas avançam
Uma esperança ou vontade ou saudade me invade e me excita
E eu que não sei cozinhar
Preparo um belo jantar.
Vejo no céu a primeira estrela
E algo em mim se agita.
Sinto que você já vem
Então é hora de abrir as portas
E meus braços também.


Poema inspirado em uma menina que espera seu namorado e eu tenho certeza que ele chegará e eles serão muito felizes, como tem que ser os grandes amores.

A música e as revoluções (a revolução dos cravos)

sexta-feira, 25 de abril de 2008

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Tanto mar
(Chico Buarque - 1975 primeira versão)*

Sei que estás em festa, pá
Fico contente
E enquanto estou ausente
Guarda um cravo para mim

Eu queria estar na festa, pá
Com a tua gente
E colher pessoalmente
Uma flor do teu jardim

Sei que há léguas a nos separar
Tanto mar, tanto mar
Sei também quanto é preciso, pá
Navegar, navegar

Lá faz primavera, pá
Cá estou doente
Manda urgentemente
Algum cheirinho de alecrim

* Letra original,vetada pela censura; gravação editada apenas em Portugal, em 1975.

Nos primeiros minutos do dia 25 de abril de 1974 a rádio Renascença , de Potugal tocava a música Grândola Vila Morena.

"Grândola, Vila Morena
Terra da Fraternidade
O povo é quem mais ordena
Dentro de ti o cidade!" (...)

Era a senha para a revolução que poria fim a quase 50 anos de ditadura naquele país. Houve duas senhas. A primeira às 23:00h do dia 24, com a música "E depois do adeus". Ao ouvir a segunda, às 00:20h, as tropas revolucionárias foram ocupando postos estratégicos e a conquista da democracia era uma questão de horas.

O cravo tornou-se o símbolo da Revolução de Abril de 1974; Com o amanhecer as pessoas começaram a juntar-se nas ruas, solidários com os soldados revoltosos; alguém (existem várias versões, sobre quem terá sido, mas uma delas é que uma florista contratada para levar cravos para a abertura de um hotel, foi vista por um soldado que pôs um cravo na espingarda, e em seguida todos o fizeram), começou a distribuir cravos vermelhos para os soldados, que depressa os colocaram nos canos das espingardas.

O interessante é que Geraldo Vandré, bem antes já dizia "... e acreditam nas flores vencendo o canhão."

Cordel à Virgem Maria

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Virgem Santa Imaculada
Pelos anjos coroada
Pelos homens tão amada
Vinde, Mãe, nos socorrer!
Em seu seio hei de nascer
Para em ti Jesus louvar
Nossas culpas vem livrar
Seu amor engrandecer!

No meu peito já ferido
O perdão bem esquecido
Sua paz, um bem querido
Eu espero ansioso.
No teu colo amoroso
Eu me ponho tal criança
E em fiel esperança
Ver seu Filho Glorioso!

Cordel do Desencanto

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A donzela à janela
O seu sonho ela buscava
Numa folhinha riscando
Pensamentos rascunhava.
Cavalheiro ia passando
Sua donzela procurava.

O luar estava belo,
As estrelas, sorridentes;
O vento soprava brando
Nos seus cachos envolventes.
Seus olhares se cruzaram,
Encontraram-se silentes!...

A donzela enrubeceu
À mirada apaixonada.
Em seu peito a emoção
Já era desenganada!
Ele era um trintão,
A donzela, aposentada!

- O meu pai, que vai dizer?
Disse a donzela acanhada.
- A família, os vizinhos?
Ela estava preocupada.
- Como a isso dou um jeito?
A idade era passada!

Seu rapaz, um belo jovem
Galante se apresentou.
Ao seu encanto e charme
A donzela apaixonou
Tomou-lhe suave a mão
Com um beijo a selou.


- Calma, calma, ó donzela
Não quero seu despudor!
Estou aqui à janela
Para pedir-te um favor:
Tua sobrinha tão bela,
É só dela o meu amor!

A donzela, constrangida,
Pôs-se toda em rubor.
Com a face entristecida,
Seu peito cheio de dor,
Foi chamar-lhe a sobrinha,
Já não tinha mais amor!

Mais um que disse adeus

sábado, 19 de abril de 2008

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Eu, que tinha em mim todos os sonhos do mundo,
Agora sou mais um que acordou para a realidade.
No mundo dos tolos só os tolos ganham, só os tolos perdem
E eu fui um tolo em pensar que podia ser feliz.
O vento frio arde em meu rosto
Mas nada é mais frio que o gelo em meu coração.
Poemas sem rimas e frases desencontradas
É tudo o que sei dizer.
Passo momentos difíceis e, como se não bastasse,
Você me diz que vai partir.
Admiro minha falsidade desejando que você seja feliz
Quando o que eu queria era que você ficasse aqui.
Me acostumei à solidão
De tanto viver em desengano
Um dia aprenderei a sorrir.
Aconteceu tão de repente!
E eu que tinha em mim todos os sonhos do mundo
Agora sou apenas mais um que disse adeus...

Ontem, ouvindo a música "Virgem" da Marina, me lembrei desse poema que escrevi em 1988. Já não faz tanto sentido para mim agora. Agora sou apenas mais um que disse adeus, mas como diz o Guilherme Arantes na música "Pedacinhos" (...) "Adeus também foi feito pra se dizer". O legal é notar o efeito do tempo, algumas marcas irreversíveis, porém sem dor.

VALORES ADQUIRIDOS

quarta-feira, 16 de abril de 2008

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“Pegando um gancho” nos textos (http://pensamentocris.blogspot.com/2008/04/mudar-faz-parte.html e http://pensamentocris.blogspot.com/2008/04/cuidar-do-jardim.html), vamos enriquecer o assunto em discussão.
Em publicidade, anunciar sua marca fazendo uso de um tema que está em pauta na mídia, chama-se marketing de oportunidade. Se eu fosse um carioca malandro (sem discriminação àqueles nascidos nesse estado) seria oportunista. E em Literatura, hein? Como chama..rs...
Todos nós sabemos que não é nada fácil mudar, aceitar novos conceitos, valores, botar a boa e velha rotina de cabeça para baixo. Tudo isso faz parte de um processo lento, gradativo e em muitos casos invasivo.
Mas afirmo com convicção, que depois de adquirido, esses valores começam a fazer parte do seu cotidiano e você passa a sentir falta deles.
Um exemplo? Ofereço um atual, sobre um tema que está na moda: reciclagem.
Você separa seu lixo?
Na sua cidade não há política de coleta seletiva e em vista disso você acha que separar o lixo em reciclável e orgânico é uma tarefa árdua e muito trabalhosa...
Não, não e não! Sabe o que falta? Primeiramente vontade de mudar. Segundo, esse novo conceito deve ser inserido entre os seus, fazer parte dos seus hábitos, da sua cultura (entenda cultura aqui como “hábitos adquiridos pelo homem como membro da sociedade”fragmento da definição de Edward Burnett Tylor). Você deve se conscientizar, educar, reeducar.
E depois que isso acontecer? Meu caro... você sentirá falta disso! Sentirá falta dos valores que aprendeu, que praticava e se vê a não praticá-lo mais.
Algo mais sintético e obvio?
Trabalhava com um cidadão que à primeira vista parecia-me “neurótico”, pois até a tampinha do iogurte ele lavava e colocava para reciclar. Para me enquadrar às diretrizes, adaptei-me e aderi à causa. E com o tempo, também passei a separar o lixo em casa. Eu separo, minha família separa, todos nós separamos.
Hoje, em um novo ambiente de trabalho, sinto falta dos princípios de meio ambiente, economia de água, reciclagem. Sinto-me perdida, não sei o que faço com a casca de banana, a lata de refrigerante e o rascunho da reunião de ontem.
Por que tudo isso?
Porque o antes tachado de neurótico estava correto, me persuadiu... aprendi o conceito, virou valor, englobei-o ao meu dia-a-dia e agora ele faz parte da minha cultura.
Mudar faz parte do processo e como dizia Darwin: adaptação ao meio.

Fobia, fúria e fé

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Te amei com medo
Displicente para não ser notado
Sem querer me mostrar apaixonado
Te amei.
Sem pensar em castidade
Como ventania em noite escura,
Como água batendo em pedra,
Com medo e vontade
Te amei.
Te amei com certeza
Deixando tudo para trás.
Corpo sóbio na correnteza
Querendo me embriagar.
Sim.Foi assim.
Você me apanhou te olhando
E o que sentiu, não sei
Mas naquele dia
Por um instante te amei.

Cuidar do Jardim

terça-feira, 15 de abril de 2008

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Hoje a Flá veio à minha mesa cobrar minha presença em seu blog. Eu disse que nem no meu eu estava dando o ar da graça! Contudo, mediante a esse pedido tão doce da minha amiga, fui lá. Acessei suas páginas cor-de-rosa e li um texto que na verdade deveria se chamar Cris.

Flá, também estou bem nesse momento. Mudanças, olhar para si, perceber-se.
Para mim, é muito difícil mudar. Mudar de qualquer coisa: de cabelo ou de casa; de escola ou de trabalho. Mas, mudar é preciso!! O problema é a dificuldade em aceitar isso.

Concordo com você e com o Mário Quintana sobre cuidar do jardim. O meu estava bem feio mesmo: folhas secas, ervas-daninha...enfim. To limpando, né?! Tem sido bem terapêutico - por assim dizer.

Também, não por acaso, o comentário do meu estimado amigo e poeta Alcides V. Lima veio bem a calhar! Cada linha da música abaixo faz sentido para mim. É exatamente o que estou vivendo hoje.

Meu JardimVander Lee
Composição: Vander Lee

Tô relendo minha lida, minha alma, meus amores
Tô revendo minha vida, minha luta, meus valores
Refazendo minhas forças, minhas fontes, meus favores
Tô regando minhas folhas, minhas faces, minhas flores
Tô limpando minha casa, minha cama, meu quartinho
Tô soprando minha brasa, minha brisa, meu anjinho
Tô bebendo minhas culpas, meu veneno, meu vinho
Escrevendo minhas cartas, meu começo, meu caminho
Estou podando meu jardim
Estou cuidando bem de mim

Boas mudanças a todos!

Sem vestígio (O vazio das almas)

sexta-feira, 11 de abril de 2008

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Não existe fotografia
Nem imagem de câmera oculta.
Não há nenhum manuscrito
Uma carta, bilhete ou nota curta.
Não há desenho no muro
Nem nas paredes das cavernas.
Não há fósseis nem objetos
Que comprovem alguma evidência
De velhos jovens apaixonados.

Ficou na vaga memória
De dois corações cansados
Por procurar, um no outro,
A verdadeira parte que lhes cabe.

Só o tempo é testemunha
De tudo o que aconteceu,
Mas este velho caduco
Insiste em dizer que não sabe
-Finge que passou ou morreu.

Drink

quinta-feira, 10 de abril de 2008

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Ódio à moda da casa

Ódio à gosto;
Rancor salpicado à borda da taça.
O Remorso dá a textura
E uma dose dupla de Imprudência dá o corpo.
Extremismos para dosar a temperatura,
Melancolia para enfeitar, num palitinho de fel.
Desprezo para gelar.

Poema de Morte

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Queria que você morresse
Queria, aliás, que nem tivesse nascido
Desgraça na minha vida foi ter te conhecido
E te ter quisto para sempre
Maldigo o dia em que me apareceste
Com toda a pompa de um barroco
Nos seus paradoxos quase inocentes
Me destruindo aos poucos
Me derrubando aos blocos
Me abalando os muros.
Saindo, sem apoio, nem muros,
Dei com a cara no vácuo.
Descobrindo-me, estava ensagüentada no chão.
A perícia não te incrimina, pois não havia vestígios de ti
Fora do meu coração.
Tratam-me como louca e a tentativa de suicídio pode ter sido depressão.
Hoje, de longe me olhas, como ser rastejante ao chão,
Massacrada, derrubada, ainda pisas no meu coração.
Ser indigesto!
Prefiro hoje entregar-me aos vermes!

O sol de Ícaro

domingo, 6 de abril de 2008

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Nada me assusta.
Nem bicho, nem trovão, nem assombração.
Mas quando estou perto de você
Eu quase morro de medo...

MUDAR FAZ PARTE

quarta-feira, 2 de abril de 2008

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O tempo vai passando e algumas coisas vão mudando.
Às vezes, as transições são tão simples que passam despercebidas e às vezes nos causam tantos conflitos e nos colocam em meio a um turbilhão de questionamentos.
E você? Já parou para pensar que o tempo passa e que as coisas mudam?
... que as responsabilidades aumentam?
... que as músicas que você ouve já não são mais as mesmas?
... que os lugares que você freqüentava, não freqüenta mais...
... que seus conceitos mudaram e o que antes era rotulado como “sei lá o que” agora é uma “pérola” e assumiu alto grau de importância. E aquilo que era uma “relíquia” e ninguém poderia sequer tocar, está prestes a visitar o lixão.
Perceba: seu interesse mudou, seus conhecimentos ampliaram e as dúvidas também. Seu objetivo também mudou e estabilidade é a palavra-chave.
Estabilidade financeira, estabilidade emocional (é isso mesmo: o velho ditado “casa comida e roupa lavada”), estabilidade, estabilidade e estabilidade. Até seu círculo de amizades mudou, agora você tem muito mais contatos que amigos. As refeições são sempre almoço de negócios, happy hour com os colegas de trabalho.
E como administrar a chegada dos novos conceitos, a ruptura dos antigos e sobreviver a todas essas mudanças? É um passo, um tropeço... uma porta que bate, uma janela que abre...

Debutar

segunda-feira, 31 de março de 2008

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Quem me conhece sabe bem o quanto eu AMO o Mário Prata. ADORO! Rio demais com as coisas que ele escreve. Bem, o fato é que eu estava louca da Silva por um livro dele - Cem Melhores Crônicas (que na verdade, são 129) - mas sem qualquer $$ para comprá-lo. Todos os dias, na hora do meu almoço, ia até a FNAC e ficava lá paquerando o dito cujo. Lia umas crônicas, ria um pouco e, com muita pena, voltava ao trabalho sem meu objeto de desejo. O fato é que ontem, o meu salve-salve amorzinho me levou ao shopping para um passeio e me DEU O LIVRO!! Amei!!
Então, dentre os temas super legais, encontrei um em particular, que até esse ponto da leitura, mais me chamou a atenção: chama-se Baile de Debutante. Ele coloca o sentido de debutar, toda aquela coisa de a menina entregar a boneca e ganhar o sapatinho, apresentá-la à sociedade. Inclusive, levantou o termo menina-moça (!!!) - isso parece coisa do tempo da minha avó! Mas enfim, isso se perdeu. Essa coisa romântica toda de ser menina e tornar-se mulher, de botão de rosa que desabrocha, a ansiedade por poder passar batom, poder usar salto...essa coisa toda que a gente ficava esperando acontecer e, quando acontecia, tinha todo um sabor especial! Era diferente, sem dúvidas!

Você poderá argumentar que a questão financeira não permite mais festas desse tipo. Eu concordo, claro! Tampouco tive festa de 15 anos. Contudo, falo das meninas-moça de hoje. Na sala da minha afilhada (7 anos) na escolinha já tem menina de cabelo tingido! A filha da vizinha de 12 anos já faz chapinha e a irmazinha dela de 10 usa micro saia. A neta da amiga da minha avó de 13 anos sai de balada e usa salto 15 e minha priminha Bruna de 17 anos, desde os 11 já beija na boca.

Será que a gente perdeu alguma coisa? Sim. Um pouco (ou muito) do romantismo e do encanto de crescer, de amadurecer. Talvez também tenhamos perdido um pouco (ou muito) das delicadezas dos homens e meninos da família (primos e tios) que ficavam aguardando esse nosso grande dia para serem mais que cavaleiros para conosco, abrindo a porta do carro para nos conduzir ao baile da nossa apresentação formal à sociedade, as flores, os mimos todos, a valsa...!
Sim, as coisas mudaram e não é possível viver de passado. Mas venhamos e convenhamos: isso tudo era o sonho de qualquer menina! Era o dia de princesa.

Segue aqui um poema que retirei do livro de crônicas (do MP). É do poeta Sergio Antunes:


" Debutar

Debutar é ver menina bonita
deixar vestido de chita,
tirar do cabelo a chita.
Vestir vestido encantado
do baile, todo enfeitado,
com as cores dos sonhos lindos.
E, em seus olhinhos sorrindo,
vestir poesia inocente,
vestir poesia que sente
nos versos que o coração
da menina-flor botão
não é mais de uma qualquer.
Pois a noite debutante
transformou-se naquele instante
flor-menina em flor-mulher"

Nota: esse poema foi escrito quando o Antunes tinha apenas 14 anos (a mesma idade da Consuelo Velasquez quando compôs Besame Mucho).