O Quintal de sua Casa

segunda-feira, 28 de abril de 2008

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- Ainda não acredito que ele possa ter me tocado com sensualidade!!...

Já tinha se passado uma semana desde então, desde que tudo acabara. Desde que saíra daquele carro, essa era a frase que não lhe saía da cabeça.
Como aquela boca pôde ter feito aquilo? Como ela pôde ter sido tão atrevida ao correr até pescoço e nuca? Quando foi que aquelas mãos foram tão ousadas a ponto de tocar-lhe os seios, a ignorar a presença apertada do sinto? Em que momento elas se enfiaram por dentro da calça a apertar-lhe a bunda?
O menino cresceu. E crescendo, viu o que era bom. Perdeu com ela o pudor. Mas será que ele já teve alguma reserva para com ela? Ela era o quintal de sua casa. Uma extensão óbvia de si. Ele sabia-lhe a respiração e os minutos. Sabia-lhe os sentidos, os sentimentos.
A ela, as mãos dele sempre foram íntimas – mesmo antes de se tocarem. Sim, ela era o quintal dele. Assim concebeu-se naquele momento, e sem espanto. Conceber-se quintal. Descobriu-se assim pelas mãos do outro – e de um outro tão inocente! Pois é: inocente. Ela, aos 31 anos, já tinha vivido algumas aventuras. Viajada, estudada; sabida das coisas e das pessoas. Ele, aos 21, era apenas uma criança. Uma criança que brincava com seus peitos, que apertava sua bunda e que gritava-lhe besteiras, de tanta euforia e amor incontido.
Ainda era amador ao fazer a barba, para encanto dela - que se deleitava ao zombar dos poucos fios fora do lugar naquela cara lisinha.
Com a mesma inocência e naturalidade de um filho que toca sua mãe, assim ele a tocava. E, da mesma forma ingênua, ela recebia seus carinhos. Ver sua expressão pueril deitada em seu colo, roçando as mãos em seus seios por dentro da blusa enquanto contava seu dia, suas aulas. Era uma sensação maternal. Como esse amor se permite ser assim? A pureza que vai ao encontro da experiência. Esta, por sua vez, vê-se impelida a ceder, a ser a primeira experiência. As intenções eram unas, assim como o coração, como os sentidos, como os olhares. Como as almas.
Os extremamente opostos se completando ali. Um no outro. Ele dominava a cena – seguro e certo. Ela apenas concentia – com natural timidez.
Não houve nada além de carinhos. A pureza não de todo se perdeu. As intenções sim, ficaram no ar.
Ele a deixou em casa e foi embora. Não ligou no dia seguinte, nem no outro, nem no outro. Ela sim, pela imaturidade cabida, quis saber se ele estava bem. Se o fizera sentir-se usado. Sim, ele estava bem. Melhor que ela talvez. E talvez, ela tenha se sentido usada – um experimento aos mecanismos de resistência de um adolescente com os hormônios à flor da pele.

5 comentários:

Flávia Fabri Cesário disse...

Querida,

É mais uma historinha da mulher que por mais madura que seja, entrega-se de corpo e alma num relacionamento. Ela é sempre pura emoção. O homem é mais racional. Pensou em aproveitar-se de uma mulher mais experiente, que ele pensava ser mais “desencanada” portanto, não haveriam questões sentimentais, cobranças, ou algo do tipo...

Ela se entregou, mesmo tentando frear-se... mas seus desejos, sua carência, não deixaram e assim o jovem rapaz teve liberdade de acumular mais uma conquista em sua lista.

Pra ele ficou tudo bem... mas como é do instinto feminino, ela ficou questionando sua fragilidade, a abertura que permitiu que o rapaz imaturo fizesse tudo aquilo com ela, sem nenhuma objeção. Como ELA pode apaixonar-se por um garoto, uma criança? Onde está seu poder de decisão? Para o amor não existe regras, o necessário é apenas vivencia-lo.

Não estou mto inspirada hj, mas acho que é isso...rsrsrs

Beijos!

Alcides disse...

Grande Cristina!

O que eu tinha pra dizer já escrevi no seu e-mail. GE NI AL.

Beijos!!

Alcides

Amora Nachita disse...

SENSACIONAL ....

_TaTHa_ disse...

"Eduardo e Mônica, ela era de leão e ele tinha 16. Ela fazia Medicina e falava alemão e ele ainda nas aulinhas de inglês."

Nem vo fala naaaaaaaaaaaaaada a respeito desse texto

Bjo
=)

Cris disse...

Esse texto poderia ser melhor. Refiz. Mas não vou postar a última versão agora...Só relendo mil vezes para a gente perceber certas imaturidades literárias e gramaticais.
Valeu o apoio de todos!
Beijos!