VALORES ADQUIRIDOS

quarta-feira, 16 de abril de 2008

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“Pegando um gancho” nos textos (http://pensamentocris.blogspot.com/2008/04/mudar-faz-parte.html e http://pensamentocris.blogspot.com/2008/04/cuidar-do-jardim.html), vamos enriquecer o assunto em discussão.
Em publicidade, anunciar sua marca fazendo uso de um tema que está em pauta na mídia, chama-se marketing de oportunidade. Se eu fosse um carioca malandro (sem discriminação àqueles nascidos nesse estado) seria oportunista. E em Literatura, hein? Como chama..rs...
Todos nós sabemos que não é nada fácil mudar, aceitar novos conceitos, valores, botar a boa e velha rotina de cabeça para baixo. Tudo isso faz parte de um processo lento, gradativo e em muitos casos invasivo.
Mas afirmo com convicção, que depois de adquirido, esses valores começam a fazer parte do seu cotidiano e você passa a sentir falta deles.
Um exemplo? Ofereço um atual, sobre um tema que está na moda: reciclagem.
Você separa seu lixo?
Na sua cidade não há política de coleta seletiva e em vista disso você acha que separar o lixo em reciclável e orgânico é uma tarefa árdua e muito trabalhosa...
Não, não e não! Sabe o que falta? Primeiramente vontade de mudar. Segundo, esse novo conceito deve ser inserido entre os seus, fazer parte dos seus hábitos, da sua cultura (entenda cultura aqui como “hábitos adquiridos pelo homem como membro da sociedade”fragmento da definição de Edward Burnett Tylor). Você deve se conscientizar, educar, reeducar.
E depois que isso acontecer? Meu caro... você sentirá falta disso! Sentirá falta dos valores que aprendeu, que praticava e se vê a não praticá-lo mais.
Algo mais sintético e obvio?
Trabalhava com um cidadão que à primeira vista parecia-me “neurótico”, pois até a tampinha do iogurte ele lavava e colocava para reciclar. Para me enquadrar às diretrizes, adaptei-me e aderi à causa. E com o tempo, também passei a separar o lixo em casa. Eu separo, minha família separa, todos nós separamos.
Hoje, em um novo ambiente de trabalho, sinto falta dos princípios de meio ambiente, economia de água, reciclagem. Sinto-me perdida, não sei o que faço com a casca de banana, a lata de refrigerante e o rascunho da reunião de ontem.
Por que tudo isso?
Porque o antes tachado de neurótico estava correto, me persuadiu... aprendi o conceito, virou valor, englobei-o ao meu dia-a-dia e agora ele faz parte da minha cultura.
Mudar faz parte do processo e como dizia Darwin: adaptação ao meio.

3 comentários:

Cris disse...

Olha, essa história de mudar é dose! Mudar de vida, mudar de hábitos...sensação de pisar no desconhecido. Acho que isso é tarefa prazerosa para os desbravadores (!!!).
Acho que meu apego é demasiado às coisas que vivo e que possuo (ou penso possuir) - Talvez seja isso mesmo: apego, posse.
Quem sabe um dia eu escreva algo mais positivo com relação às mudanças. Afinal, as pessoas mudam, né?!

Boa colocação, querida!

Flávia Fabri Cesário disse...

Eu sou uma metamorfose ambulante... Estou sempre em busca de mudanças... de melhorar, aprimorar.. não sou muito apegada às coisas, não sou possessiva... só não me adpato rápido à mudanças bruscas, por exemplo... preciso de tempo para pensar, em como vou me adaptar, quais ações deverei tomar...até nisso analítica...rs

Alcides disse...

Tatha,

Todo mundo já falou da tal da metamorfose ambulante, desde Kafka até o Lula, passando por Raul é claro.Mas existe outra frase que diz que "você precisa mudar para continuar sendo o que é", não sei quem é o autor.Estou te dizendo isso porque você citou a publicidade e a literatura. Se levarmos isso para a nossa vida prática, acho que mesmo sentindo falta, às vezes a mudança não tem volta. Observe esta frase que eu ouvi numa música d'O Circo Mágico: "Os opostos se distraem, os dispostos se atraem." Sem querer filosofar, se os dispostos se atraem, adeus opostos e, portanto, "Adeus velho mundo/Há um segundo tudo estava em paz..."

Beijos!

Alcides