ENQUANTO ISSO NO NAVIO...

quinta-feira, 12 de junho de 2008

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De repente um cutucão na minha coxa acompanhado de uma interjeição de espanto:

- Meu Deus, você viu aquilo?

Estava de biquíni deitada sob o sol, estendida em uma bela e confortável cadeira no melhor ponto do convés e ao horizonte apenas o encontro do céu anil com o límpido e cristalino mar caribenho. Eu folheava pacientemente a última edição da Vogue, analisava as novas tendências, os novos produtos... E tão bela escultura humana não poderia passar-me despercebida...

Em meus ouvidos ecoava “viu aquilo... aquilo... aquilo...” e toda minha atenção se voltara para o marinheiro que caminhava pelo convés com ar de quem supervisionava cada detalhe, cada centímetro. Era praticamente impossível não admirar aquele corpo escultural dentro da farda branca impecável, perfeitamente alinhada, sua postura o destacava.

Alto, moreno, bronzeado do sol, porte atlético, traços latinos, dono um ar inegável de conquistador barato. Costas largas, coxa grossa, bumbum arredondo e pernas bem torneadas; tudo era sutilmente insinuado através da farda. Subi os óculos de sol à aba do chapéu, fique atônita por alguns instantes, apenas o admirava.

Sentindo que alguém o observara, sutilmente se virou para trás e sorriu.

Continuei o meu banho de sol, mas aquela visão não me saia da mente. À tarde o navio oferecia infinitas atividades. No dia seguinte mais atividades já programadas e não nos encontramos mais.

Era a última noite no navio e aconteceria, então, uma festa para confraternização dos turistas: um baile de gala. Boa comida, boa bebida, boa música e muita diversão.
Para a ocasião, já havia separado um belo vestido longo evasê frente única bordô. Próximo das 20h comecei a me arrumar. Vesti meu longo, calcei os sapatos, prendi meus cabelos em um coque simples, mas ricamente ornamento com svarovisky. Os brincos em ouro branco e a maquiagem dariam o toque final: a sombra para realçar o olhar firme e marcante e nos lábios, como não poderiam deixar de ser, batom vermelho, aclamando o desejo, a paixão e a sensualidade.

Adentrei ao salão principal, logo na porta belos marinheiros me recepcionaram. A boa música ecoava por todo salão, as pessoas bailavam ao som do piano, as mesas estavam completas e a pista exalava alegria... Alcei um flûte e juntei-me aos meus.

Em meus pensamentos, a imagem daquele marinheiro. Queria vê-lo novamente.

Caminhando pelo salão, cumprimentei alguns conhecidos, quando fui tomada pela mão. E a voz máscula, firme sussurrou:

- Dança comigo?

Era ele, em farda de gala. Magnífico, simplesmente magnífico.

A música terminou, sorriu e me deixou. Apenas instigou meus anseios...

A festa adentrava pela madrugada. Queria vê-lo mais uma vez antes de atracar.

Determinada, comecei a procurá-lo pelo salão, no convés, em todo canto... até que, sem querer, encontrei os aposentos da tripulação. Olhava discretamente através dos vidros e até que em umas das cabines: já estava descalço, sem cap, sem luvas. Despiu o blazer, desabotoou toda a camisa... Aquele corpo escultural aguçava ainda mais meus desejos, queria aquele homem...

Invadi a cabine:

- Oh, desculpe-me senhor. Creio que entrei na cabine errada.

Com sagacidade, sorri.

- Não tem que se preocupar senhorita. Equívocos acontecem... o navio é grande, são tantas cabines. Creio que esteja perdida e irá precisar de ajuda para localizar seus aposentos, não?

- Agora que me sentei, vejo que estou um pouco tonta, acredito ter tomado alguns chapagnes a mais... Oh! Que vergonha!

Sentia minha meu rosto esquentar, com certeza estava rubra.

- Não se preocupe senhorita, sinta-se a vontade.

- Posso me descalçar por um instante? Saltos cansam meus pés.

Rapidamente ele se abaixou, retirou meus sapatos e massageou meus pés.

- Que pés delicados, ele admirava.

Enquanto acariciava-os suavemente, me seduzia pelo olhar, sorria com ar maroto. Eu não fui capaz de sair dessa situação, compreendia todos os sinais...

Aos poucos, suas mãos foram subindo, massageando minhas pernas. Foi projetando seu corpo sobre o meu, foi se aproximando, olhava fixamente em meus olhos. Entrelaçou seus braços pelo meu pescoço e me beijou ardentemente, exprimiu ali seus desejos.

Suas mãos queriam dizer algo, corriam explorando toda a extensão das minhas costas, deslizando dos ombros ao quadril.

Eu estava rendida ao calor dos beijos, ao toque, ao cheiro. Suavemente desatarraxou o fecho da gola e vestido que deslizou sobre meu corpo como areia que escorre entre os dedos. Olhei-o fixamente, as palavras não se faziam mais necessárias e o corpo falava por si só. Puxei-o em direção a mim, tencionei minhas mãos em suas costas e desci cravando meus dedos em sua pele; desabotoei a calça... enquanto sentia sua respiração cada vez mais ofegante ao pé dos meus ouvidos.

Momentos depois estávamos jogados sob os lençóis e o sol da manhã nos tocava docemente.


=)

3 comentários:

Alcides disse...

"Ainda bem que eu trouxe até meu guarda-sol".rsrs

Parabéns Tatha, por mais esse belo texto. Outra vez rico em detalhes. E obrigado por essa viagem de navio.

Um beijo!
Alcides

Cris disse...

MEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEUUUUUU!!!!

Que texto é esse?? Que riqueza de detalhes!!..Dá para ver tudinho! O texto é bastante envolvente e o final, sutil..!!

Excelente!!

_TaTHa_ disse...

\o/ uRuL!!!!!!!!!!!!!
Dorei dorei dorei
Que bom ver o resultado positivo.
=)