TODOS OS PORQUÊS

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

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Quando aprendemos literatura no colégio, estudamos cada escola literária, analisamos o estilo poético de cada autor: sua forma de escrita, as figuras de linguagem utilizadas, gênero e número do eu lírico, tipo de narração, entre outros detalhes. Atentamo-nos também ao contexto sócio, político, econômico e cultural em que o artista viveu e interpretamos os textos tomando por base a junção de todas essas informações.

Ao entender a obra, deduzimos então o que o autor sentia naquele momento. Tentamos apontar como ele pensava, o que sentia, que relações que estabeleceu na construção das metáforas, enxergamos as mais diversas comparações... É como se estivéssemos acima da mente do escritor enquanto ele redigia.

Vamos tomar um exemplo sólido.

O texto anterior mesmo (vide o texto Pequeno Gatinho), alguém aqui compreende a metáfora do gatinho? Conseguem me acompanhar nas minhas associações? Sabem o que se passava na minha cabeça enquanto escrevia?

Adianta falar que vivo no século XIX, que sou publicitária, que faço isso, aquilo e aquele outro? Que freqüentei tal escola, que leio tal material, que uso A, B ou C como referência, que sigo tal exemplo? Que o mercado é globalizado, que os países tentam manter acordo diplomático, que a crise financeira de um país afeta na economia de outro em outro continente? Que a era digital já chegou, que não existem mais barreiras geográficas e que a comunicação é a base da sociedade moderna? Que as relações humanas estão cada vez mais complexas e há guerras por todo e qualquer motivo, em todo lugar: lutas armadas e ideológicas.

E agora? Facilitou sua compreensão? Conseguiu “sacar” um algo mais?

Cada um interpreta de acordo com a suas referências, a sua bagagem cultural.

Longe de mim pensar que alguém aqui é mais ou menos culto, mas pergunto, por que aprendemos assim na escola se a realidade é outra? Ai, ai, ai...

É claro que quando conhecemos o contexto, enriquecemos nossa cultura e isso nos permite compreender melhor os fatos. Mas e quando só temos o fato? Deduzimos o contexto, pressupomos a emoção? Com base em quê?

Suponhamos que daqui a um século um estudante leia meu texto e este por sua vez deverá estudar meu tempo, analisar as condições socioeconômicas e culturais em que vivi para compreender o que eu sentia no momento que escrevi. (pouco pretensioso isso... rs. Até me senti “a artista”)

E quem dirá que a interpretação e conclusão obtida sejam realmente aquela que corresponde ao momento no qual me encontrava?

Falando francamente... quem sabe se até mesmo eu saberei explicar todos os porquês, relatar as emoções que senti quando escrevi.
BaH BaH BaH!!!!

2 comentários:

A Palavra Mágica disse...

Tatha,

Que belo "tratado" de filosofia!
Concordo com tudo o que você disse. Nunca ninguém saberá o que se passa na cabeça (louca) do artista.

Costumo dizer que a arte é incoerente. Hoje você fala de amor, amanhã fala de ódio. E nem por isso deixa de ser você. Não é você quem diz as coisas, é o momento.

Uma grande prova disso é que você foi perfeita no uso da língua portuguesa escrevendo o texto do gatinho. Assim como domina perfeitamente também o internetês.

Quando eu li o "Pequeno Gatinho" fiz uma pergunta:

Porque?
Porque uma história se passando no século XIX e além disso, o que tem de importante uma menina e um gato?

A situalão que eu imaginei que não tinha importancia histórica é muito mais profunda do que eu imaginava.

Continue assim. Gosto de metáforas que mesmo que não consigamos compreender no momento, nos ensinarão alguma coisa.

Beijos!
Alcides

_TaTHa_ disse...

Alcides!

Primeiramente, muito obrigada pelo seu comentário e pelo elogio quanto ao uso da língua.
Quanto à interpretação, é como falei no próprio texto.
Quando escrevo, passa por mim,um turbilhão de idéias, pensamentos, sentimentos. Sei que nem sempre consigo colocá-los no papel de forma clara, coesa e objetiva. Mas tudo é um aprendizado, não é mesmo.
Mas estive pensando, pensando... será que eu saberei interpretar meus próprios textos daqui alguns anos? Então, porque nós, no colégio devemos fazer isso? E nos submeter ao julgo do certo ou errado. Na arte há certo/errado?
Quem compreende o que se passa pelo nosso cerebro? As emoções, o comportamento, as combinações? É tudo tão complexo e tão relativo...

Bjo
=)