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segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Vida de princesa




Mãe, a vida tem compromissos urgentes e sérios. Obrigada por ter me avisado e me mostrado cada um deles. Obrigada por não ter omitido de mim as durezas do mundo. Obrigada por não ter me protegido. Você preferiu as hipérboles do que os eufemismos. Sempre te achei exagerada. Dramática.
Eu sei que não foi fácil para você assistir cada queda, cada erro meu. Sei que eu quis te culpar por não ser como as outras mães que afagavam as filhas. Você foi forte. Você me deixava chorar sozinha e depois passava Merthiolate. Merthiolate ardia “pra caramba”, mãe. Você dizia que se eu esperneasse era pior. Ainda posso ouvir você me dizer isso. Até hoje, se eu espernear é pior. A vida é um grande levanta-e-cai. Mãe, obrigada por não ter montado um quarto cor de rosa para mim.

Obrigada por não construir um castelo ilusório ao meu redor. Obrigada por ter comprado mais pares de livros do que pares de brinquedos. Obrigada por me mostrar que o pão custava muito, que precisava diminuir o tempo no banho para economizar energia. A vida tem um custo alto, mãe. Ainda bem que você não criou uma princesa. Eu não saberia fritar um ovo, miojo seria meu prato principal. Ainda bem que você não sustentou nenhuma vaidade, porque me fez ver que eu era maior que isso.

Você me criou para o mundo, e este, o mundo real, não poupa as princesas. Obrigada por não ter me criado para esperar o príncipe do cavalo branco que resolveria todas as minhas aflições. A vida quer da gente é peito aberto, coragem e a cara para bater. Mãe, minha cara está dormente, mas não desisto não. Eu tropeço tantas vezes e tantas me reequilibro de novo. Mãe, eu mato a barata com medo mesmo. Eu desafio a esfinge com medo mesmo. Eu encaro o dragão com medo mesmo. Do jeito que sei e posso. O que não posso, mãe, é negar você três vezes. Negar o que você me ensinou. Obrigada por não ter criado uma princesa.

Fonte: The Secret TV

domingo, 4 de janeiro de 2015

terça-feira, 6 de novembro de 2012

NASCE UMA BALZAQUIANA




É engraçado...
Quando somos crianças, queremos ser grande. Quando crescemos, queremos voltar a ser criança e assim começamos a sentir saudade. Rever alguns conceitos, pensar, repensar, refletir.
Então relembro o tempo em que era apenas uma garotinha e não tinha obrigações, tudo era brincadeira! Quando adolescente, apenas estudar.
E cá entre nós, frequentar o colégio não era tão ruim assim...
Eu confesso, foi o melhor tempo da minha vida!
As travessuras durante as aulas: piadinhas, bilhetes trocados, colas e conversa paralela. Os almoços com a turma eram praticamente uma invasão juvenil no restaurante. O intervalo, a cantina e a preguiça de retornar à aula. Tudo vai ficar na memória
Naquela época os grupos de estudo não passavam de uma oportunidade para fofocar, estar mais um período com os amigos e se divertir. OK! Podemos dizer que em algum momento nós estudávamos.
Os fins de semana tinham programações imensas, tudo era minuciosamente planejado já na 2ª feira e o sábado era, sem dúvida, o dia mais esperados. Era o dia da balada, da festa, do baile. Era o dia de ver os paqueras. E todos os garotos eram definitivamente verdadeiros príncipes encantados.
Ao fim da festa, suspiros e mais suspiros...
Ah... como era bom!
A faculdade já exigiu mais, afinal, com 18-20 anos, espera-se outra postura de um universitário. É o momento da escolha da profissão e do preparo para a vida adulta.
O mundo é mal, o mercado é cruel e não há perdão!
A sociedade espera uma postura profissional, sucesso, uma família construída, obrigações cumpridas, deveres em dia, ética, responsabilidade. Acabou a diversão e tudo tem hora! Mas o tempo não perdoa. Ele voa e escorre entre os dedos.
Quinze anos, vinte anos, trinta anos.
Nasce uma balzaquiana!
Um filme passa em nossa memória. Os pais que antes eram caretas, hoje fazem falta, os amigos estarão sempre ao nosso lado, os colegas menos íntimos cumpriram sua missão, acrescentaram alguma lição, deixaram um aprendizado e seguiram o seu respectivo caminho. Os amores, ah, os amores são sempre inesquecíveis...
Como dizia Osho, “Envelhecer qualquer animal é capaz. Desenvolver-se é prerrogativa dos seres humanos, somente uns poucos reivindicam esse direito”. Temos então oportunidade de aprender com as nossas experiências e melhorar a cada dia, a cada novo ciclo, uma nova experiência, um aprendizado.
A maturidade nos dá mais traz tolerância, mais paciência e mais calma. Confere segurança, permite autoconhecimento, expande os limites, amplia os horizontes e mostra a vida de outra forma.
Só sei que durante todo esse percurso, chorei, machuquei e aprendi. Porque afinal, eu vivi!



“A mulher de 30 anos tem atrativos irresistíveis”
(Honoré de Balzac)


=)