terça-feira, 9 de dezembro de 2008

ONDE ESTÁ TODO MUNDO?

Olho a cidade e não vejo nada, sinto apenas o vento, um calafrio.
As janelas batem e rebatem, há folhas secas pelo chão,
Nas árvores, apenas os galhos e o tronco retorcido.
Está tudo cinza. É gélido, é quente, é seco.
Não há mais cor, mais vida
Busco, busco e não vejo nada
Está tudo abandonado, não há mais ninguém aqui.
Está tudo de pernas para o ar... cadê o chão?
Cadê? Cadê? Cadê?

=)

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Escolhas

Queria tanto aquela bolsa que , quando a obteve, esqueceu-se de todas as outras - sem sequer fazer caso de combiná-la com seu guarda-roupas, sem sequer fazer caso da moda.

Queria tanto aquele rapaz que sequer fazia caso de conhecer os outros. Até mesmo recusava convites e mesuras. Não importava nem as pompas do filho do prefeito.


(Escolher uma coisa significa renunciar a todas as outras. Mas se é o próprio coração quem escolhe, quem poderá por barreiras?)

Carta a uma pessoa insegura

Você esfriou.
Era quente e ficou morno;
Era valente, agora teme;
Era seguro, agora duvida.
Morno.
Morno eu não quero.
Não vou mais admitir nada morno na minha vida. Nem você.
Eu admito as falhas, os defeitos e as coisas irritantes. Mas que todas sejam quentes.
Quero o sim ou o não. Mas que seja o todo.
Chega de mediocridades.

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

UM COGNAC




Era julho, noite fria de inverno, precitava uma garoa fina e incessante.

Tomei meu banho quente, vesti meu hobby e desci à ante-sala para relaxar enquanto aguardava pelo jantar.

Preparei meu cognac, acendi meu charuto e à meia luz, sentei-me frente à lareira e me pus a pensar... boas lembranças me vinham à mente.

Lembrei-me do meu tempo de criança, das brincadeiras e travessuras na fazenda da vovó, dos puxões de orelha que levava na escola, do sapato bem lustrado, da roupa bem passada, da gravata alinhada, dos livros encapados...

Pensei no meu primeiro grande amor, um sorriso brotou-me à face, instantaneamente, sem que eu pudesse perceber. Brotou da alma e me veio à memória. Na lembrança a imagem de quão singela era aquela garotinha...

Uma menina tímida, doce, delicada, longos cabelos negros, face rubra e sorriso misterioso...

Os anos foram passando, meus pais me obrigaram a estudar na Europa.

Quando regressei ao Brasil, nada era como antes... Estava formado, era advogado e deveria cuidar dos negócios da família.

Conheci uma rapariga de boa conduta, professora, filha de um dos compadres de meu pai e casei-me. Tive três filhos e sete netos.

O casarão é enorme e está vazio e agora apenas o piano me consola.


=)

domingo, 28 de setembro de 2008

O SOM DO CORAÇÃO

Vou deixar uma diquinha de filme: O SOM DO CORAÇÃO
Assistam!
Resenha? Crítica? Fica a cargo de cada um... só falo que vale muuuuuuuito a pena ver e refletir.



Bjo
=)

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

"Cuide bem do seu amor"

Eram jovens, de espinhas na testa.
Sair sábado para a festa
Era sinal de liberdade.
Viviam para o presente.
Eram sonhadores e inocentes
Até provarem a realidade.
Domingo era sagrado:
Volei na rua, sorvete, calçada.
Na segunda a aula começava
Só depois da conversa em dia.
Eram jovens e aprendizes,
Despreocupados e felizes.
Cresceram, apaixonaram-se, casaram.
Deixaram de viver sonhando.
Amadurecerem e ensinam seus filhos
Que só se aprende a amar
Amando.

Este poema estava sem título e enquanto eu escrevia e pensava, tocava na rádio USP fm, a música "Cuide bem do seu amor", dos Paralamas.

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Deusa

Quando Ele pediu que houvesse luz
Estava pensando em você.
E é tanto encanto, fico tonto quando te encontro
Que até chego a estremecer.
Eu que só creio no que vejo
Sou prova de sua beleza
E desejo como criança
Saber de que imagem e semelhança
Essa pérola se fez.
A resposta parece estar perto
Porque posso te perguntar.
Mas toda vez que me aproximo
Paro e me calo
Diante do seu olhar...

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Bruxa

A lua dos lobos e dos amantes
Hoje também é sua.
Manto, mantra e perfume
Viajam por tempos distantes
E suas irmãs vêm de longe
Pra cantar com você neste instante.

Enquanto as cruzadas se perdem
Nas encruzilhadas da história
Quatro elementos se fundem,
Outros três ficam de fora
Vendo os seus movimentos
Que parecem não ter juízo.

Seu cabelo dança ao vento,
Que dança no seu vestido,
Que dança pelo seu corpo,
Que dança em volta do fogo,
Que dança pra te ver dançar.

Na imensa clareira vazia
A iniciação perpetua seu tempo
Seja noite, seja dia
Seja bela...
Seja Bruxa!

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Ontem fui te visitar

Ontem fui à tua casa,
Vi teu carro na garagem,
Parei diante do portão,
Mas preferi não te chamar.
Dizem que é timidez,
Prefiro não acreditar.
Só o fato de ter ido lá
Já mostra que quero mudar.
Fiquei parado, pensando:
Será que eu poderia entrar?
Ver tua sala, visitar a cozinha
E com um pouco de sorte
Ir ao teu quarto e me deitar?
Olhei para a campainha:
Achei melhor não apertar
Virei as costas e segui a sonhar.
Já que fui à tua casa
Por favor, retribua a visita
Prometo que dessa vez
Espanto de vez a timidez.
Então, esta noite te espero
“Na Rua dos Bobos, número zero”.

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Vá, idade

Entrou com passos apressados. Se fosse noite, talvez eu pudesse ouvir o eco de seu salto alto. Mas era manhã, quase primavera.
Ameaçou sentar-se num banco, mudou de idéia, deu mais dois passos e sentou-se logo a frente do meu.
Não notei seu rosto, pois sua blusa preta, saia grafite e sapatos chamavam mais atenção.
Tinha na mão esquerda uma grossa pulseira e no dedo mínimo uma aliança de prata. Na mão direita outra pulseira e um relógio pequeno, talvez para reforçar a teoria paulistana de que o tempo é curto.
De repente começa um ritual:
Espelho... batom... rímel... pó.
Um acerto no decote da blusa.
O cabelo, antes solto, agora estava em forma de rabo-de-cavalo. O que parecia não combinar era o elástico vermelho que formava o tal penteado. Mas quem veria um elástico vermelho, além de mim, sentado num banco imediatamente atrás dela?
Vi seus olhos de relance, num movimento para guardar o espelho na bolsa e pegar os óculos escuros. A mão esquerda deslizava os cabelos atrás da orelha nua.
Olhou no relógio.
Corria para o futuro.
Ficou mais bela sem se importar com o tempo e, enquanto se ajeitava, nem se lembrou que aquele dia era seu aniversário.

PS. O aniversário é invenção do autor.