segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Nota Mental



"Eu vivo das poesias que componho, dos livros que leio, dos amores que amo, da raiva que sinto, das vontades que carrego, das brigas que arranjo. Eu vivo das palavras sussurradas, das declarações impensadas, das opiniões omitidas, do sentimento sofrido, das chances não tiradas, da procura por alguém do encontro de ninguém, das inúmeras caídas e das vezes que levanto. Eu vivo do sofrimento que me exponho, do isolamento ao qual me proponho, de acreditar no meu sonho"
(autor desconhecido)


=)

quinta-feira, 9 de abril de 2015

Só macho beta tem medo de mulher alfa

Machos do meu Brasil, do mundo e de Marte, afivelem bem os cintos, pois a mulher alfa acaba de assumir o volante de vez. Esse exemplar de fêmea Mega Power² não aceita ter uma bunda gostosa que só serve para rebolar, muito menos quer ostentar nádegas eternamente passivas, destinadas sempre ao banco de passageiros. Ela agora está no controle. Pilota sem medo um conversível furioso, passando rímel enquanto faz uma baliza perfeita. Quebra todos os limites impostos pelo machismo de museu e, com toda certeza, não pisará no freio, mesmo que o Vin Diesel, aos prantos e aterrorizado, peça para sair

Ela possui um poder notável, capaz de fazer o Capitão Nascimento parecer um mero usuário de fraldas. Ela transpira rios de segurança, mas nem por isso borra um milímetro sequer da maquiagem feita com a maestria de um pintor renascentista, enquanto simultaneamente amamenta gêmeos, lê o jornal do dia, joga sinuca e ainda planeja dominar o mundo. Sim, as mulheres alfa um dia farão com que a Terra seja conhecida como “planeta rosa”, ao invés de planeta azul.

A mulher alfa gosta dos homens, claro que gosta, mas aprendeu muito bem a não depender deles, para nada. Elas trocam pneu sem descer do salto. Abrem o vidro de azeitona com a ajuda de tutoriais científicos do YouTube. Criam técnicas femininas para sobrevivência na selva, sendo capazes de quebrar cocos com o auxílio do salto agulha e de fazer fogo utilizando apenas um laquê. Sem contar que elas geralmente dominam as mais cruéis modalidades de defesa pessoal e, ao menor sinal de ameaça, extinguem testículos com a mesma facilidade de quem estoura um plástico bolha.

Elas chegaram lá, no topo da aparentemente imutável cadeia alimentar e, para isso, não precisaram injetar nem uma gota de testosterona nas veias. Nem mesmo recorreram aos bigodes postiços ou tiveram que prender o cabelo e escondê-lo dentro da cartola. As mulheres alfa assumiram a presidência, a direção, os campos de futebol, os ringues e qualquer lugar antes só destinado aos homens, mas nunca, por nada, abriram mão daquela feminilidade que tanto amamos.

Hoje elas tomam uísque sem gelo, mas nem por isso deixaram de se derreter quando se deparam com um filhotinho de labrador. Hoje, elas seguram firme a rédea de uma empresa multinacional, mas lindamente não conseguem segurar as lágrimas quando o mocinho, enfim, pede a mocinha em casamento no cinema. Hoje, elas não têm o menor medo de lutar com unhas e dentes por direitos iguais, mas felizmente, ainda pulam em nosso colo e nos agarram forte quando encontram uma barata, um grilo, um rato, um morcego, um besouro, uma formiga ou até uma mariposa. Não porque precisam - apenas porque querem.

Vejo muitos homens dizendo por aí que ainda preferem as mulheres submissas, dessas quase escravas. Barbados que vivem defendendo o retrocesso e a volta das mulheres de Atenas, que viviam, secavam e morriam pelos maridos. Na minha humilde opinião, tais homens só gostam dessas “Amélias”, pois só ao lado delas conseguem fingir que são machos alfa e líderes de alguma coisa, quando na verdade eles não passam de homens Zeta, lotados de insegurança e frustrações. Eternos bundões que nunca conseguiram nem o cargo de chefe dos escoteiros e que passaram a vida toda sofrendo pela desobediência do próprio cachorro.

Eu não quero uma mulher que dependa de mim, não preciso disso para fingir que sou superior a alguma coisa. Eu quero mesmo é admirar a mulher que estiver ao meu lado, ou à minha frente, por que não? Quero aprender com ela também, não apenas ensinar. Quero olhar nos olhos dela, enquanto ela me conta como foi o dia e pensar: “Caralho, como é que ela é capaz de fazer tudo isso e ainda consegue me fazer tão feliz?”


Via Casal Sem Vergonha

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

O último romântico

Mais um textos escolhido das minhas andanças pela net
Estou simplesmente apaixonada por esse texto
É lindo, delicado e traduz exatamente a verdade

=)



Homens precisam passar segurança. Não precisam ser fortes ou algo assim. Podem ser baixinhos, gordinhos e com pouco talento para as artes marciais. Mas precisam passar segurança ao entrelaçar os dedos na gente, meio que como nos gritassem que tudo vai dar certo.
Homens precisam ter um colo paterno, mas saber que não são nossos pais. Homem é um misto de irmão mais velho cuidadoso, irmão mais novo implicante e primo safado do interior.
E para nós, mulheres, detalhes nunca são meros detalhes; sempre são enormes e significativos. Aquele bilhetinho deixado quando você saiu mais cedo para trabalhar, aquela hora em que você me ligou só para me lembrar do meu anticoncepcional, quando você tira as cebolas das pizzas porque sabe que eu não gosto ou nas horas em que você coloca a mão na minha coxa enquanto dirige – ou até mesmo quando dorme como um fóssil no banco do carona, nas horas em que a gente reveza a direção.
Para me agradar, não me dê flores, chocolates ou ursinhos de pelúcia. Me dê cartões. Escreva coisas estúpidas e bobas que me farão rir como uma criança. Depois disso você pode comprar flores, chocolates e ursinhos. Você pode até me dar um helicóptero todo rosa pink, com minhas iniciais na porta. Mas se não tiver um cartãozinho surpresa com teus garranchos, não será a mesma coisa, entende?
Outra coisa que homem tem que ter é pegada. Mas não achar que pegada significa arrancar tufos do meu cabelo. Tem que saber apertar meu rabo de cavalo sem tirar nenhum fio dali. Vai por mim, homens que machucam demais na hora da transa não são  bons de cama. Homem tem que ser atencioso, seja para perceber que cortamos dois dedos do cabelo ou para distinguir nossos gemidos de “tente mais um pouco” e de “não para, pelo amor de Deus”.
Homens não precisam ser um Fred Astaire, mas é importante que tenham a coragem de nos tirar para dançar. E não menos importante: que não tenham vergonha caso nós o tiremos para dançar; afinal, não vim a esse mundo necessariamente para ser escolhida. No momento da valsa, é de bom tom que eles nos carreguem pela mão e nos unam em teu corpo. Porém, corpo não é tudo. Gosto de homem-cabeça. Os homens quem leem são mais interessantes. E ser interessante vale mais do que olhos azuis e peitoral malhado.
Surpresas também sempre são bem-vindas, caros homens. Seja um SMS bonitinho enquanto estou numa aula chata ou me levar aquela trufa de marula que você sabe que eu adoro. Entendam que presentes não são o preço que custaram. Como próprio nome já diz, presentes são para fazer presença. Então, quanto mais eu fizer presença em tua vida, saberei que faço parte dos teus dias também, assim como você faz dos meus.
Em dias nublados, homens, é uma boa estratégia sair com casacos, mesmo que não estejam sentindo frio. Hormonalmente, mulheres sentem mais frio do que os homens; e é por isso que o seu casaco extra pode ser importante nesses momentos. Mas não se esqueçam de nos abraçar. Melhor do que casaco de lã é par de braços perfumados.
Sorria das minhas caretas, mas sem deboche. E me faça sorrir também. Homens precisam saber nos fazer sorrir – mesmo que não sejam exímios contadores de piada. Cada um tem a sua arma provocadora de riso: sejam as cócegas, as caretas, se sujar ao lavar a louça ou comprar o box de The Big Bang Theory. Mas me faça sorrir. Entenda que chave para o coração de uma mulheres está nas gargalhadas que ela solta ao seu lado


Fonte: Casal Sem Vergonha

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

AH... QUE SAUDADE DE VOCÊ





Saudade de ouvir sua voz em meus ouvidos, da sua pele encostando à minha.
Sentir todo o meu corpo arrepiar,
desejando o seu.
Saudade de estar em seus braços e;
sentir-me protegida.
O tempo para por alguns instantes enquanto o desejo ruboriza a face. E o sorriso brota...
Saudades de você


=)

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

O medo de amar...

Outro texto lindo das minhas andanças pela net.
Boa leitura.

=)




Domingo pela manhã. O celular toca. Em meio a lençóis e raios de sol iluminando o ambiente, você o encara. Mas não atende. Não é preciso olhar para adivinhar quem está chamando. Você sabe. Não é nenhum estranho, nem um simples conhecido. Olhando o vazio do teto, enquanto em sua mente se passam mil e uma histórias, o celular continua tocando. Logo surgem lembranças de dias e noites nos quais a diversão foi em dupla. Você se lembra de que, mesmo que por alguns minutos ou horas, essa companhia fez você esquecer do mundo e se concentrar naquele momento. Mas o tempo passa. Horas, dias, semanas. E aquele momento passa ser tão real quanto um sonho lúcido. Você até duvida de que aqueles dias realmente existiram. Você não queria que eles realmente tivessem existido, foi só casual.

A saudade pós-ficada é a pior de todas. Ela vem como uma flecha no peito, silenciosa o bastante para não ser notada e tão rápida que nenhuma armadura consegue parar. Junto dela, vem uma dose de esperança, que enche a mente de expectativas muito maiores do que ambos os lados gostariam. Junto com a saudade, vem a carência e a dúvida. Todo esse redemoinho de sentimentos chacoalha os pensamentos da mesma forma que um liquidificador tritura os ingredientes de um bolo. O resultado é uma mistura líquida de desilusão com uma pitada de não correspondência. Misturas como essa, que agora, povoam a mente de quem fez a chamada.

É incrível como existe tanta gente solteira e infeliz. Duas coisas que não deveriam andar do mesmo lado da estrada. Antes de dividir sua alegria com alguém, é preciso que ela esteja inteira em você. Mas apesar disso, em grande parte das situações, fechamos nossos sensores. Seja um convite pra pegar um cinema com aquela pessoa ou algo menos óbvio, como uma simples saída com os amigos. O fato é que sempre tentamos fugir de novas experiências. Queremos algo, mas temos medo de experimentar. E sempre temos uma desculpa pronta. Rotina. Trabalho. Tempo. Mas a verdade é que não queremos. Não prestamos atenção. Não nos empenhamos. Temos preguiça. Às vezes o que buscamos , a chance que tanto queremos, pode já estar do nosso lado, na sala de aula, no trabalho, no trânsito. E muitas vezes, quando a encontramos, a deixamos escapar. Não, o que procuramos nunca vem com um sinalizador. Ou com um farol ou uma placa enorme. Vem sem nenhum aviso. Vem sorrateiro. Disfarçado. Silencioso. E passa mais rápido do que pensamos. Se não conseguirmos identificar o que buscamos por baixo de sua simplicidade, ela vai embora, e há grandes chances de que ela nunca mais retorne

Sabe aquele encontro de uns dias atrás? Aquele jantar romântico depois daquela sexta-feira chata? Aquele cara que se encantou com seu sorriso e conta as horas pra te ver? Aquela garota que encara seu nome como sinônimo de saudade? Talvez o que você procura esteja ali, sob o disfarce de um lance casual. Não tenha medo de experimentar o novo, de levar um fora, de ser taxado de infantil e ingênuo, de se entregar. Nenhum ato em nome de um final feliz, por mais impossível e doloroso que possa parecer, é pior do que o arrependimento de nunca ter compartilhado. Portanto, erre mais. Aprenda mais. Arrisque mais. Se esforce mais. Se entregue mais. As coisas boas virão com o tempo


Fonte: Casal Sem Vergonha

domingo, 4 de janeiro de 2015

sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Para ler toda manhã

______________, por favor, não deixe que a sua esperança no amor sincero seja nocauteada por aqueles que vivem a proclamar, aos berros, que o amor não passa de uma ilusão.
Não permita, em hipótese alguma, que as mentiras recém-descobertas apaguem a sua fé na existência de gente sincera e disposta a lutar, com unhas e dentes, para que a verdade – a palavra sem máscaras e interesses egoístas – caminhe livre por aí.
Não autorize, nem sob a mira de um revólver, que a sua capacidade de crer no carinho gratuito seja fraturada pelos pontapés dos que têm o peito oco e assassinada pela leitura das barbáries que, infelizmente, batem ponto no jornal de cada dia.
E mesmo que todos ao seu redor se tornem seres desonestos e capazes de pisotear, sem culpa, a cabeça alheia, ______________, não se sinta menor por ser o único – ou um dos poucos – a começar pelo final da fila e a não enriquecer, corruptamente, do dia para a noite.
Não se sinta covarde quando optar por engolir sapos, aprisionar xingamentos e, sabiamente, correr para bem longe de uma briga.
______________, na corrida de cada manhã, junto com o suor que expele dos seus poros, para o bem da sua saúde, expulse também os mais perigosos venenos que alguém pode conter: o desejo de vingança e a inveja dos que têm mais.
Pare, de uma vez por todas, de pagar na mesma moeda, pois agindo assim, muitas vezes, ao invés de uma atitude nobre, você acabará copiando uma atitude ruim. Se o seu amigo não procurar você, em vez de fazer o mesmo e contribuir para o esfriamento de uma amizade, seja o responsável pelo reencontro: ligue, convide e vá até ele. E daí que você fará o esforço maior? Lembre-se, sempre, o valor inestimável das amizades. Quando a sua namorada for grossa com você, diferente dos gritos que deu em ocasiões anteriores e de atitudes que só levaram a lugares ruins, experimente cuspir paciência, desferir gentileza e bombardeá-la com sorrisos que evaporam o ódio.
Não se deixe enganar pelos comprimidos vendidos como se fossem verdadeiras passagens a paraísos. Quando, por ventura, mesmo sem um tostão no bolso, você precisar viajar: leia uma poesia do Leminski ou um conto do Cortázar.
Não tenha tanto medo da morte, mas, por favor, dê mais valor à vida e não confie tanto na suposta existência do dia de amanhã.
Uma vez por ano, se puder, por uma semana, esconda o relógio, a agenda e o celular. E diferente do que faz em sua rotina normal, dê voz de comando aos seus instintos: esqueça o horário de almoço e coma só quando estiver com fome; não se obrigue a dormir depois da novela e feche os olhos somente quando você estiver com sono; permita-se o luxo de fazer apenas aquilo que você sente vontade e de se negar a realizar qualquer tarefa que você comumente faz por dinheiro, carreira ou currículo.
____________, toda manhã, depois do despertador e antes do pão na chapa, releia este texto em voz alta e, se não for pedir muito, vez ou outra, finja que não ouviu a sua nutricionista e mantenha o miolo todo no pão.
Obs: preencha as lacunas acima com o seu nome e não tenha medo de falar sozinho.

sexta-feira, 20 de junho de 2014

A incrível geração de mulheres que foi criada para ser tudo o que um homem não quer

Esse texto virou um viral na internet.
Milhares de compartilhamentos, mas é simplesmente sensacional.
Confesso que me vejo descrita em cada parágrafo, em casa frase. E com certeza meu pai sentia muito orgulho de mim quando via os meus "10" do colégio, de como aprendi a beber um bom vinho, a apreciar uma boa cerveja... muito mais do que quando me maquiava para sair...
O texto é grandinho, mas garato que valha a leitura

=)





Às vezes me flagro imaginando um homem hipotético que descreva assim a mulher dos seus sonhos:
“Ela tem que trabalhar e estudar muito, ter uma caixa de e-mails sempre lotada. Os pés devem ter calos e bolhas porque ela anda muito com sapatos de salto, pra lá e pra cá.
Ela deve ser independente e fazer o que ela bem entende com o próprio salário: comprar uma bolsa cara, doar para um projeto social, fazer uma viagem sozinha pelo leste europeu. Precisa dirigir bem e entender de imposto de renda.
Cozinhar? Não precisa! Tem um certo charme em errar até no arroz. Não precisa ser sarada, porque não dá tempo de fazer tudo o que ela faz e malhar.
Mas acima de tudo: ela tem que ser segura de si e não querer depender de mim, nem de ninguém.”
Pois é. Ainda não ouvi esse discurso de nenhum homem. Nem mesmo parte dele. Vai ver que é por isso que estou solteira aqui, na luta.
O fato é que eu venho pensando nisso. Na incrível dissonância entre a criação que nós, meninas e jovens mulheres, recebemos e a expectativa da maioria dos meninos, jovens homens,  homens e velhos homens.
O que nossos pais esperam de nós? O que nós esperamos de nós? E o que eles esperam de nós?
Somos a geração que foi criada para ganhar o mundo. Incentivadas a estudar, trabalhar, viajar e, acima de tudo, construir a nossa independência. Os poucos bolos que fiz na vida nunca fizeram os olhos da minha mãe brilhar como as provas com notas 10. Os dias em que me arrumei de forma impecável para sair nunca estamparam no rosto do meu pai um sorriso orgulhoso como o que ele deu quando entrei no mestrado. Quando resolvi fazer um breve curso de noções de gastronomia meus pais acharam bacana. Mas quando resolvi fazer um breve curso de língua e civilização francesa na Sorbonne eles inflaram o peito como pombos.
Não tivemos aula de corte e costura. Não aprendemos a rechear um lagarto. Não nos chamaram pra trocar fralda de um priminho. Não nos explicaram a diferença entre alvejante e água sanitária. Exatamente como aconteceu com os meninos da nossa geração.
Mas nos ensinaram esportes. Nos fizeram aprender inglês. Aprender a dirigir. Aprender a construir um bom currículo. A trabalhar sem medo e a investir nosso dinheiro.  Exatamente como aconteceu com os meninos da nossa geração.
Mas, escuta, alguém  lembrou de avisar os tais meninos que nós seríamos assim? Que nós disputaríamos as vagas de emprego com eles? Que nós iríamos querer jantar fora, ao invés de preparar o jantar? Que nós iríamos gostar de cerveja, whisky, futebol e UFC? Que a gente não ia ter saco pra ficar dando muita satisfação? Que nós seríamos criadas para encontrar a felicidade na liberdade e o pavor na submissão?
Aí, a gente, com nossa camisa social que amassou no fim do dia, nossa bolsa pesada, celular apitando os 26 novos e-mails, amigas nos esperando para jantar, carro sem lavar, 4 reuniões marcadas para amanhã, se pergunta “que raio de cara vai me querer?”.
“Talvez se eu fosse mais delicada… Não falasse palavrão. Não tivesse subordinados. Não dirigisse sozinha à noite sem medo. Talvez se eu aparentasse fragilidade. Talvez se dissesse que não me importo em lavar cuecas. Talvez…”
Mas não. Essas não somos nós. Nós queremos um companheiro, lado a lado, de igual pra igual. Muitas de nós sonham com filhos. Mas não só com eles. Nós queremos fazer um risoto. Mas vamos querer morrer se ganharmos um liquidificador de aniversário. Nós queremos contar como foi nosso dia. Mas não vamos admitir que alguém questione nossa rotina.
O fato é: quem foi educado para nos querer? Quem é seguro o bastante para amar uma mulher que voa? Quem está disposto a nos fazer querer pousar ao seu lado no fim do dia? Quem entende que deitar no seu peito é nossa forma de pedir colo? E que às vezes nós vamos precisar do seu colo e às vezes só vamos querer companhia pra um vinho? Que somos a geração da parceria e não da dependência?
E não estou aqui, num discurso inflamado, culpando os homens. Não. A culpa não é exatamente deles. É da sociedade como um todo. Da criação equivocada. Da imagem que ainda é vendida da mulher. Dos pais que criam filhas para o mundo, mas querem noras que vivam em função da família.

No fim das contas a gente não é nada do que o inconsciente coletivo espera de uma mulher. E o melhor: nem queremos ser. Que fique claro, nós não vamos andar para trás. Então vai ser essa mentalidade que vai ter que andar para frente. Nós já nos abrimos pra ganhar o mundo. Agora é o mundo tem que se virar pra ganhar a gente de volta.