A donzela à janela
O seu sonho ela buscava
Numa folhinha riscando
Pensamentos rascunhava.
Cavalheiro ia passando
Sua donzela procurava.
O luar estava belo,
As estrelas, sorridentes;
O vento soprava brando
Nos seus cachos envolventes.
Seus olhares se cruzaram,
Encontraram-se silentes!...
A donzela enrubeceu
À mirada apaixonada.
Em seu peito a emoção
Já era desenganada!
Ele era um trintão,
A donzela, aposentada!
- O meu pai, que vai dizer?
Disse a donzela acanhada.
- A família, os vizinhos?
Ela estava preocupada.
- Como a isso dou um jeito?
A idade era passada!
Seu rapaz, um belo jovem
Galante se apresentou.
Ao seu encanto e charme
A donzela apaixonou
Tomou-lhe suave a mão
Com um beijo a selou.
- Calma, calma, ó donzela
Não quero seu despudor!
Estou aqui à janela
Para pedir-te um favor:
Tua sobrinha tão bela,
É só dela o meu amor!
A donzela, constrangida,
Pôs-se toda em rubor.
Com a face entristecida,
Seu peito cheio de dor,
Foi chamar-lhe a sobrinha,
Já não tinha mais amor!
Lugar de pensamentos, poesias, contos e afins. Espaço para os amigos e para os sonhadores
sexta-feira, 25 de abril de 2008
sábado, 19 de abril de 2008
Mais um que disse adeus
Eu, que tinha em mim todos os sonhos do mundo,
Agora sou mais um que acordou para a realidade.
No mundo dos tolos só os tolos ganham, só os tolos perdem
E eu fui um tolo em pensar que podia ser feliz.
O vento frio arde em meu rosto
Mas nada é mais frio que o gelo em meu coração.
Poemas sem rimas e frases desencontradas
É tudo o que sei dizer.
Passo momentos difíceis e, como se não bastasse,
Você me diz que vai partir.
Admiro minha falsidade desejando que você seja feliz
Quando o que eu queria era que você ficasse aqui.
Me acostumei à solidão
De tanto viver em desengano
Um dia aprenderei a sorrir.
Aconteceu tão de repente!
E eu que tinha em mim todos os sonhos do mundo
Agora sou apenas mais um que disse adeus...
Ontem, ouvindo a música "Virgem" da Marina, me lembrei desse poema que escrevi em 1988. Já não faz tanto sentido para mim agora. Agora sou apenas mais um que disse adeus, mas como diz o Guilherme Arantes na música "Pedacinhos" (...) "Adeus também foi feito pra se dizer". O legal é notar o efeito do tempo, algumas marcas irreversíveis, porém sem dor.
Agora sou mais um que acordou para a realidade.
No mundo dos tolos só os tolos ganham, só os tolos perdem
E eu fui um tolo em pensar que podia ser feliz.
O vento frio arde em meu rosto
Mas nada é mais frio que o gelo em meu coração.
Poemas sem rimas e frases desencontradas
É tudo o que sei dizer.
Passo momentos difíceis e, como se não bastasse,
Você me diz que vai partir.
Admiro minha falsidade desejando que você seja feliz
Quando o que eu queria era que você ficasse aqui.
Me acostumei à solidão
De tanto viver em desengano
Um dia aprenderei a sorrir.
Aconteceu tão de repente!
E eu que tinha em mim todos os sonhos do mundo
Agora sou apenas mais um que disse adeus...
Ontem, ouvindo a música "Virgem" da Marina, me lembrei desse poema que escrevi em 1988. Já não faz tanto sentido para mim agora. Agora sou apenas mais um que disse adeus, mas como diz o Guilherme Arantes na música "Pedacinhos" (...) "Adeus também foi feito pra se dizer". O legal é notar o efeito do tempo, algumas marcas irreversíveis, porém sem dor.
quarta-feira, 16 de abril de 2008
VALORES ADQUIRIDOS
“Pegando um gancho” nos textos (http://pensamentocris.blogspot.com/2008/04/mudar-faz-parte.html e http://pensamentocris.blogspot.com/2008/04/cuidar-do-jardim.html), vamos enriquecer o assunto em discussão.
Em publicidade, anunciar sua marca fazendo uso de um tema que está em pauta na mídia, chama-se marketing de oportunidade. Se eu fosse um carioca malandro (sem discriminação àqueles nascidos nesse estado) seria oportunista. E em Literatura, hein? Como chama..rs...
Todos nós sabemos que não é nada fácil mudar, aceitar novos conceitos, valores, botar a boa e velha rotina de cabeça para baixo. Tudo isso faz parte de um processo lento, gradativo e em muitos casos invasivo.
Mas afirmo com convicção, que depois de adquirido, esses valores começam a fazer parte do seu cotidiano e você passa a sentir falta deles.
Um exemplo? Ofereço um atual, sobre um tema que está na moda: reciclagem.
Você separa seu lixo?
Na sua cidade não há política de coleta seletiva e em vista disso você acha que separar o lixo em reciclável e orgânico é uma tarefa árdua e muito trabalhosa...
Não, não e não! Sabe o que falta? Primeiramente vontade de mudar. Segundo, esse novo conceito deve ser inserido entre os seus, fazer parte dos seus hábitos, da sua cultura (entenda cultura aqui como “hábitos adquiridos pelo homem como membro da sociedade” – fragmento da definição de Edward Burnett Tylor). Você deve se conscientizar, educar, reeducar.
E depois que isso acontecer? Meu caro... você sentirá falta disso! Sentirá falta dos valores que aprendeu, que praticava e se vê a não praticá-lo mais.
Algo mais sintético e obvio?
Trabalhava com um cidadão que à primeira vista parecia-me “neurótico”, pois até a tampinha do iogurte ele lavava e colocava para reciclar. Para me enquadrar às diretrizes, adaptei-me e aderi à causa. E com o tempo, também passei a separar o lixo em casa. Eu separo, minha família separa, todos nós separamos.
Hoje, em um novo ambiente de trabalho, sinto falta dos princípios de meio ambiente, economia de água, reciclagem. Sinto-me perdida, não sei o que faço com a casca de banana, a lata de refrigerante e o rascunho da reunião de ontem.
Por que tudo isso?
Porque o antes tachado de neurótico estava correto, me persuadiu... aprendi o conceito, virou valor, englobei-o ao meu dia-a-dia e agora ele faz parte da minha cultura.
Mudar faz parte do processo e como dizia Darwin: adaptação ao meio.
Em publicidade, anunciar sua marca fazendo uso de um tema que está em pauta na mídia, chama-se marketing de oportunidade. Se eu fosse um carioca malandro (sem discriminação àqueles nascidos nesse estado) seria oportunista. E em Literatura, hein? Como chama..rs...
Todos nós sabemos que não é nada fácil mudar, aceitar novos conceitos, valores, botar a boa e velha rotina de cabeça para baixo. Tudo isso faz parte de um processo lento, gradativo e em muitos casos invasivo.
Mas afirmo com convicção, que depois de adquirido, esses valores começam a fazer parte do seu cotidiano e você passa a sentir falta deles.
Um exemplo? Ofereço um atual, sobre um tema que está na moda: reciclagem.
Você separa seu lixo?
Na sua cidade não há política de coleta seletiva e em vista disso você acha que separar o lixo em reciclável e orgânico é uma tarefa árdua e muito trabalhosa...
Não, não e não! Sabe o que falta? Primeiramente vontade de mudar. Segundo, esse novo conceito deve ser inserido entre os seus, fazer parte dos seus hábitos, da sua cultura (entenda cultura aqui como “hábitos adquiridos pelo homem como membro da sociedade” – fragmento da definição de Edward Burnett Tylor). Você deve se conscientizar, educar, reeducar.
E depois que isso acontecer? Meu caro... você sentirá falta disso! Sentirá falta dos valores que aprendeu, que praticava e se vê a não praticá-lo mais.
Algo mais sintético e obvio?
Trabalhava com um cidadão que à primeira vista parecia-me “neurótico”, pois até a tampinha do iogurte ele lavava e colocava para reciclar. Para me enquadrar às diretrizes, adaptei-me e aderi à causa. E com o tempo, também passei a separar o lixo em casa. Eu separo, minha família separa, todos nós separamos.
Hoje, em um novo ambiente de trabalho, sinto falta dos princípios de meio ambiente, economia de água, reciclagem. Sinto-me perdida, não sei o que faço com a casca de banana, a lata de refrigerante e o rascunho da reunião de ontem.
Por que tudo isso?
Porque o antes tachado de neurótico estava correto, me persuadiu... aprendi o conceito, virou valor, englobei-o ao meu dia-a-dia e agora ele faz parte da minha cultura.
Mudar faz parte do processo e como dizia Darwin: adaptação ao meio.
Fobia, fúria e fé
Te amei com medo
Displicente para não ser notado
Sem querer me mostrar apaixonado
Te amei.
Sem pensar em castidade
Como ventania em noite escura,
Como água batendo em pedra,
Com medo e vontade
Te amei.
Te amei com certeza
Deixando tudo para trás.
Corpo sóbio na correnteza
Querendo me embriagar.
Sim.Foi assim.
Você me apanhou te olhando
E o que sentiu, não sei
Mas naquele dia
Por um instante te amei.
terça-feira, 15 de abril de 2008
Cuidar do Jardim
Hoje a Flá veio à minha mesa cobrar minha presença em seu blog. Eu disse que nem no meu eu estava dando o ar da graça! Contudo, mediante a esse pedido tão doce da minha amiga, fui lá. Acessei suas páginas cor-de-rosa e li um texto que na verdade deveria se chamar Cris.
Flá, também estou bem nesse momento. Mudanças, olhar para si, perceber-se.
Para mim, é muito difícil mudar. Mudar de qualquer coisa: de cabelo ou de casa; de escola ou de trabalho. Mas, mudar é preciso!! O problema é a dificuldade em aceitar isso.
Concordo com você e com o Mário Quintana sobre cuidar do jardim. O meu estava bem feio mesmo: folhas secas, ervas-daninha...enfim. To limpando, né?! Tem sido bem terapêutico - por assim dizer.
Também, não por acaso, o comentário do meu estimado amigo e poeta Alcides V. Lima veio bem a calhar! Cada linha da música abaixo faz sentido para mim. É exatamente o que estou vivendo hoje.
Meu JardimVander Lee
Composição: Vander Lee
Tô relendo minha lida, minha alma, meus amores
Tô revendo minha vida, minha luta, meus valores
Refazendo minhas forças, minhas fontes, meus favores
Tô regando minhas folhas, minhas faces, minhas flores
Tô limpando minha casa, minha cama, meu quartinho
Tô soprando minha brasa, minha brisa, meu anjinho
Tô bebendo minhas culpas, meu veneno, meu vinho
Escrevendo minhas cartas, meu começo, meu caminho
Estou podando meu jardim
Estou cuidando bem de mim
Boas mudanças a todos!
Flá, também estou bem nesse momento. Mudanças, olhar para si, perceber-se.
Para mim, é muito difícil mudar. Mudar de qualquer coisa: de cabelo ou de casa; de escola ou de trabalho. Mas, mudar é preciso!! O problema é a dificuldade em aceitar isso.
Concordo com você e com o Mário Quintana sobre cuidar do jardim. O meu estava bem feio mesmo: folhas secas, ervas-daninha...enfim. To limpando, né?! Tem sido bem terapêutico - por assim dizer.
Também, não por acaso, o comentário do meu estimado amigo e poeta Alcides V. Lima veio bem a calhar! Cada linha da música abaixo faz sentido para mim. É exatamente o que estou vivendo hoje.
Meu JardimVander Lee
Composição: Vander Lee
Tô relendo minha lida, minha alma, meus amores
Tô revendo minha vida, minha luta, meus valores
Refazendo minhas forças, minhas fontes, meus favores
Tô regando minhas folhas, minhas faces, minhas flores
Tô limpando minha casa, minha cama, meu quartinho
Tô soprando minha brasa, minha brisa, meu anjinho
Tô bebendo minhas culpas, meu veneno, meu vinho
Escrevendo minhas cartas, meu começo, meu caminho
Estou podando meu jardim
Estou cuidando bem de mim
Boas mudanças a todos!
sexta-feira, 11 de abril de 2008
Sem vestígio (O vazio das almas)
Não existe fotografia
Nem imagem de câmera oculta.
Não há nenhum manuscrito
Uma carta, bilhete ou nota curta.
Não há desenho no muro
Nem nas paredes das cavernas.
Não há fósseis nem objetos
Que comprovem alguma evidência
De velhos jovens apaixonados.
Ficou na vaga memória
De dois corações cansados
Por procurar, um no outro,
A verdadeira parte que lhes cabe.
Só o tempo é testemunha
De tudo o que aconteceu,
Mas este velho caduco
Insiste em dizer que não sabe
-Finge que passou ou morreu.
Nem imagem de câmera oculta.
Não há nenhum manuscrito
Uma carta, bilhete ou nota curta.
Não há desenho no muro
Nem nas paredes das cavernas.
Não há fósseis nem objetos
Que comprovem alguma evidência
De velhos jovens apaixonados.
Ficou na vaga memória
De dois corações cansados
Por procurar, um no outro,
A verdadeira parte que lhes cabe.
Só o tempo é testemunha
De tudo o que aconteceu,
Mas este velho caduco
Insiste em dizer que não sabe
-Finge que passou ou morreu.
quinta-feira, 10 de abril de 2008
Drink
Ódio à moda da casa
Ódio à gosto;
Rancor salpicado à borda da taça.
O Remorso dá a textura
E uma dose dupla de Imprudência dá o corpo.
Extremismos para dosar a temperatura,
Melancolia para enfeitar, num palitinho de fel.
Desprezo para gelar.
Ódio à gosto;
Rancor salpicado à borda da taça.
O Remorso dá a textura
E uma dose dupla de Imprudência dá o corpo.
Extremismos para dosar a temperatura,
Melancolia para enfeitar, num palitinho de fel.
Desprezo para gelar.
Poema de Morte
Queria que você morresse
Queria, aliás, que nem tivesse nascido
Desgraça na minha vida foi ter te conhecido
E te ter quisto para sempre
Maldigo o dia em que me apareceste
Com toda a pompa de um barroco
Nos seus paradoxos quase inocentes
Me destruindo aos poucos
Me derrubando aos blocos
Me abalando os muros.
Saindo, sem apoio, nem muros,
Dei com a cara no vácuo.
Descobrindo-me, estava ensagüentada no chão.
A perícia não te incrimina, pois não havia vestígios de ti
Fora do meu coração.
Tratam-me como louca e a tentativa de suicídio pode ter sido depressão.
Hoje, de longe me olhas, como ser rastejante ao chão,
Massacrada, derrubada, ainda pisas no meu coração.
Ser indigesto!
Prefiro hoje entregar-me aos vermes!
Queria, aliás, que nem tivesse nascido
Desgraça na minha vida foi ter te conhecido
E te ter quisto para sempre
Maldigo o dia em que me apareceste
Com toda a pompa de um barroco
Nos seus paradoxos quase inocentes
Me destruindo aos poucos
Me derrubando aos blocos
Me abalando os muros.
Saindo, sem apoio, nem muros,
Dei com a cara no vácuo.
Descobrindo-me, estava ensagüentada no chão.
A perícia não te incrimina, pois não havia vestígios de ti
Fora do meu coração.
Tratam-me como louca e a tentativa de suicídio pode ter sido depressão.
Hoje, de longe me olhas, como ser rastejante ao chão,
Massacrada, derrubada, ainda pisas no meu coração.
Ser indigesto!
Prefiro hoje entregar-me aos vermes!
domingo, 6 de abril de 2008
O sol de Ícaro
Nada me assusta.
Nem bicho, nem trovão, nem assombração.
Mas quando estou perto de você
Eu quase morro de medo...
quarta-feira, 2 de abril de 2008
MUDAR FAZ PARTE
O tempo vai passando e algumas coisas vão mudando.
Às vezes, as transições são tão simples que passam despercebidas e às vezes nos causam tantos conflitos e nos colocam em meio a um turbilhão de questionamentos.
E você? Já parou para pensar que o tempo passa e que as coisas mudam?
... que as responsabilidades aumentam?
... que as músicas que você ouve já não são mais as mesmas?
... que os lugares que você freqüentava, não freqüenta mais...
... que seus conceitos mudaram e o que antes era rotulado como “sei lá o que” agora é uma “pérola” e assumiu alto grau de importância. E aquilo que era uma “relíquia” e ninguém poderia sequer tocar, está prestes a visitar o lixão.
Perceba: seu interesse mudou, seus conhecimentos ampliaram e as dúvidas também. Seu objetivo também mudou e estabilidade é a palavra-chave.
Estabilidade financeira, estabilidade emocional (é isso mesmo: o velho ditado “casa comida e roupa lavada”), estabilidade, estabilidade e estabilidade. Até seu círculo de amizades mudou, agora você tem muito mais contatos que amigos. As refeições são sempre almoço de negócios, happy hour com os colegas de trabalho.
E como administrar a chegada dos novos conceitos, a ruptura dos antigos e sobreviver a todas essas mudanças? É um passo, um tropeço... uma porta que bate, uma janela que abre...
Às vezes, as transições são tão simples que passam despercebidas e às vezes nos causam tantos conflitos e nos colocam em meio a um turbilhão de questionamentos.
E você? Já parou para pensar que o tempo passa e que as coisas mudam?
... que as responsabilidades aumentam?
... que as músicas que você ouve já não são mais as mesmas?
... que os lugares que você freqüentava, não freqüenta mais...
... que seus conceitos mudaram e o que antes era rotulado como “sei lá o que” agora é uma “pérola” e assumiu alto grau de importância. E aquilo que era uma “relíquia” e ninguém poderia sequer tocar, está prestes a visitar o lixão.
Perceba: seu interesse mudou, seus conhecimentos ampliaram e as dúvidas também. Seu objetivo também mudou e estabilidade é a palavra-chave.
Estabilidade financeira, estabilidade emocional (é isso mesmo: o velho ditado “casa comida e roupa lavada”), estabilidade, estabilidade e estabilidade. Até seu círculo de amizades mudou, agora você tem muito mais contatos que amigos. As refeições são sempre almoço de negócios, happy hour com os colegas de trabalho.
E como administrar a chegada dos novos conceitos, a ruptura dos antigos e sobreviver a todas essas mudanças? É um passo, um tropeço... uma porta que bate, uma janela que abre...
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