sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

EU COMIGO MESMA

À primeira vista o título até parece um tanto quanto egoísta, mas posso garantir-lhe, meu caro amigo, que não o é. É apenas mais um daqueles momentos que você acorda e lembra que sua agenda toda preenchida e no escritório o corre-corre está aguardando por você e você apenas com aquela louca vontade de ficar na cama o dia todo...

Não é preguiça! É a necessidade de um momento seu, consigo. Momentos que você mesmo não se entende, não quer falar, mas não sabe o porquê de não querer. Simplesmente não quer porque não sabe o que falar, como falar e com quem falar.

Nessa hora, um abraço, um aconchego, um carinho é seu único desejo e nada mais... um silêncio...

Um segundo para você ficar a sós consigo, organizar seus pensamentos ¹, chorar, espernear, gritar, emudecer, dançar, sorrir, gargalhar, esconder, encolher, adormecer...


¹ P.S – Que coisa louca o pensamento, que velocidade. Em milésimos de segundo, 30 milhões de informações transitam pelos seus neurônios e nessa fração, você entra em colapso.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

Ser Pop

Hoje eu vi uma coisa que me deixou perplexa . Aliás, 2 coisas: N a capa da revista Carta Capital, a pergunta "Deus Existe ?". E a outra coisa foi uma capa de revista de 5ª categoria com uma mulher em cima de outra, ambas com a bunda bem empinada e, por literalmente um fio, n ão mostravam o esfíncter.
A minha angústia do dia é: O que é que eles querem? O que a mídia quer? Quer um mundo sem Deus para poder mostrar o esf íncter sem culpa? Uma população robotizada, uniformizada na questão religiosa , moral e ideológica, um bando de gente questionando a existencia de Deus e achando pop mostrar a bunda?
O nosso povo hoje não tem acesso a boas instituições escolares, o ensino público é uma lástima, as faculdades privadas lembram as lojas dos shoppings, onde os vendedores v ão buscar seu público na praça de alimentação, para garantir seu 2% de comiss ão. Na pólítica, nem se fala: c orrupção na cara do povo! Ninguém faz nada ! O que é isso? Uma grande incapacidade coletiva? Ou relamente pôde-se massificar o pensamento? Ou comodi zá-lo: " Deixe que eles resolvam" ou "Não sou eu quem vai mudar o mundo". Reclamações vãs. Quem não faz nada, tamb ém não tem o direito de reclamar da situação. Estamos vivendo em uma verdadeira forma ideológica, onde as pessoas se condicionam, massificam seus ideais . Ou seja, não existe mais o individualismo porque todo mundo quer ser pop!
Ninguém saiu às ruas quando decidiram retirar da grade de ensino as disciplinas Educação Moral e Cívica, que dava certa condiç ão ao o indivíduo de interar-se da política e da moral. Nas escolas, o aluno acata o professor: " Fala baixo aí que eu to pagando o seu sal ário"! O que?? E o professor não diz nada, pois seria contrariar o Construtivismo ?? Agora, além de todo esse caos, vem a mídia impulsionar a venda dos livros que declaram o ateísmo como "Nova Religião "! O que se pretende fazer com o povo, se por tantas vezes é pela fé que o cidadão não sucumbe! É pela fé que se edifica, que se constrói! É pela fé que se faz valer a última esperança. É o fio ao qual se agrarra na pior das situações! E agora José? Vamos, a mais essa, nos deixar levar? Vamos nos deixar calar, nos resignar, nos mutilar?
E então, o que nos restará? Ser pop? Sem educação, sem ética, moral, ideais, política e agora, sem Deus, o que nos resta, se não mostrar o esfíncter?


Essa eu escrevi no finzinho do ano passado e alguns amigos (dentre eles Flá de Lua e Alcides) já tiveram a oportunidade de ler e comentar, via e-mail. Mas, acho válido registrar aqui também, especialmente para a posteridade ter acesso - e também para minha própria consulta, quando tiver crise de valores. Vale a pena ler! Boa Reflexão.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Insustentável leveza

Te quero no meu pensamento,
Te quero livre de memórias e de conceitos.
Te quero como se quer algo intangível e mágico,
Como algo que surte e que faz efeito.
Te quero como se muda uma planta de lugar: daqui pra lá - e só.
Te quero como quem tem uma sede esquisita de algo que nunca experimentou.
Te quero “presente na saudade”,
Te quero na circunstância e na leveza do ser,
Tão insustentável de tão leve,
Ao ponto de não poder te ter.

Amar

Amar

A maneira como eu gosto de você
Não diz respeito a só você exatamente.
É o seu cigarro que eu tenho nojo,
Mas a sua mão fedida, eu até beijo;
São suas estrias, nessa barriga que já foi gorda,
Mas, em você elas caem como um adorno;
É seu dedo mindinho que é menor demais da conta,
Mas encaixa direitinho entre meus dedos;
É esse jeito gay que você tem ao sentar,
Que rídículo! Mas em você eu vejo charme;
É essa camisa de pequenique,
Que em você, faz estilo;
É esse seu jeito ranzinza e medonho;
É essa angústia do nada, as mentiras repentinas;
São seus exageros e seus dramas
E tudo o mais que possa verdadeiramente me irritar.

Fotografia

Fotografia do seu olhar
Eu tirei várias delas
Sorrindo,
Amando,
Perguntando.
Discutindo,
Cantando,
Interpretando,
Rezando,
Chorando....,
Partindo....;
Dolorido...,
Sério...,
Chateado.....
Amargurado....
Desesperançoso.....

Mas hoje, pensando em você eu só vejo um olhar: o desolhar.

Si à Rapsodia

Era metida a si. A ser dona de si, a ser melhor, a ser mais.
Até que um dia, chegou um Dia e acabou com Si.
Si ficou pasma! Não podia conceber tamanho descontrole, tamanha intromissão em seu controle, tamanha invasão em sua rotina! Mas o que era aquilo, afinal? O que era aquilo tão sem controle? Seria mesmo o fim dos tempos?
Si não se podia, não era mais, não tinha mais, não pensava mais! Só sentia...e não era acostumada a sentir. Sentir era ruim, sentir era descontrole. Si se voltou a si e se perdeu tanto que parecia mar em maremoto. Si não sabia voltar. E mesmo que soubesse, se perguntava se era isso mesmo o que queria: voltar. Era tão bom perdida que até quis perder-se um pouco mais. Mas aquela agitação toda, só a deixava mais aflita. E a confusão gritava, e a cinzura embaçava-lhe as vistas e os sentidos. Si já não via, não sabia, apenas sentia. Pelo tempo que passou perdida no mar - revolto – Si tateava apenas, e procurava o chão, um banco de areia. Quem mandou querer saltar no mar? Ela sabia que tinha uma âncora. Sabia em que direção ficava essa ancora. Ora queria estar lá, segura, mas ora se lembrava que tinha gostado tanto de ficar no mar....tanto, mas tanto! Tanto, que já não sabia se ia ou se ficava...
Si hoje está no porto, mas sempre olha para o mar. Sempre.

Gris

Venha a minha parte de ti
Eis que hoje meu dia é gris
e do meu peito correm rios
meu coração me atormenta
e dormir já não consigo.
Venha a minha parte de ti
Para o bem do meu sorriso
Que já não sabe o que é sorrir
De tanta saudade já não mais vivo
Venha a parte amputada do meu coração
Que se deu como nunca e hoje, desolado
sofre em vão
Que saudades de mim!

Utilidade

Vou te usar nos meus poemas
Vou te usar quando eu precisar de inspiração
Vou te usar para lembrar das coisas que sempre esqueço
Vou te usar sempre que eu precisar saber de mim
Vou te usar para gostar de musica chata
(e vou gostar de verdade)
Vou te usar quando quiser pensar mais em mim
Vou te usar quando precisar escolher uma cor
Para ser ironica e zombateira,
Para fazer birras, falar não;
Para sofrer, rastejar e me humilhar
Eu vou te usar
Por fim, quando eu quiser de verdade amar,Ainda sim, vou te usar.

Sentimento

O vazio do vazio.
Um não-ter-o-que fazer.
Um nada quase absoluto.
Um amor calado.
Uma fala muda.
Uma não-ação, um não-impulso, um não adianta.
Uma coisa mórbida,
Quieta.
Quieta!

Meu Orfeu e Minha Eurídice

Lendo o poeta Vinicius de Moraes, alguma inspiração me surtiu e, eis aqui a minha versão para seu Orfeu e também para a Eurídice. Esses dois têm sido a menina dos meus olhos últimamente.

Orfeu

Engole seco,
Espera a seco. No que tange o amor,
Sempre seco.
Sempre mudo e escuro.
Sem palavras, sem sentido, sem sentimento.
Que amor é esse que escolhe o vento para ser seu par?
Que amor é esse que te escolhe, Orfeu?!
Que não és de ninguém e,
Menos ainda, meu.
Te ter é cai sem ter respaldo,
É jogar-se ao vento, e ter por colo o abismo.
Paixão louca, amor louco.
Tudo o que te toca vira água.
Tudo o que tu tocas, vira pó
Ao vento.
Te entregas na totalidade e na totalidade te escorres.

Eurídice

Ah, Orfeu!
Que melancolia sem ti!
Que falta de vida sem ti!
Os segundos são eternos e os minutos, errantes
Nas horas, despejo toda a agonia da tua espera...
Nada passa, nada consola.
O que, por um instante me distrai, à volta do teu pensamento
Em dobro me recaem os infinitos instantes sem saber de ti.
Esse não saber, essa falta, essa ausência de ser!...
Essa pena que me fazes viver por te querer, por te amar e não te ter.
Sofrimento, angústia e dor
No solo me despejo e, nas melodias, me benfazejo de tua memória,
De quando me cantavas e me dizias, Orfeu,
Que era tua e só tua e sempre tua!
Meu querido, meu amado, te quero tanto, te espero tanto, te vivo tanto
Que teu espaço em mim já me toma a vida.
Já não ando, não falo, não respiro e não ardo, se não em ti, apêndice meu,
Angústia e felicidade minha.
Te quero, Orfeu!