Muito bem.
Hoje tá estranho.
Ontem eu dormi cedo por falta de ter o que fazer. Acordei cedo e, ainda, sem ter o que fazer...
Sozinha em casa, fiquei assistindo a um filme (pela 99ª vez): Sem Reservas.
To sem assunto também. Então, vou falar um pouco sobre o filme: Kate (Kathy Z-Jhones) é uma chef de cozinha exemplar. Uma das melhores da cidade. Leva uma vida cheia de regras e muito bem planejada. Seu assunto favorito é trabalho. Faz terapia por imposição de sua chefe. Mas não consegue perceber a si mesma. Tudo o que Kate enxerga é trabalho.
Até que por fatalidade, sua irmã morre e Kate se vê com a tutela da sobrinha, Zoe. Esta, aos poucos, vai desafiando Kate a lidar com a parte emocional, além de tirar-lhe toda a rotina e trazer-lhe novas preocupações. Kate começa a enxergar vida fora de sua caixa.
Em seguida, vem a fantástica figura: Nick- chef substituto de Kate no restaurante. Esse é o personagem de quem mais gosto. Ele, aos poucos, com a ajuda de Zoe, vai questionando uma a uma as verdades de Kate. Ela vai se tornando mais maleável, mais humana.
Enfim, é basicamente isso. Muito intrigante me parece o título: Sem Reservas. No caso do filme, como o ambiente é um restaurante, pergunta-se em alguns momentos: "O senhor tem reserva?". Mas, no contexto, conforme Kate vai se envolvendo com Zoe e Nick, ela passa a revelar-se a eles. Os três viram cúmplices. Sem reservas um para com o outro. Nota: Ela vai se revelando, se deixando amar à medida em que os dois vão se mostrando a ela, sem máscaras, com transparência. Uma vez li: " à medida que sou, permito que o outro seja". Nem lembro de quem é a frase. Talvez seja até minha - oriunda de alguma reflexão, claro.
Legal essa coisa de ser e deixar ser. Mostrar-se, auto-exposição.
Jesus se mostrou aos seus discípulos tal como era - sem reservas. Parece bom ser assim.
Contudo, parafraseando Nietzsche: " a auto-exposição é o prelúdio da traição". Sim, Jesus foi traído.
Ok, amigos. Isso aqui já me parece um confessionário. Alguém poderia dissertar mais a respeito de reservas e auto-exposição?
Fica o convite a vocês.
Beijos a todos!
Lugar de pensamentos, poesias, contos e afins. Espaço para os amigos e para os sonhadores
sexta-feira, 9 de maio de 2008
quinta-feira, 8 de maio de 2008
Isso é SIM uma cópia. Vou publicar SIM um texto que não é de minha autoria.
E sabe por quê?
Simplesmente porque o conceito de consumo e a relação cultural de posse que o autor deste fala é magnifica.
Pare 2 minutos e pense nas relações que você tem com seus objetos, o sentimento de posse que exerce sobre eles e o que isso pode gerar num instante futuro.
Lembre-se que é um futuro próximo.... muuuuuuito próximo.
O fotógrafo Peter Mengel correu o mundo com o intuito de estudar a relação entre as pessoas e os objetos. Registrou famílias de classe média de várias cidades cercadas de todos os pertences, de automóveis a escovas de dente. E essas imagens traduzem de maneira contundente as diferenças do conceito de “posse” em distintas realidades culturais.
Uma família americana de classe média possui até 8 mil itens diversos, renovados diariamente, e que geram, em média, até 2 Kg de lixo por pessoa. Enquanto isso, uma família no Butão, pequeno país africano, possui algo em torno de 80 objetos, que vão de utensílios de cozinha a peças sagradas. A quantidade não é o que importa e sim a forma como cada uma dessas famílias encara, valoriza e entende o ato de “possuir objetos”.
Em resposta às acusações feitas em 1987 por um jornalista britânico do Financial Times sobre o lento desenvolvimento do Butão, o rei do país afirmou: "O índice médio de felicidade de um país é mais importante do que o índice de desenvolvimento". A afirmação do rei encontra respaldo nos números. Em uma pesquisa realizada em 2005, 45% dos butaneses declararam ser “muitos felizes”, enquanto que, no mesmo ano, apenas 30% de americanos declaram o mesmo. Isso serve para revermos nossos critérios de associação direta sobre posse e felicidade.
Prova disso é o estudo Happy Planet Index, feito por Nick Marks et al. em 2006. O índice de felicidade dos países compara a relação entre ecologia e número de anos felizes. O resultado: também nessa categoria, o Butão, com seus 80 objetos por família, ficou entre as 10 nações mundiais com maior nível de felicidade – índice muito acima do alcançado pelos Estados Unidos.
Eu, designer que há vinte anos desenho e coloco mais objetos no planeta, não sou hipócrita a ponto de condenar o ato da compra. Quero apenas propor uma reflexão sobre as conseqüências desse estilo de vida. Considerando apenas 50% de um total de aproximadamente 1 bilhão de chineses e indianos que acreditam finalmente ter chegado a hora de encher suas casas de equipamentos e suas garagens de automóveis, é possível ter idéia da explosão de consumo que se aproxima – nível bem próximo ao registrado pelos espanhóis, que ainda é, espantosamente, 13 vezes menor que o consumo dos americanos.
Para saciar essa sede de consumo, precisaríamos extrair matéria-prima de pelo menos 3,5 planetas Terra! Como é pouco provável a multiplicação de nossa pequena nave, é necessário repensar, com urgência, a relação que temos com o consumo. Qual foi a última vez que você usou sua máquina de furar? Este utensílio foi projetado para furar por 7 anos seguidos, mas a média de uso por família é de 30 minutos por ano! De fato, não precisamos de uma máquina de furar, mas dos 15 furos que ela faz por ano. A solução? Que tal se em cada condomínio houvesse apenas dois ou três exemplares desse equipamento para o uso comum?
O que dificulta a adoção do modelo de compartilhamento de objetos é a relação afetiva que desenvolvemos com as coisas e o próprio significado da palavra “posse” para a nossa sociedade. Imagine você, que cultiva com seu automóvel uma relação de amor e cumplicidade, ser obrigado a dividi-lo com seus vizinhos? Vai ser duro, mas provavelmente em um futuro próximo será a única saída possível.
E é também viável. Uma empresa pode muito bem mapear em um edifício o perfil e a demanda dos moradores em relação ao transporte e, de forma customizada, alugar para o condomínio a quantidade e a variedade de modelos de automóveis que atendam às necessidades de todos os moradores. E esse tipo de perspectiva não compromete a rentabilidade das montadoras. Trata-se apenas de rever a lógica da produção em massa: as montadoras se transformariam em provedoras de serviços de transporte, criando vínculos ainda mais duradouros e profundos com seus clientes. O que vai mudar é a natureza e o estado físico do que consumimos.
Resta, no entanto, uma dúvida crucial: o que fazer com os vínculos afetivos que cultivamos com os objetos? A resposta é mais simples do que se imagina. Basta voltar a direcionar toda essa afetividade e zelo para o ser humano. O meio ambiente agradece.
* Fred Gelli é sócio e diretor de criação da Tátil Design, professor de desenho industrial da Puc-Rio e jurado na categoria Design no Cannes Lions 2008. (http://www.ccsp.com.br/ultimas/noticia.php?id=31543)
=)
E sabe por quê?
Simplesmente porque o conceito de consumo e a relação cultural de posse que o autor deste fala é magnifica.
Pare 2 minutos e pense nas relações que você tem com seus objetos, o sentimento de posse que exerce sobre eles e o que isso pode gerar num instante futuro.
Lembre-se que é um futuro próximo.... muuuuuuito próximo.
O fotógrafo Peter Mengel correu o mundo com o intuito de estudar a relação entre as pessoas e os objetos. Registrou famílias de classe média de várias cidades cercadas de todos os pertences, de automóveis a escovas de dente. E essas imagens traduzem de maneira contundente as diferenças do conceito de “posse” em distintas realidades culturais.
Uma família americana de classe média possui até 8 mil itens diversos, renovados diariamente, e que geram, em média, até 2 Kg de lixo por pessoa. Enquanto isso, uma família no Butão, pequeno país africano, possui algo em torno de 80 objetos, que vão de utensílios de cozinha a peças sagradas. A quantidade não é o que importa e sim a forma como cada uma dessas famílias encara, valoriza e entende o ato de “possuir objetos”.
Em resposta às acusações feitas em 1987 por um jornalista britânico do Financial Times sobre o lento desenvolvimento do Butão, o rei do país afirmou: "O índice médio de felicidade de um país é mais importante do que o índice de desenvolvimento". A afirmação do rei encontra respaldo nos números. Em uma pesquisa realizada em 2005, 45% dos butaneses declararam ser “muitos felizes”, enquanto que, no mesmo ano, apenas 30% de americanos declaram o mesmo. Isso serve para revermos nossos critérios de associação direta sobre posse e felicidade.
Prova disso é o estudo Happy Planet Index, feito por Nick Marks et al. em 2006. O índice de felicidade dos países compara a relação entre ecologia e número de anos felizes. O resultado: também nessa categoria, o Butão, com seus 80 objetos por família, ficou entre as 10 nações mundiais com maior nível de felicidade – índice muito acima do alcançado pelos Estados Unidos.
Eu, designer que há vinte anos desenho e coloco mais objetos no planeta, não sou hipócrita a ponto de condenar o ato da compra. Quero apenas propor uma reflexão sobre as conseqüências desse estilo de vida. Considerando apenas 50% de um total de aproximadamente 1 bilhão de chineses e indianos que acreditam finalmente ter chegado a hora de encher suas casas de equipamentos e suas garagens de automóveis, é possível ter idéia da explosão de consumo que se aproxima – nível bem próximo ao registrado pelos espanhóis, que ainda é, espantosamente, 13 vezes menor que o consumo dos americanos.
Para saciar essa sede de consumo, precisaríamos extrair matéria-prima de pelo menos 3,5 planetas Terra! Como é pouco provável a multiplicação de nossa pequena nave, é necessário repensar, com urgência, a relação que temos com o consumo. Qual foi a última vez que você usou sua máquina de furar? Este utensílio foi projetado para furar por 7 anos seguidos, mas a média de uso por família é de 30 minutos por ano! De fato, não precisamos de uma máquina de furar, mas dos 15 furos que ela faz por ano. A solução? Que tal se em cada condomínio houvesse apenas dois ou três exemplares desse equipamento para o uso comum?
O que dificulta a adoção do modelo de compartilhamento de objetos é a relação afetiva que desenvolvemos com as coisas e o próprio significado da palavra “posse” para a nossa sociedade. Imagine você, que cultiva com seu automóvel uma relação de amor e cumplicidade, ser obrigado a dividi-lo com seus vizinhos? Vai ser duro, mas provavelmente em um futuro próximo será a única saída possível.
E é também viável. Uma empresa pode muito bem mapear em um edifício o perfil e a demanda dos moradores em relação ao transporte e, de forma customizada, alugar para o condomínio a quantidade e a variedade de modelos de automóveis que atendam às necessidades de todos os moradores. E esse tipo de perspectiva não compromete a rentabilidade das montadoras. Trata-se apenas de rever a lógica da produção em massa: as montadoras se transformariam em provedoras de serviços de transporte, criando vínculos ainda mais duradouros e profundos com seus clientes. O que vai mudar é a natureza e o estado físico do que consumimos.
Resta, no entanto, uma dúvida crucial: o que fazer com os vínculos afetivos que cultivamos com os objetos? A resposta é mais simples do que se imagina. Basta voltar a direcionar toda essa afetividade e zelo para o ser humano. O meio ambiente agradece.
* Fred Gelli é sócio e diretor de criação da Tátil Design, professor de desenho industrial da Puc-Rio e jurado na categoria Design no Cannes Lions 2008. (http://www.ccsp.com.br/ultimas/noticia.php?id=31543)
=)
quarta-feira, 7 de maio de 2008
O meu lugar nessa história
Ponha-se no seu lugar - disse ela irritada com a situação. Na verdade ela nunca esperou que ele lhe invadisse o espaço e roubasse um beijo.
Enquanto ele se recuperava da mordida que tomara na língua ela perguntou:
- Por que você fez isso?
- Por que você deixou?
- Não deixei!
- Então por que demorou para me morder?
- Porque eu não quis te machucar.
Aí ele investiu.
- Também não quero te machucar. Acho que a coisa está ficando séria.
- Que coisa?
- Sei lá, acho que estou gostando de você!
Ela espantada - Não sei o que dizer.
- Não diga nada, deixa eu te fazer feliz.
- Mas quem disse que eu estou triste?
- Está bom, acho que me expressei mal:
- Me faz feliz.
- E por acaso você é triste?
- Sem você, sim.
- Vai dar uma de romântico agora?
- Não é romance, é sentimento!
- É, posso pensar no seu caso...
- E aí, já pensou?
- Em dois segundos?
- Em um, uma bomba explode.
- Ok, vou te dar uma chance.
E os beijos foram longos, as conversas ao pé do ouvido.
Tudo isso aconteceu na mesa ao lado e eu ali, me sentindo quase derrotado, sentindo uma ponta de inveja, tendo como companhia o cigarro, a bebida e o celular.
Enquanto ele se recuperava da mordida que tomara na língua ela perguntou:
- Por que você fez isso?
- Por que você deixou?
- Não deixei!
- Então por que demorou para me morder?
- Porque eu não quis te machucar.
Aí ele investiu.
- Também não quero te machucar. Acho que a coisa está ficando séria.
- Que coisa?
- Sei lá, acho que estou gostando de você!
Ela espantada - Não sei o que dizer.
- Não diga nada, deixa eu te fazer feliz.
- Mas quem disse que eu estou triste?
- Está bom, acho que me expressei mal:
- Me faz feliz.
- E por acaso você é triste?
- Sem você, sim.
- Vai dar uma de romântico agora?
- Não é romance, é sentimento!
- É, posso pensar no seu caso...
- E aí, já pensou?
- Em dois segundos?
- Em um, uma bomba explode.
- Ok, vou te dar uma chance.
E os beijos foram longos, as conversas ao pé do ouvido.
Tudo isso aconteceu na mesa ao lado e eu ali, me sentindo quase derrotado, sentindo uma ponta de inveja, tendo como companhia o cigarro, a bebida e o celular.
segunda-feira, 5 de maio de 2008
Sorria
Foto: Alcides
Não tão longe de nossas cidades cinzentas
Existem céus tão claros e azuis
Existem praias, existem vales
Onde o sol brilha docemente em você.
Então, conte seus dias pelas horas douradas
Não se lembre de nuvens de maneira alguma
Conte seu jardim pelas flores
Nunca pelas folhas que caem.
Conte suas noites pelas estrelas, não pelas sombras
Conte sua vida com sorrisos, não com lágrimas.
E com alegria, por toda a sua existência
Conte sua idade pelos amigos, não pelos anos.
A autoria deste poema está atribuída a Charlie Chaplin e é minha homenagem à menina mais "CREEZY", que já conheci: a dona deste blog.
sábado, 3 de maio de 2008
Instantes Mágicos
Em um instante se pode mudar de vida
Pode-se começar algo novo, começar tudo de novo.
Lembra daquela vez em que ela disse que o problema não era você, mas ela mesma? Que instante foi aquele? Tá lembrado de como sua cabeça girava e você não sabia o que ainda estava fazendo ali, na frente da porta dela? Pois é. Também, em um instante, depois de longos e curtidos nove meses, tava ali com cara de bobo, com seu filho nos braços. Babando...
Em um instante você se despistou olhando para o outdoor de lingerie e bateu o carro. E você saberia dizer quanto tempo durou a troca de olhares entre você e a garçonete do Fridays? Acredito que alguns segundos.
Em um momento seu pai estava aí, conversando contigo sobre a inflação, sobre o Palmeiras, sobre o arroz empapado da sua mãe, reclamando da conta do telefone e dos cachorros rasgando as meias novas. Foi o tempo de você ir ao mercadinho e voltar, o velho estava na UTI...pois é.
Outro dia eu estava conversando na cozinha com a minha mãe sobre o tempo que está passando rápido demais. Minha mãe e minha vó acham que é um sinal do Apocalipse. Daí vou lá me sentir inútil por não ter feito nada de tão útil assim do meu tempo. Eu sempre me culpo por ter passado o domingo sem fazer nada, por exemplo. Odeio ir a baladinhas e tomar quase todas, porque o dia seguinte eu sei que será desperdiçado entre cama e sofá. Essa coisa de tempo me deixa meio neurótica. Concerber que o tempo está passando mais rápido do que sempre foi, então, me deixou com os nervos tambolirantes.
Mas aí, parando para pensar: se eu tiver menos tempo, vou procurar fazer coisas de qualidade. Isso sim vale mais. A gente passa a repensar a vida. Deixa de ser quantitativo para ser qualitativo. Pode parecer loucura, devaneio, o que for, mas mudei (e continuo mudando) meus hábitos. O medo de não ter tempo suficiente para fazer as coisas que gosto e que tem que ser feitas (mas a gente vive postergando) me fez reorganizar minha vida. Para começar, resolvi assumir a vida simples. Sabe qualidade de vida a baixo custo? Botei meu apê super caro à venda - era possível que eu morresse antes de terminar de pagar as prestações. Estou procurando outro por menos de um terço do valor do meu. Quero estudar, viajar, conhecer pessoas, sair, ser feliz. Outra iniciativa nesse sentido: programinhas grátis. Meu, SESC é tudo de bom. SESC é o que há! Programação de qualidade a preços simbólicos.
Bem, dentre outras coisas como comida light, sem sal, suco sem açucar, não aos refris, enfim.
Qualidade de vida. Não para ter mais vida, mas para ter vida melhor. Passear no parque é bom. À noite então...é muito bom!
Sabe os instantes mágicos? Descobri que a gente pode fazer com que eles aconteçam a todo o tempo. Na verdade, eles sempre acontecem - nosso olhar é que está voltado a outras coisas. A garçonete do Fridays, por exemplo, pode vir a ser a avó dos nossos netos (!!).
O céu hoje está lindo. Ontem choveu e fez frio. Então, hoje está perfeito: céu azul, sol e frio. Contemplar esse dia é mágico! Viver do simples é viver feliz!
Pode-se começar algo novo, começar tudo de novo.
Lembra daquela vez em que ela disse que o problema não era você, mas ela mesma? Que instante foi aquele? Tá lembrado de como sua cabeça girava e você não sabia o que ainda estava fazendo ali, na frente da porta dela? Pois é. Também, em um instante, depois de longos e curtidos nove meses, tava ali com cara de bobo, com seu filho nos braços. Babando...
Em um instante você se despistou olhando para o outdoor de lingerie e bateu o carro. E você saberia dizer quanto tempo durou a troca de olhares entre você e a garçonete do Fridays? Acredito que alguns segundos.
Em um momento seu pai estava aí, conversando contigo sobre a inflação, sobre o Palmeiras, sobre o arroz empapado da sua mãe, reclamando da conta do telefone e dos cachorros rasgando as meias novas. Foi o tempo de você ir ao mercadinho e voltar, o velho estava na UTI...pois é.
Outro dia eu estava conversando na cozinha com a minha mãe sobre o tempo que está passando rápido demais. Minha mãe e minha vó acham que é um sinal do Apocalipse. Daí vou lá me sentir inútil por não ter feito nada de tão útil assim do meu tempo. Eu sempre me culpo por ter passado o domingo sem fazer nada, por exemplo. Odeio ir a baladinhas e tomar quase todas, porque o dia seguinte eu sei que será desperdiçado entre cama e sofá. Essa coisa de tempo me deixa meio neurótica. Concerber que o tempo está passando mais rápido do que sempre foi, então, me deixou com os nervos tambolirantes.
Mas aí, parando para pensar: se eu tiver menos tempo, vou procurar fazer coisas de qualidade. Isso sim vale mais. A gente passa a repensar a vida. Deixa de ser quantitativo para ser qualitativo. Pode parecer loucura, devaneio, o que for, mas mudei (e continuo mudando) meus hábitos. O medo de não ter tempo suficiente para fazer as coisas que gosto e que tem que ser feitas (mas a gente vive postergando) me fez reorganizar minha vida. Para começar, resolvi assumir a vida simples. Sabe qualidade de vida a baixo custo? Botei meu apê super caro à venda - era possível que eu morresse antes de terminar de pagar as prestações. Estou procurando outro por menos de um terço do valor do meu. Quero estudar, viajar, conhecer pessoas, sair, ser feliz. Outra iniciativa nesse sentido: programinhas grátis. Meu, SESC é tudo de bom. SESC é o que há! Programação de qualidade a preços simbólicos.
Bem, dentre outras coisas como comida light, sem sal, suco sem açucar, não aos refris, enfim.
Qualidade de vida. Não para ter mais vida, mas para ter vida melhor. Passear no parque é bom. À noite então...é muito bom!
Sabe os instantes mágicos? Descobri que a gente pode fazer com que eles aconteçam a todo o tempo. Na verdade, eles sempre acontecem - nosso olhar é que está voltado a outras coisas. A garçonete do Fridays, por exemplo, pode vir a ser a avó dos nossos netos (!!).
O céu hoje está lindo. Ontem choveu e fez frio. Então, hoje está perfeito: céu azul, sol e frio. Contemplar esse dia é mágico! Viver do simples é viver feliz!
quarta-feira, 30 de abril de 2008
Proibido
Não havia guia
Na rua em que eu seguia.
Não havia placa de mão
Ou contramão.
Não havia carro parado
Nem o povo apressado.
Só havia noite.
Cão faminto, correndo por um labirinto,
Vendo luzes de neon.
Brilho dos teus olhos
Que sempre gritavam:
NÃO!
Na rua em que eu seguia.
Não havia placa de mão
Ou contramão.
Não havia carro parado
Nem o povo apressado.
Só havia noite.
Cão faminto, correndo por um labirinto,
Vendo luzes de neon.
Brilho dos teus olhos
Que sempre gritavam:
NÃO!
segunda-feira, 28 de abril de 2008
O Quintal de sua Casa
- Ainda não acredito que ele possa ter me tocado com sensualidade!!...
Já tinha se passado uma semana desde então, desde que tudo acabara. Desde que saíra daquele carro, essa era a frase que não lhe saía da cabeça.
Como aquela boca pôde ter feito aquilo? Como ela pôde ter sido tão atrevida ao correr até pescoço e nuca? Quando foi que aquelas mãos foram tão ousadas a ponto de tocar-lhe os seios, a ignorar a presença apertada do sinto? Em que momento elas se enfiaram por dentro da calça a apertar-lhe a bunda?
O menino cresceu. E crescendo, viu o que era bom. Perdeu com ela o pudor. Mas será que ele já teve alguma reserva para com ela? Ela era o quintal de sua casa. Uma extensão óbvia de si. Ele sabia-lhe a respiração e os minutos. Sabia-lhe os sentidos, os sentimentos.
A ela, as mãos dele sempre foram íntimas – mesmo antes de se tocarem. Sim, ela era o quintal dele. Assim concebeu-se naquele momento, e sem espanto. Conceber-se quintal. Descobriu-se assim pelas mãos do outro – e de um outro tão inocente! Pois é: inocente. Ela, aos 31 anos, já tinha vivido algumas aventuras. Viajada, estudada; sabida das coisas e das pessoas. Ele, aos 21, era apenas uma criança. Uma criança que brincava com seus peitos, que apertava sua bunda e que gritava-lhe besteiras, de tanta euforia e amor incontido.
Ainda era amador ao fazer a barba, para encanto dela - que se deleitava ao zombar dos poucos fios fora do lugar naquela cara lisinha.
Com a mesma inocência e naturalidade de um filho que toca sua mãe, assim ele a tocava. E, da mesma forma ingênua, ela recebia seus carinhos. Ver sua expressão pueril deitada em seu colo, roçando as mãos em seus seios por dentro da blusa enquanto contava seu dia, suas aulas. Era uma sensação maternal. Como esse amor se permite ser assim? A pureza que vai ao encontro da experiência. Esta, por sua vez, vê-se impelida a ceder, a ser a primeira experiência. As intenções eram unas, assim como o coração, como os sentidos, como os olhares. Como as almas.
Os extremamente opostos se completando ali. Um no outro. Ele dominava a cena – seguro e certo. Ela apenas concentia – com natural timidez.
Não houve nada além de carinhos. A pureza não de todo se perdeu. As intenções sim, ficaram no ar.
Ele a deixou em casa e foi embora. Não ligou no dia seguinte, nem no outro, nem no outro. Ela sim, pela imaturidade cabida, quis saber se ele estava bem. Se o fizera sentir-se usado. Sim, ele estava bem. Melhor que ela talvez. E talvez, ela tenha se sentido usada – um experimento aos mecanismos de resistência de um adolescente com os hormônios à flor da pele.
Já tinha se passado uma semana desde então, desde que tudo acabara. Desde que saíra daquele carro, essa era a frase que não lhe saía da cabeça.
Como aquela boca pôde ter feito aquilo? Como ela pôde ter sido tão atrevida ao correr até pescoço e nuca? Quando foi que aquelas mãos foram tão ousadas a ponto de tocar-lhe os seios, a ignorar a presença apertada do sinto? Em que momento elas se enfiaram por dentro da calça a apertar-lhe a bunda?
O menino cresceu. E crescendo, viu o que era bom. Perdeu com ela o pudor. Mas será que ele já teve alguma reserva para com ela? Ela era o quintal de sua casa. Uma extensão óbvia de si. Ele sabia-lhe a respiração e os minutos. Sabia-lhe os sentidos, os sentimentos.
A ela, as mãos dele sempre foram íntimas – mesmo antes de se tocarem. Sim, ela era o quintal dele. Assim concebeu-se naquele momento, e sem espanto. Conceber-se quintal. Descobriu-se assim pelas mãos do outro – e de um outro tão inocente! Pois é: inocente. Ela, aos 31 anos, já tinha vivido algumas aventuras. Viajada, estudada; sabida das coisas e das pessoas. Ele, aos 21, era apenas uma criança. Uma criança que brincava com seus peitos, que apertava sua bunda e que gritava-lhe besteiras, de tanta euforia e amor incontido.
Ainda era amador ao fazer a barba, para encanto dela - que se deleitava ao zombar dos poucos fios fora do lugar naquela cara lisinha.
Com a mesma inocência e naturalidade de um filho que toca sua mãe, assim ele a tocava. E, da mesma forma ingênua, ela recebia seus carinhos. Ver sua expressão pueril deitada em seu colo, roçando as mãos em seus seios por dentro da blusa enquanto contava seu dia, suas aulas. Era uma sensação maternal. Como esse amor se permite ser assim? A pureza que vai ao encontro da experiência. Esta, por sua vez, vê-se impelida a ceder, a ser a primeira experiência. As intenções eram unas, assim como o coração, como os sentidos, como os olhares. Como as almas.
Os extremamente opostos se completando ali. Um no outro. Ele dominava a cena – seguro e certo. Ela apenas concentia – com natural timidez.
Não houve nada além de carinhos. A pureza não de todo se perdeu. As intenções sim, ficaram no ar.
Ele a deixou em casa e foi embora. Não ligou no dia seguinte, nem no outro, nem no outro. Ela sim, pela imaturidade cabida, quis saber se ele estava bem. Se o fizera sentir-se usado. Sim, ele estava bem. Melhor que ela talvez. E talvez, ela tenha se sentido usada – um experimento aos mecanismos de resistência de um adolescente com os hormônios à flor da pele.
Vem!
De manhã cedo reguei as plantas
Tomei cuidado com a água parada.
Troquei continas, abri janelas
Deixei o sol aquecer toda a casa.
Comprei roupa nova e outro perfume.
Liguei o som alto.
Ouvindo sua música
Abracei o meu corpo e dancei.
Cai a tarde, as horas avançam
Uma esperança ou vontade ou saudade me invade e me excita
E eu que não sei cozinhar
Preparo um belo jantar.
Vejo no céu a primeira estrela
E algo em mim se agita.
Sinto que você já vem
Então é hora de abrir as portas
E meus braços também.
Poema inspirado em uma menina que espera seu namorado e eu tenho certeza que ele chegará e eles serão muito felizes, como tem que ser os grandes amores.
Tomei cuidado com a água parada.
Troquei continas, abri janelas
Deixei o sol aquecer toda a casa.
Comprei roupa nova e outro perfume.
Liguei o som alto.
Ouvindo sua música
Abracei o meu corpo e dancei.
Cai a tarde, as horas avançam
Uma esperança ou vontade ou saudade me invade e me excita
E eu que não sei cozinhar
Preparo um belo jantar.
Vejo no céu a primeira estrela
E algo em mim se agita.
Sinto que você já vem
Então é hora de abrir as portas
E meus braços também.
Poema inspirado em uma menina que espera seu namorado e eu tenho certeza que ele chegará e eles serão muito felizes, como tem que ser os grandes amores.
sexta-feira, 25 de abril de 2008
A música e as revoluções (a revolução dos cravos)
Tanto mar
(Chico Buarque - 1975 primeira versão)*
Sei que estás em festa, pá
Fico contente
E enquanto estou ausente
Guarda um cravo para mim
Eu queria estar na festa, pá
Com a tua gente
E colher pessoalmente
Uma flor do teu jardim
Sei que há léguas a nos separar
Tanto mar, tanto mar
Sei também quanto é preciso, pá
Navegar, navegar
Lá faz primavera, pá
Cá estou doente
Manda urgentemente
Algum cheirinho de alecrim
* Letra original,vetada pela censura; gravação editada apenas em Portugal, em 1975.
Nos primeiros minutos do dia 25 de abril de 1974 a rádio Renascença , de Potugal tocava a música Grândola Vila Morena.
"Grândola, Vila Morena
Terra da Fraternidade
O povo é quem mais ordena
Dentro de ti o cidade!" (...)
Era a senha para a revolução que poria fim a quase 50 anos de ditadura naquele país. Houve duas senhas. A primeira às 23:00h do dia 24, com a música "E depois do adeus". Ao ouvir a segunda, às 00:20h, as tropas revolucionárias foram ocupando postos estratégicos e a conquista da democracia era uma questão de horas.
O cravo tornou-se o símbolo da Revolução de Abril de 1974; Com o amanhecer as pessoas começaram a juntar-se nas ruas, solidários com os soldados revoltosos; alguém (existem várias versões, sobre quem terá sido, mas uma delas é que uma florista contratada para levar cravos para a abertura de um hotel, foi vista por um soldado que pôs um cravo na espingarda, e em seguida todos o fizeram), começou a distribuir cravos vermelhos para os soldados, que depressa os colocaram nos canos das espingardas.
O interessante é que Geraldo Vandré, bem antes já dizia "... e acreditam nas flores vencendo o canhão."
(Chico Buarque - 1975 primeira versão)*
Sei que estás em festa, pá
Fico contente
E enquanto estou ausente
Guarda um cravo para mim
Eu queria estar na festa, pá
Com a tua gente
E colher pessoalmente
Uma flor do teu jardim
Sei que há léguas a nos separar
Tanto mar, tanto mar
Sei também quanto é preciso, pá
Navegar, navegar
Lá faz primavera, pá
Cá estou doente
Manda urgentemente
Algum cheirinho de alecrim
* Letra original,vetada pela censura; gravação editada apenas em Portugal, em 1975.
Nos primeiros minutos do dia 25 de abril de 1974 a rádio Renascença , de Potugal tocava a música Grândola Vila Morena.
"Grândola, Vila Morena
Terra da Fraternidade
O povo é quem mais ordena
Dentro de ti o cidade!" (...)
Era a senha para a revolução que poria fim a quase 50 anos de ditadura naquele país. Houve duas senhas. A primeira às 23:00h do dia 24, com a música "E depois do adeus". Ao ouvir a segunda, às 00:20h, as tropas revolucionárias foram ocupando postos estratégicos e a conquista da democracia era uma questão de horas.
O cravo tornou-se o símbolo da Revolução de Abril de 1974; Com o amanhecer as pessoas começaram a juntar-se nas ruas, solidários com os soldados revoltosos; alguém (existem várias versões, sobre quem terá sido, mas uma delas é que uma florista contratada para levar cravos para a abertura de um hotel, foi vista por um soldado que pôs um cravo na espingarda, e em seguida todos o fizeram), começou a distribuir cravos vermelhos para os soldados, que depressa os colocaram nos canos das espingardas.
O interessante é que Geraldo Vandré, bem antes já dizia "... e acreditam nas flores vencendo o canhão."
Cordel à Virgem Maria
Virgem Santa Imaculada
Pelos anjos coroada
Pelos homens tão amada
Vinde, Mãe, nos socorrer!
Em seu seio hei de nascer
Para em ti Jesus louvar
Nossas culpas vem livrar
Seu amor engrandecer!
No meu peito já ferido
O perdão bem esquecido
Sua paz, um bem querido
Eu espero ansioso.
No teu colo amoroso
Eu me ponho tal criança
E em fiel esperança
Ver seu Filho Glorioso!
Pelos anjos coroada
Pelos homens tão amada
Vinde, Mãe, nos socorrer!
Em seu seio hei de nascer
Para em ti Jesus louvar
Nossas culpas vem livrar
Seu amor engrandecer!
No meu peito já ferido
O perdão bem esquecido
Sua paz, um bem querido
Eu espero ansioso.
No teu colo amoroso
Eu me ponho tal criança
E em fiel esperança
Ver seu Filho Glorioso!
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